A construção da economia circular é colaborativa e envolve o esforço da sociedade como um todo

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O encontro de Economia Circular na América Latina integrou a programação do World Circular Economy Forum Online (WCEFonline), organizado pelo Fundo Finlandês de Inovação, Sitra, que reúne mais de 2 mil líderes de negócios e especialistas em economia circular de todo o mundo.

Na gênese da Economia Circular, a criação de processos sustentáveis e circulares na cadeia produtiva e de consumo. Trata-se de uma proposta de mudança em todo o mercado, desde o design dos produtos até a relação das matérias-primas com os consumidores, ou seja, todos devem se engajar em modelos de negócios a fim de evitar a geração de resíduos. Contrapondo-se ao processo produtivo linear, o circular prioriza o uso eficiente de insumos e a criação de valor no que antes era visto como lixo.

Na abertura do evento, Eduardo San Martin, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, enfatizou a importância da temática para o Brasil, a América Latina e o mundo. Ele pontuou que, no passado, surgiu o conceito de clean production, na área têxtil, e a evolução dessas práticas para a Produção Mais Limpa (P+L) e o debate sobre esse conceito e suas práticas foi incentivado pela indústria paulista. Ele pontou que “é preciso mudar hábitos de todo o mundo, o que envolve a sociedade, o governo, quem produz e quem consome”.

Jyri Arponen, líder sênior do Fundo de Inovação Finlandês Sitra – uma das mais importantes entidades aceleradoras de negócios sustentáveis do mundo -, tratou dos ecossistemas em grandes negócios circulares.  Para ele, o mundo precisa encontrar uma maneira de se recuperar, e promover a resiliência da economia. Os princípios circulares existem há vários séculos, mas têm ganhado destaque devido ao rápido desenvolvimento tecnológico, o que representa vantagem para as empresas e oportunidade de negócios, o que requer a transição para uma nova mentalidade, adaptação de design e produtos, e atenção à mudança climática, inclusive.

Ao tratar da atual pandemia (Covid-19), afirmou que teremos um ano de reconstrução pela frente, mas será preciso avaliar riscos e oportunidades, dar atenção ao desempenho, à tomada de decisões e à gestão de risco. Por fim, pontuou que, em visita ao Senai-SP, ficou impressionado com o interesse, engajamento e determinação para a construção de um futuro mais sustentável por parte da indústria. Em função dessa visita, em novembro de 2019, quando também participou de evento sobre o tema na Fiesp, foi estabelecida parceria que resultou no evento de hoje.

Para manter a economia linear, seriam precisos muitos planetas Terra, observou Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, ao defender a “espaçonave Terra” e seus recursos finitos. O momento requer preservação ambiental, mudança de cultura, foco na qualidade de vida, ênfase no reúso, além da capacitação profissional, pois os jovens terão suas carreiras alteradas, o que incluiu a inovação. “Usar recursos de forma eficiente é um processo que exige a participação de todos”, enfatizou o ministro.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, do Ciesp e do Senai-SP, agradeceu ao fundo finlândes Sitra ao permitir essa parceria de um evento voltado para a América Latina – com a participação de 26 países no Fórum – e ao astronauta e ministro Marcos Pontes, que foi aluno do Senai-SP. “O segredo é quebrar paradigmas todos os dias, se reinventar. A economia circular aumenta a competitividade das empresas e do país. É preciso olhar para o futuro, pois vivemos um momento de rápida transformação”, contextualizou o presidente das entidades da indústria.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Ciesp e Senai-SP, reforça a necessidade de quebra de paradigma. Fotos: Karim Kahn/Fiesp

A Plataforma para Acelerar a Economia Circular (Pace) contém muitas informações relevantes, além de relatórios e manual sobre a economia circular, a indicar como parceiros o Terceiro Setor, governos, empresas, consumidores, que devem atuar colaborativamente. David Mac – diretor global da Pace e do WCEF, painel de recursos internacionais – reforçou que pela primeira vez estamos enfrentando um sistema socioecológico de escopo planetário e nossa responsabilidade coletiva para o futuro aumentou muito com a pandemia, mas, alertou, uma mudança sistêmica veio antes do Covid-19, desafiando a nossa existência.

Os fatores limitantes se referiam aos recursos naturais e às questões ambientais, mas deve-se abordar esses desequilíbrios socioeconômicos. “O capital humano por exemplo, está sobrevalorizado e o mesmo acontece com ecossistemas saudáveis frente ao mercado, responsável pela tomada de decisões. Não podemos nos surpreender com esses desequilíbrios. São consequências lógicas enviadas por todos os players de mercado. Deve-se abraçar essa nova perspectiva e demonstrar oportunidade e lidar com o desenvolvimento sustentável, a gestão de recursos, o aquecimento global. Trabalhamos com várias recomendações para mudar o paradigma que irá determinar a competitividade dos países”, recomendou.

Em sua avaliação, a Comissão Europeia demonstrou disposição quanto aos princípios básicos que devem ser acatados por todos e o design [de produtos] será a espinha dorsal do nosso futuro, nas cadeias de valor, com o uso de novos materiais, como substitutos, e modelos de serviço. Assim, haverá uma nova paisagem industrial. Para ele, “a evidência científica lida melhor com esses desafios, mas cada vez que o mundo se torna mais competitivo nenhuma indústria consegue se isolar e fazer isto sozinho” e recomendou mais circularidades com os governos locais, revisão da legislação, colaboração e, inclusive, dimensionar as soluções da economia circular.

Representante da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), pontuou mudanças na forma de financiamento, foco na redução da pobreza e o empoderamento das mulheres, com a oferta de ferramentas financeiras sustentáveis, prioriza as populações da África. Na Ásia, há ação referente à presença de plásticos no oceano, projeto que virá para a América Latina. “É preciso contar com parceiro. Querer fazer sozinho é receita para o desastre”, afirmou Boni. Ela tratou de valores globais, que incluem agricultura, nutrição, meio ambiente mais limpo, uso racional da energia e do solo, minimização da geração de resíduos e desperdício de alimentos. Por si só, são temas globais tão amplos que podem modificar toda uma cadeia de valor.

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Participantes internacionais apresentam cases de sucesso e debatem o estágio do conceito Economia Circular no mundo

Cases de sucesso

Outros participantes apresentaram seus cases, como, por exemplo a Niaga (Again, se lido ao contrário), que reaproveita o polímero de tapetes, o segundo item que mais gera resíduo [o primeiro, fraldas]. Mas o essencial é que os tapetes sejam fabricados com apenas com um polímero, uma vez que conta com várias camadas. É mais fácil reciclar um polímero do que vários, indicando o impacto do design e fabricação de um produto. O Niaga é um projeto desenvolvido nesse sentido, garantindo sucesso na cadeia de valor. Outros integrantes do painel apresentaram cases de reciclagem do alumínio, com soluções inovadoras, reaproveitamento de outros materiais e, inclusive, a recuperação de materiais de terras raras. Essas ações são desafiadoras, contam com o apoio da academia, e representam inovação para as pessoas e o planeta.

Livro sobre Design e Economia Circular

No evento, foi lançado o livro Design e Economia Circular (Editora Senai-SP), um olhar voltado ao design e aos novos modelos de negócios circulares, com a organização de artigos de renomados especialistas de diversas partes do mundo. A apresentação coube ao diretor regional do Senai-SP, Ricardo Terra. 

Terra também lembrou que o Senai-SP oferece curso gratuito sobre economia circular, em EAD, e mais de 64 mil pessoas no Brasil e no exterior já o realizaram, oferecido também em espanhol. O curso aborda também as transformações decorrentes da Economia Circular e a colaboração da indústria 4.0. “O design é ferramenta importante, uma mudança de mindset que irá acelerar o processo”, observou Terra.

Além do mais, “no último trimestre deste ano, será lançado curso MBA sobre economia circular, e também são oferecidos serviços às empresas, educacionais e tecnológicos, que podem ser acessados com o app Senai empresas, aplicativo gratuito, canal de comunicação com o Senai-SP.

América Latina presente

O evento também contou com a presença de especialistas do Brasil, Chile, Argentina, Colômbia e Uruguai, que debateram as medidas adotadas para a implantação da economia circular como modelo econômico.

Cristiano Prado, coordenador da Área de Pessoas e Prosperidade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud-ONU), pontuou que a Economia Circular tem grande papel: é mais inclusivo, mais resiliente e mais sustentável, ou seja, tem um grande papel. O Pnud publica um guia de economia circular e desenvolveu parcerias com usinas de cana de açúcar na produção de energia, além de apresentar propostas de políticas públicas para o Ministério da Economia.

No debate Construindo uma Economia Circular na América Latina, Daniel Chang, coordenador de Programas e Projetos em Bioeconomia do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, apresentou aos participantes a estratégia nacional 2016-2022 para a ciência e tecnologia nacional, o que inclui cadeias de Economia Circular, tais como o açaí e o pirarucu (Amazônia) e o Licuri (caatinga), agregando valor às comunidades locais. Outro case apresentado diz respeito ao reaproveitamento de computadores em cinco regiões brasileiras, com o treinamento de jovens, que resultou na recuperação de 116 toneladas de lixo eletrônico, em 2019. Outras iniciativas englobam resíduos eletroeletrônicos, com reaproveitamento de placas eletrônicas, lítio e cobalto e tratou, também, dos investimentos públicos, inclusive para startups, e os roadmaps realizados em todo o país, pelo Ministério, que embarcaram o conceito Economia Circular.  ­­

Na agenda ministerial, figuram tópicos como água, alimentos, energia, clima saúde, biomas e bioeconomia e, ainda economia e educação digital, tecnologias convergentes e habilitadoras, setor aeroespacial e defesa, nuclear, ciências e tecnologias sociais e minerais estratégicos.

Luis Martinez Cerna, da Universidade Central do Chile, pontuou que a América Latina tem muita riqueza: concentra 1/3 das águas doces, grande biodiversidade e reservas minerais. Por isso, é preciso incentivar a criação de novos negócios circulares e incorporá-los à sociedade, com os devidos incentivos tributários, além do fortalecimento da pesquisa para avançar nesse novo modelo. “Os governos são fundamentais para promover essa dinâmica”, afirmou.

Júlio Sosa, coordenador-executivo da Câmara das Indústrias do Uruguai, enfatizou que a essa altura a Economia Circular é um instrumento para melhoria da competitividade das empresas. “A mudança na matriz energética foi significativa, essencial, com a geração de energia 100% a partir de fontes renováveis. Temos lei de sacolas plásticas que, do meu ponto de vista, faz o consumidor ter noção do impacto. Ainda há muito trabalho” avaliou.

Também integraram os debates, Silvia Vargas, líder do Grupo de Economia Circular do Ministério do Meio Ambiente da Colômbia, Elizabeth Peralta – ex-chefe do Departamento de Engenharia e Gestão Ambiental da Empresa Pública Municipal de serviços de água, esgoto e pluvial da cidade de Mar del Plata, Argentina.

Na conclusão, destaque para a frase “Economia circular é organizar a economia e os negócios de forma a gerenciar a economia ao mesmo tempo que diminuímos o desperdício de matéria-prima”, de Jyri Katainen, presidente do Fundo Finlandês de Inovação Sitra.

Caminho necessário: transição da economia linear para circular traz muitas vantagens

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A transição da economia linear para a circular é um tema cada vez mais presente e necessário no cenário nacional e mundial. O tema foi tratado em encontro virtual nesta terça-feira (22/9), promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), e realizado pelo Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema).

Na América do Sul, a economia linear (extrair, processar, transformar, descartar) é predominante, na contramão da circular, tendência em diversos países europeus, que começa a ser implementada no Brasil e, especialmente, em São Paulo. Entre os benefícios, o uso racional dos recursos naturais, menor custo na fabricação, mudanças no design, avaliado desde o início do ciclo de vida do produto, reinserção na produção de um bem cuja vida útil findou, entre outros fatores abordados. “É o mais inteligente, o melhor para a sociedade, o meio ambiente e o nosso planeta”, enfatizou Eduardo San Martin, presidente do Cosema, na abertura do encontro. Em sua avaliação, economia circular não é apenas fazer a reciclagem, é um conjunto de processos, e será questão legal e comercial, com barreira futura na Comunidade Europeia (CE), e impacto na exportação de produtos. “Os países vão exigir essas práticas. Muitas empresas, que contam com suas matrizes na CE,  já tem o conceito incorporado”, frisou o presidente do Cosema, que lembrou que há tempos a economia circular é debatida e incentivada pela Fiesp, pelo Ciesp e pelo Senai-SP.

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Eduardo San Martin, presidente do Cosema da Fiesp, pontuou a importância da economia circular para o Brasil e o mundo e os impactos ambientais e comerciais. Fotos: Karim Kahn

“O que é a economia circular?”, questionou Rosemary Zamataro, uma das debatedoras, e integrante do Cosema: “Trata-se do desenvolvimento sustentável, uma época de reinvenção, de inovação. É o tempo da ‘virada’ e de pensar em novos paradigmas, ter novas percepções de produtos, pois o sistema linear desperdiça muito material rico”.

Ao se atentar ao fluxo contínuo, haverá aproveitamento máximo dos valores técnicos e biológicos, de insumos e subprodutos, a ampliação do ciclo de vida com a redução dos resíduos, sempre com foco na melhoria contínua e na conservação dos recursos naturais, explicou a especialista. “É um momento para se criar um novo ecossistema, ao se pensar na preservação e restauração de produtos com tecnologias inovadoras. Ser eficiente nessa cadeia de valores e proporcionar o crescimento social e ambiental que esperamos. Hoje é uma necessidade, pois promove a interação dos setores ao trazer enriquecimento com novos empregos e valores”, afirmou.

Como explicou, todos os resíduos devem ser evitados para que ocorra a sinergia com a biosfera, com o resgate de materiais e geração de novos modelos de negócios, menor agressão ao meio ambiente e regeneração e conservação da natureza. Assim, o resíduo se transformará em matéria-prima para outro produto, o design terá como foco a durabilidade do produto, sua longevidade, e serão pensadas novas estratégias com uso mínimo de água e energia.

Cases de sucesso da indústria

Na sequência dos debates, houve a apresentação de cases de indústrias instaladas no Estado de São Paulo. O resíduo plástico chama a atenção pelo seu impacto: uso, volume de resíduos e descarte inadequado, e a economia circular oferece nova oportunidade de negócios. Por isso, inovação é fundamental. A observação foi feita por Fabiana Quiroga, da Brasken, diretora de Economia Circular para a América do Sul, ao observar que as principais questões ambientais globais são mudança climática, poluição do ar e gestão de resíduos.

“A economia circular é uma jornada e todos devem ser engajados, desde o início, com o oferecimento de matérias-primas renováveis, design do produto, produção mais eficiente, estímulo ao uso consciente por parte do consumidor e descarte adequado, passando pela coleta, o que envolve infraestrutura e apoio às cooperativas, além de educação, consumo consciente e valorização do reciclado”, esclareceu Quiroga.

A Brasken está no começo da cadeia produtiva, produz matéria-prima, inclusive renovável (à base de cana de açúcar, 200 mil toneladas/ano) e é a maior produtora de biopolímeros do mundo, segundo esclareceu a convidada. A empresa faz o design de suas próprias embalagens (big bag e sacarias) e reduziu a área de impressão a fim de facilitar a reciclagem. Além do mais, foi repensada a gestão de processos internos, com a minimização de impactos: 26% da água utilizada é de reúso, adoção programa pellet zero, ampliação da matriz renovável de energia solar e eólica, com menor emissão de CO2, menor geração de efluentes, que se somam às diversas ações educacionais estabelecidas, e atenção aos seus ecoindicadores.

Ao trabalhar com matéria-prima especialmente para a cadeia do plástico, Quiroga observou que o resíduo se transforma em resina a ser oferecida aos clientes e retorna ao ciclo produtivo. Em termos de reciclagem química, transforma resíduo em matéria-prima: o que é nafta fóssil vira nafta originada do resíduo.

Há a preocupação com o desenvolvimento de mercado e tecnologias para a reciclagem mecânica e química e, para isso, a Brasken conta com parceria com o Senai e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para o desenvolvimento da reciclagem química com foco na qualidade, ou seja, melhorar odor, cor, propriedades do reciclado para ampliar a sua utilização. “Existe a percepção que o reciclado é barato e de baixa qualidade. O que não é verdade”, rebateu, citando o estudo de plástico que utiliza resina sem restrição, por exemplo, para contato com alimentos. “Estamos no caminho certo e sem volta”, concluiu a diretora de economia circular da Brasken para toda a América do Sul, Fabiana Quiroga.

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Fabiana Quiroga, da Brasken, apresentou as possibilidades existentes na reciclagem química e mecânica, além das ações educativas e também em gestão de processos

Juliana Marra, gerente de assuntos institucionais da Unilever – empresa global e detentora de grandes marcas, e presente no Brasil há mais de 90 anos – apresentou o plano de sustentabilidade da empresa, o que inclui reduzir até 2030 a pegada ambiental (gases de efeito estufa, utilização de água e geração de resíduos) pela metade, da produção e uso dos produtos à medida que o negócio cresce. “A Unilever foi pioneira global da agenda do plástico: na definição do papel de plásticos na economia circular, em infraestrutura de reciclagem”, afirmou. Entre os objetivos, está a redução do uso do plástico virgem pela metade (mais 100 mil toneladas de redução absoluta); aproveitamento de 100% de embalagens de plástico reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis, além de coletar e processar mais do que se vende, o que inclui parcerias e investimento para coleta e processamento de resíduos e compra e uso de plástico reciclado. Para esse projeto, conta-se com a parceria do programa Dê a mão para o futuro, com a Abihpec, Abipla e Abimapi.

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Juliana Marra, gerente de assuntos institucionais da Unilever, destaca que a economia circular é ponto central para a empresa

“O Consumidor desenvolve hábitos, um driver importante para a economia circular”, observou Marcelo Gandur, gerente de sustentabilidade da 3M do Brasil, empresa presente global presente também no Brasil. Ele tratou da atenção corporativa ao desenvolvimento sustentável e aos 12 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Gandur apresentou cases do reaproveitamento do protetor auricular – com a reciclagem química do produto utilizado e sua volta à cadeia produtiva – e da esponja de limpeza doméstica, cuja reciclagem se realiza em parceria com a TerraCycle por meio de um programa pós-consumo e o apoio de 6.500 brigadistas. A esponja usada se converte em outros materiais e, desde 2014, já foram recicladas quase 2 milhões de esponjas.

“O estudo do ciclo de vida de um produto é um desafio na economia circular”, apontou Gandur, enfatizando a capacidade de inovação e de parcerias na cadeia de valor, cooperação entre redes (com muitas oportunidades para as micro e pequenas empresas) e incentivo a novos modelos de negócios. Mas é preciso atenção quanto a alguns quesitos direcionadores: questão regulatória, legislação, viabilidade econômica, logística reversa, além de programas educacionais. O presidente do Cosema, Eduardo San Martin, reforçou a necessidade de se rever a bitributação –  uma bandeira defendida pela Fiesp e pelo Ciesp – que incide sobre os reciclados, nas discussões da Reforma Tributária, pois encare o material em relação à matéria-prima virgem.

Já a diretora da Fundação Hermann Hering, Amelia Malheiros, apontou que o setor têxtil brasileiro é uma das cadeias mais completas do mundo, compreendendo grande cadeia de varejo e moda, além de enormes desafios. “O uso da roupa é ad eternum e é preciso pensar no aproveitamento dela, o modo como lavamos, utilizando menos água, por exemplo. Malheiros observou o desenvolvimento de outros produtos com uso da nanotecnologia e os impactos nos hábitos do consumidor.

Senai-SP e o incentivo à economia circular

Ricardo Terra, diretor regional do Senai-SP, reforçou as ações efetivadas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial quanto à economia circular. Em junho de 2019, a entidade participou do 3º Fórum Mundial de Economia Circular. “Com conceitos consolidados, era preciso dar escalonamento e observar também o poder do consumidor impactar os modelos de negócios, disse Terra.

O Senai-SP oferece curso gratuito sobre economia circular, em EAD, e mais de 64 mil pessoas no Brasil e no exterior já o realizaram. Além do mais, o tema integra, de forma transversal, os cursos técnicos e de extensão, a fim de proporcionar base conceitual. “No último trimestre deste ano, será lançado curso MBA sobre economia circular, em parceria com a finlandesa Sitra. Além do mais, são realizadas jornadas de economia circular, uma caravana em todo o Estado de São Paulo, por meio do Ciesp, oferecendo cursos e serviços em apoio às empresas. O conceito será levado também às escolas públicas para que tenham acesso a esse curso gratuito e compreensão sobre o importante conceito, destacou Terra.

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Ricardo Terra apresentou ações do Senai-SP que incluem a oferta de curso sobre economia circular, o breve lançamento de MBA e a participação da indústria paulista no Fórum Mundial de Economia Circular, no próximo dia 30/9

De acordo com o diretor regional do Senai-SP, o reaproveitamento é ferramenta fundamental para se interromper gradativamente a economia linear para que o modelo de negócios caminhe mais intensamente para a circular, com o devido impacto no design e desenvolvimento de novos produtos. Outro tema tratado diz respeito aos fundos oferecidos em apoio às micro e pequenas para esta transformação, pois elas têm realidade diferente das grandes empresas. “O trabalho da economia circular é de toda a sociedade brasileira: micro, pequena, média, grandes empresas e educadores. Em termos de políticas públicas, a Fiesp tem nos colocado em Fóruns e debates nacionais e internacionais”. Além do mais, o Senai-SP faz parte da comissão que representa a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na International Organization for Standardization (ISO), portanto, em todo o processo de regulação internacional da economia circular”, informou. Em sua conclusão, Ricardo Terra indicou o app Senai empresas, um aplicativo gratuito, canal de comunicação com o Senai-SP.

A indústria paulista – como representante do Fundo Finlandês de Inovação (Sitra), na América do Sul – iria realizar o Fórum de Economia Circular regional, adiado em função da pandemia, mas a Fiesp, o Ciesp e o Senai-SP integrarão, de forma paralela, o Fórum Mundial da Economia Circular, que será realizado na próxima terça-feira, 30/9, em formato on-line. Nesse dia também será lançado o livro Design e Economia Circular com experiências globais bem sucedidas. (Editora Senai-SP). Você pode saber mais sobre este Fórum e se inscrever neste link.

O encontro paralelo fará parte do segundo dia de atividades do World Circular Economy Forum Online (WCEFonline), evento organizado pelo Sitra, que reúne os principais pensadores e executores da economia circular de todo o mundo.

Fiesp fecha parceria com fundo finlandês e irá sediar o Fórum Sul-Americano de Economia Circular, em 2020

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

A economia circular defende a criação de processos saudáveis e circulares na cadeia produtiva e de consumo. Trata-se de uma proposta de mudança em todo o mercado, do design dos produtos até nossa relação com as matérias-primas e os resíduos. Contrapondo-se ao processo produtivo linear, o circular prioriza o lixo transformado em insumos. Para provar que é possível ter uma indústria com uma produção consciente e engajar a sociedade no conceito de sustentabilidade, a Fiesp está preparada para realizar a primeira edição do Fórum Sul-Americano de Economia Circular, que será realizada em dia 31 de março de 2020.

Na última quinta-feira (28/11), a Fiesp e o Senai-SP apresentaram as diretrizes do novo Fórum que será uma seção do evento mais importante sobre o tema, o World Circular Economy Forum. O encontro global já teve três edições e, no próximo ano, acontecerá no Canadá.

Eduardo San Martin, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, chamou atenção para o necessário engajamento da sociedade brasileira a fim de cobrar mudanças nos princípios de produção utilizados massivamente, que são os da economia linear, representados pela seguinte pirâmide: obtenção da matéria-prima, produção e descarte. A economia circular elimina resíduos de produção, mantendo o ciclo de uso dos bens e serviços, regenerando sistemas produtivos.

“Precisamos desenvolver materiais seguros, compostáveis. Os bens e serviços de hoje serão os bens e serviços do futuro. O dono desse movimento é o cidadão, o ser humano que quer garantir o futuro dos filhos, assegurar uma vida melhor para eles”, pontuou San Martin.

O líder sênior de Economia Circular e Desenvolvimento de Negócios do SITRA, Jyri Arponen, assegurou que a agência finlandesa irá executar o Fórum Sul-Americano de Economia Circular em parceria com a Fiesp e o Senai-SP. “Economia Circular não é só uma questão de salvar o meio ambiente. A ideia de organizar o evento em São Paulo, na Fiesp, é excelente. Só assim vamos vencer o desafio que é o de estabelecer processos robustos de produção pensando em tudo desde o início”, observou o finlandês.

As palavras do especialista finlandês provam que o entendimento de sustentabilidade precisa vir antes da criação de produtos e serviços. A ideia é fazer referência ao funcionamento da natureza, uma coexistência da economia e da sociedade, aplicando-se o conhecimento crescente da inteligência dos sistemas naturais nos produtos, processos e na indústria.

A SITRA é uma agência finlandesa, que atua como um fundo, atrelado ao parlamento finlandês. A entidade é uma das mais importantes aceleradoras de negócios sustentáveis do mundo. É responsável por realizar o World Circular Economy Forum.

Já o diretor titular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, fez importante alerta: “economia Circular é um excelente modelo de negócio. A atividade possibilita que se produza bens e serviços gastando menos e com maior vida útil”, afirmou.

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Jyri Arponen, do SITRA, assegurou que a agência finlandesa irá executar o Fórum Sul-Americano de Economia Circular em parceria com a Fiesp e o Senai-SP. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – Durante o lançamento do Fórum Sul-Americano de Economia Circular, na última quinta-feira (28/11), na Fiesp, o Senai-SP lançou o curso de educação a distância de Economia Circular. Gratuito e online, o curso tem como objetivo apresentar o modelo de produção circular, identificando o sistema econômico vigente e compreendendo as formas de transição nas esferas comportamental, empresarial e político-institucional.

Com 20 horas e dividido em quatro módulos, o curso aborda temas como tecnologias habilitadoras como facilitadoras (Big data, Internet das coisas, IoT, Blockchain e Cloud Computing) e desafios e oportunidades circulares.

O diretor regional do Senai-SP, Ricardo Terra, contou que a equipe do Senai-SP esteve presente ao 3º Fórum Mundial de Economia Circular, na Finlândia. “Conversamos com o presidente Paulo Skaf [da Fiesp e do Senai-SP], que enxergou a necessidade de trazermos para a Fiesp a seção sul-americana do evento mundial. E nós, do Senai-SP, criamos o curso de educação a distância de Economia Circular, fundamentação necessária para as empresas e indústrias paulistas que desejem adequar seus processos”, explicou.

Para se inscrever gratuitamente no curso de educação a distância de Economia Circular, é só acessar o portal: online.sp.senai.br

“Economia verde é um rumo para aumentar o bem-estar e combater a desigualdade”, diz Pavan Sukhdev na Fiesp

Isabela Barros e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Uma economia marrom, não verde. Uma prova de que há muito a ser feito em termos de sustentabilidade e visão de futuro. Um debate desenvolvido no seminário Economia Verde – Uma Visão do Brasil 2030, realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, nesta sexta-feira (23 de novembro). E que teve como convidado, entre outras autoridades, Pavan Sukhdev, líder da Iniciativa de Economia Verde do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e presidente do Conselho da WWF – Fundo Mundial para a Natureza.

“Vivemos numa economia marrom, não verde”, disse Sukhdev. “Precisamos mudar isso agora: a economia verde é um rumo para aumentar o bem-estar dos homens e combater a desigualdade.”

Sukhdev é um defensor do conceito de economia circular, “com qualidade de vida, de forma regenerativa para evitar o desperdício”. “Temos que investir, colaborar com os processos de mudança.”

Para ele, “sem objetivos sociais, não conseguimos atingir os objetivos econômicos”. “Hoje, 40% do espaço da Terra é dedicado a plantações”, afirmou. “Mas essas áreas estão sendo danificadas: temos que aumentar a produtividade, garantir alimento para a população”, disse. “A forma como produziremos alimentos no futuro tem que ser diferente.”

Entre os problemas nesse ponto, o presidente do Conselho da WWF citou a “crise das pequenas fazendas brasileiras, que estão sendo engolidas pelas maiores”.

Outro item destacado com o objetivo de construir um mundo mais sustentável é o desenvolvimento do chamado capital humano. “Precisamos focar nas cidades, no capital humano, nas competências das pessoas.”

Sukhdev lembrou ainda que os novos consumidores, os mais jovens, estão promovendo uma mudança na indústria. “Os hábitos alimentares estão mudando graças ao comportamento dos millennials, que querem conhecer a origem daquilo que compram”, explicou.

Um processo que já está fazendo a “agricultura deixar de ser química e voltar a ser natural”.


Futuro dos negócios

Também convidada do debate, a presidente da Rede Brasil do Pacto Global, Denise Hills, destacou que “negócio que não é sustentável não é um negócio”. “Mesmo que ainda seja rentável hoje”.

Ao defender a sustentabilidade e o equilíbrio ambiental, ela contou que pegou bronquiolite ao visitar a China, país onde, em algumas cidades, a poluição está 45 vezes acima do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Não podemos mais viver como vivemos”, disse. “Quem for mais corajoso que vire o escapamento do carro para dentro e faça essa reflexão.”

Denise lembrou que o Pacto Global é uma das maiores iniciativas em nome da sustentabilidade do mundo. “Temos mais de 800 empresas associadas no Brasil, país que tem a terceira maior participação na iniciativa no mundo”, disse. “É o capital humano que vai nos permitir existir como empresa, o nosso papel é mudar coletivamente.”

Para o presidente da Fibria, de produção de celulose branqueada, Marcelo Castelli, “a sociedade evolui com a união entre governo e sociedade privada”. “Precisamos ter equilíbrio no manejo florestal.”

Presidente da energética EDP no Brasil, Miguel Setas lembrou que a empresa está entre as quatro maiores em energia eólica no mundo.

“É preciso haver senso de urgência”, disse. “Para que não haja aumento na temperatura do planeta, precisaríamos de mais geração com fonte limpa.”

Ele apontou ainda três tendências para o futuro: “descarbonização, descentralização e digitalização, com o advento da indústria 4.0”.

Roberto Waack, da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, foi outro participante do evento. “Vemos a migração de um sentimento de não externalidade para um mundo em que as externalidades positivas serão mais reconhecidas”, disse. “O Brasil é um país onde uso do solo pode trazer mais retorno para o impacto na sustentabilidade global”, afirmou. “Precisamos lutar pelo uso mais esponsável da tecnologia no campo.”.

Médico e pesquisador, Fabio Gandour disse levantar “a bandeira da ciência como negócio”. “A tecnologia tem que substituir átomos por bits”, disse. “Precisamos preservar os átomos.”

Ouça o boletim de áudio dessa notícia:

Na Alemanha

Chefe de Inovação e Novos Negócios da TOTVS, Juliano Seabra reforçou o papel da inovação para a economia verde. “Na Alemanha, entre 15 e 20% das novas empresas têm impacto positivo na economia e no clima.”

Para ele, é preciso unir “empresas, academia, governo e empreendedores” em prol da causa. “O Brasil pode ser uma potência nesse debate, precisamos conduzir essa discussão.”

Sustentabilidade na agenda

Na abertura do seminário Economia Verde – Uma Visão do Brasil 2030, Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp e do Ciesp, destacou que “hoje as pessoas e as corporações incluem em suas agendas a sustentabilidade”.

A valoração ecológica, explicou, incluindo a produção de conhecimento sobre temas como produção de energia e resíduos se torna fator de competitividade, não apenas uma questão de obediência a regulações. A indústria brasileira, especialmente a paulista, hoje tem em sua agenda a questão da sustentabilidade ambiental e econômica, disse Reis, lembrando que há anos isso faz parte das discussões da Fiesp.

Reis fez agradecimento especial a Sukhdev por sua participação como coordenador das discussões.

O evento foi organizado para promover debates sobre uma nova economia, verde, inclusiva e produtiva, que representa oportunidade de negócios e crescimento do Brasil de forma sustentável e arrojada, mediante a força dos recursos naturais do país, da indústria e do setor empresarial como um todo.

Também durante a abertura, Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), chamou de absolutamente oportuno o conceito de economia verde, com baixa geração de carbono, com uso adequado e eficiente de recursos naturais e, muito importante, responsabilidade social. Economia verde, afirmou, “é o passaporte para alcançar os exigentes mercados mundiais”.

Igor Calve, secretário do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, afirmou que ainda há longo caminho a seguir em relação à economia verde, tema frequente nas discussões sobre competitividade – e essencial para o Brasil.

Arnaldo Jardim, deputado federal, destacou o papel de vanguarda da Fiesp na discussão do tema. Há uma rediscussão do papel do Estado brasileiro, lembrou, o que afetará políticas públicas e de desenvolvimento. A legislação ambiental está entre as mais completas e detalhadas do mundo. “Uma boa legislação”, disse, que terá pressão contrária, sobre a qual haverá rediscussão. O seminário, em sua opinião, é oportuno para enriquecer o debate. “Enquanto cuidamos da legislação vigente precisamos mostrar que a conta fecha, que ela não é um peso. É preciso conceituar ativos ambientais.”

Luís Fernando Barreto Junior, presidente da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), disse na abertura do evento que há mais de duas décadas a sociedade brasileira exige a atuação na defesa do meio ambiente. Hoje, afirmou, o Ministério Público caminha na perspectiva da resolução consensual dos conflitos. “O tempo não é aliado na proteção do meio ambiente.” Quanto maior a demora mais os recursos naturais são perdidos, disse. O crescimento sustentável se chama desenvolvimento. “Vemos com muita satisfação a Fiesp fazer o debate da economia verde, da economia circular.” Leva tempo para fazer a implantação, destacou, mas quando estiver completa haverá o suprimento das necessidades da geração presente sem afetar as das gerações futuras.

Fiesp apresenta projeto-piloto de Logística Reversa para setor de embalagens

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Na Câmara Ambiental da Indústria Paulista (Caip), realizada no dia 30/11, debateu-se logística reversa para as embalagens descartadas.  Em termos legais, a Logística Reversa, instituída pela Lei 12.305/2010, Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), trouxe a compulsoriedade para fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de agrotóxicos [seus resíduos e embalagens]; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes [seus resíduos e embalagens]; lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista e produtos eletroeletrônicos e seus componentes. E extensível a produtos comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, desde que considerada a viabilidade técnica e econômica da logística reversa, bem como o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados.

Também foram objeto de debate o Decreto 9177/2017, que diz respeito à isonomia na fiscalização e no cumprimento das obrigações imputadas aos fabricantes, aos importadores, aos distribuidores e aos comerciantes de produtos, seus resíduos e suas embalagens sujeitos à Logística Reversa obrigatória. E, ainda, a Resolução SMA 45/2013, a exigir a comprovação de implementação e operacionalização da logística reversa no Estado de São Paulo, como condicionante à emissão ou renovação da licença de operação.

Apesar de o Brasil contar com 90% de cobertura de coleta de resíduos urbanos, uma taxa de país desenvolvido, somente 3% do total são triados de maneira formalizada, de modo manual, custosa e sem escala. Ou seja, há um mercado da ordem de 97% que não retorna à cadeia produtiva e se traduz em oportunidade.

Por este motivo, encontra-se em desenvolvimento modelagem de logística reversa que considera ação conjunta entre a indústria e os operadores de sistemas de gerenciamento de resíduos sólidos, visando a adequação às regulamentações federal e estadual, com responsabilidade socioambiental. O objetivo é fazer uso de tecnologia, transparência e escala a fim de reduzir o custo sistêmico da logística reversa de embalagens descartadas. A modelagem deste projeto-piloto está sendo conduzido pelo Departamento de Meio Ambiente (DMA) e Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp. Esse projeto contará com um Portal de Economia Circular.

O projeto-piloto está ancorado em nota fiscal de comercialização das embalagens recicláveis que garante a rastreabilidade das embalagens recicláveis. Os dados da comercialização dessas embalagens são encaminhados para uma empresa Certificadora que emite o Certificado de Economia Circular relacionado à quantidade de embalagens recicláveis retornadas ao processo produtivo. Ao atender a legislação paulista, o Projeto-piloto será a base de um Termo de Compromisso que será firmado entre os Sindicatos e Associações do setor de embalagens com a Secretaria de Meio Ambiente e a Cetesb, em meados do primeiro semestre de 2018.

Entre os benefícios, para o governo e a sociedade, obediência à lei, formalização e facilidade para fiscalização centralizada e automática; para a indústria, conformidade legal, menor custo, potencial de ganhos com a redução de custo de matéria-prima reciclada e investimento proporcional às embalagens colocadas no mercado, rastreabilidade e credibilidade e isonomia. O sistema possibilitará inserir na Logística Reversa os fabricantes de outros Estados e ainda importadores, distribuidores e comerciantes.

Entre os expositores, críticas à falta de diferenciação tributária, que onera igualmente a matéria-prima reciclada e a virgem. É preciso determinar a viabilidade técnica da economia circular dos diferentes tipos de embalagem e criar incentivos fiscais, tributários e creditícios.


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Reunião da Câmara Ambiental da Indústria Paulista em 30 de novembro. Foto: Helcio Nagamine/FIesp

Outro projeto em desenvolvimento é o Portal de Economia Circular, cujo objetivo é o de centralizar informações e fornecer um instrumento de fácil consulta à sociedade sobre o tema, além de ser um instrumento de comunicação sobre: empresas recicladoras e de tratamento no Estado de São Paulo; informações sobre os sistemas implementados de Logística Reversa; Bolsa de Resíduos da Fiesp; casos de sucesso, entre outros.

Balanço geral

Outro foco do encontro da Caip foi o balanço das atividades desenvolvidas pelo Departamento de Meio Ambiente (DMA) em 2017, com destaque para as atuações em conformidade ambiental, licenciamento ambiental, negócios sustentáveis, recursos hídricos, compras sustentáveis, economia circular, substâncias químicas e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – agenda aprovada durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em 2015, elencando 17 objetivos – entre social, ambiental, econômica e institucional – com metas para 2030.

Também houve representação na COP23, ocorrida em Bonn, na Alemanha, participação nos debates sobre mudança do clima e qualidade do ar, e ações como integrante da Rede Brasil do Pacto Global.

Outra forte ação foi o lançamento do estudo Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira.

Em 2018, a Fiesp, por intermédio do Departamento do Meio Ambiente, dará continuidade às suas ações técnicas e institucionais visando a promoção do desenvolvimento sustentável, conciliando a competitividade da indústria com a melhoria da qualidade ambiental e do bem-estar social.

Economia circular pode evitar esgotamento de recursos naturais

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil é um país privilegiado em recursos naturais, muitos deles renováveis. Todavia, o uso de forma excessiva desses recursos pelo homem pode levar a um desaparecimento de muitos deles. Um alerta nesse sentido veio, em 2014, de um relatório produzido pela Ellen MacArthur Foundation, apresentado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Por meio do documento, a fundação, uma organização britânica sem fins lucrativos,  chamava a atenção para o modelo econômico baseado na extração-produção-descarte, conhecido como economia linear, que estaria atingindo seu limite físico. E apontou como saída aos países e empresas do mundo todo a substituição pela economia circular, onde o descarte é substituído pelo reaproveitamento.

O conceito de economia circular ainda é pouco difundido no Brasil. “É uma nova forma de olhar as relações entre o mercado, os clientes, os recursos naturais e a sociedade”, diz Diego Iritani, engenheiro ambiental especialista em sustentabilidade e economia circular, além de criador da Upcycle.  A necessidade e vantagens de empresas mudarem para esse modelo, além das oportunidades e desafios, estiveram na pauta do Congresso Egogerma 2017, organizado pela Câmara Brasil-Alemanha por meio de seu Departamento de Meio Ambiente, Energias Renováveis e Eficiência Energética, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) , que neste ano teve como tema principal os Avanços e Desafios da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Mantida a taxa atual de consumo dos elementos químicos da natureza, 19% deles estarão esgotados ao fim dos próximos 50 anos, segundo Christiane Pereira, coordenadora no Brasil do Departamento de Resíduos e Recursos Naturais da TU Braunschweig e do Centro de Pesquisa, Educação e Aplicação em Resíduos Urbanos (Creed). Outra discussão diz respeito a quais recursos são mais recicláveis. De todos os recursos existentes na natureza, apenas oito são responsáveis por 20% do impacto de carbono, 95%, do uso de água e 88%, de ocupação de aterros sanitários. Desses oito recursos, 34% vão para moradia e 33%, para o setor de alimentação, diz Iritani.

Outro relatório, agora da universidade de Harvard, traz um dado interessante que pode ser associado a esse novo modelo de economia.  Ele destaca que as empresas mais inovadoras não focam somente no cliente, focam também nos stakeholders – pessoas ou empresas com interesses na companhia, como fornecedores, universidades, institutos de pesquisa, por exemplo, e que podem ser afetadas, positiva ou negativamente, pelos movimentos da empresa. “Não são apenas os clientes que têm a percepção de valor, muitos stakeholders contribuem para a qualidade de seus produtos”, fala Iritani.

Sair de um mundo linear, onde a empresa olha apenas para seu processo, seus elementos, suas atividades e começar a olhar a cadeia e especialmente o ciclo de vida do produto é um desafio muito grande, avalia Iritani.  “Quando uma empresa desenvolve o design de um produto ela passa a não ficar preocupada somente com a produção olha também para o impacto que o produto terá no meio ambiente”, explica o engenheiro. “A empresa sai da visão de redução de custo para uma visão de geração de valor, passa a olhar para o ecossistema”, completa. Por isso é preciso, diz, que as empresas, o governo e a sociedade olhem para esses desafios.

Desafios

O mesmo relatório da Ellen MacArthur Foundation de 2014 aponta ainda uma oportunidade de trilhões de dólares na economia circular com a geração de empregos, inovação e crescimento econômico, além de permitir a redução do consumo de energia e de resíduos e impactos ambientais. Quantos aos desafios, diz Iritani,o principal não é técnico, não é falta de instrumentos, mas a mudança mental a respeito desse novo conceito. “É enxergarmos essa diferença seja como produtor ou consumidor. A economia circular encontrará muita dificuldade para ser implementada, se não houver interação entre as várias cadeias da economia e principalmente mudança cultural”, avalia Iritani.

A Ciclo Verde é um exemplo de sucesso na implementação da economia circular. Segundo Francisco Cesar Tofanetto, gerente de engenharia e utilidades da Lanxess Brasil, “depende muito da empresa ela acreditar que pode mudar seu cenário”, diz. A Lanxess é uma empresa química global, transcontinental, tem 19 mil colaboradores e mais de 70 plantas no mundo, tem faturamento em torno de 7,7 bilhões de euros e foi consolidada em 2004. Temos produtos de química básica, de performance, , produtos de alta tecnologia para plástico, para borracha, aditivos e resinas, entre outros. Localizada na cidade de Porto Feliz, interior paulista, a empresa entendeu que o ciclo de sua produção tinha de ser sustentável, que nada tem a ver com renovável”, diz Tofanetto. “Entendemos que a sustentabilidade é quando o ciclo do negócio continua”, explica. A sustentabilidade, diz, garante do início ao fim do ciclo emprego, transporte, impostos e aquilo fica circulando sem trazer resíduos.

Congresso Ecogerma avalia avanços e desafios da sustentabilidade

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha realiza anualmente em parceria com a Fiesp o Congresso Ecogerma, além de realizar a entrega do Prêmio von Martius de Sustentabilidade. A edição deste ano do congresso, realizada em 18/10 tratou essencialmente de três temas: economia circular, logística reversa e Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS).

A Alemanha ainda precisa fazer seu dever de casa, afirmou, na abertura do evento, Jens Gust, cônsul-geral adjunto e adido para economia do Consulado Geral da República Federal da Alemanha em São Paulo. Mas o cenário alemão já é bastante promissor: a taxa domiciliar de reciclagem alcança 66%, enquanto na União Europeia é de 44%, e os resíduos de construção têm índice de 90%. Os resíduos orgânicos não podem seguir para aterros para não gerar gases ou infiltração no solo.

De acordo com Gust, a gestão dos resíduos não está em contradição com o desenvolvimento econômico, pois há 270 mil pessoas inseridas na economia circular e faturamento anual de 70 bilhões de euros. Em termos de desafio, a destinação correta de baterias elétricas e hastes e restos de turbinas eólicas, além dos fósforos de terras raras e o combater ao lixo nos oceanos.

Na Alemanha, o nível de conscientização quanto à destinação dos resíduos, bem como a atuação responsável dos indivíduos e do mercado é expressivo. Por isso, pode contar com economia circular e reciclagem eficientes, explicou Gust.

O cônsul deu ênfase à cooperação entre a Alemanha e o Brasil, no âmbito de gerenciamento sustentável de resíduos, com duração de 4 anos, iniciado em maio deste ano. O projeto conta com financiamento do governo federal da Alemanha e dos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades brasileiros, além de parceria com universidades, cujas verbas previstas são de até 5 milhões de euros ou R$ 17 milhões. Espera-se, entre outros resultados, a construção de uma plataforma online para rede de contato de especialistas dos dois países. “Espera-se cativar o interesse do Brasil na área de tecnologia com benefício para todos e a preservação do meio ambiente e do clima”, finalizou o cônsul.

A cidade de São Paulo apresenta taxa de reciclagem de 1% a 3% com a expectativa de alcançar uma meta de 6 a 7%, frisou Mario Hirose, diretor adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA), em comparação com os números apresentados pelo representante da Alemanha. “Não há depósito para os orgânicos e se convive com os lixões. Há muitos desafios a enfrentar, e a Fiesp trabalha na agenda da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS).

Em sua avaliação, é fundamental essa cooperação em termos de pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia, até pelo desafio imposto pela amplitude do território nacional que conta com 365 de sol, “mas não aproveitamos mais [energia solar] por falta de recursos, tecnologia e maior competição do setor público”, disse, pontuando que existem mais de 100 mil indústrias no Estado de São Paulo. “Nós precisamos da Alemanha nas energias renováveis para obter mais eficiência nos setores sucroalcooleiro, biodiesel, biocombustíveis, biomassa, biometano e energia fotovoltaica.”

Em 2015 houve a geração superior a 218 mil toneladas/dia de resíduos sólidos, e uma redução desse montante de apenas 2% no ano passado, segundo afirmou Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Essa redução, que acontece pela primeira vez nos números acompanhados pela entidade, é mais fruto da crise econômica do que da conscientização, em sua avaliação.

Ao tratar dos avanços e desafios da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), Silva Filho frisou que apesar da cobertura em média de 91% do território nacional, quanto à coleta de resíduos sólidos, há disparidades entre as regiões: acima dos 90% no Sul, Sudeste e Centro-Oeste e, no Norte e Nordeste, 80%, por exemplo.

Em 2016, recolheu-se mais de 195 mil toneladas/dia, e a partir daí todo o fluxo de transporte e destinação. Em pesquisa, constatou-se que há coleta seletiva em 69,6% dos municípios brasileiros, o que significa que 30% do total não registra nenhum tipo de inciativa. Em termos de resíduos sólidos, 58,4% seguem para aterros sanitários e 42% para locais inadequados. O dado mais do que negativo é que 34 mil toneladas/dia ainda seguem para os lixões.

O desafio é lidar com esse grande volume, segundo o representante da Abrelpe, uma vez que dos 207 milhões de brasileiros, 85% residem em áreas urbanas, e geraram um volume total de 78,3 milhões de toneladas, em 2016, e uma média de 1,04 kg gerado por dia por pessoa. “O Brasil é um dos cinco maiores geradores de resíduos sólidos urbanos do mundo”, sentenciou.

Além desses resíduos sólidos urbanos é preciso considerar os demais que estão sob gestão municipal – apesar de o município não ser necessariamente o gerador desses volumes – como os resíduos oriundos dos serviços de saúde, construção e demolição, que resultaram o recolhimento de 117 milhões de toneladas, em 2016, que daria para preencher 1.400 estádios do Maracanã do gramado até o seu último anel, segundo exemplificou. E criticou: apesar da PNRS, esse volume ainda vem crescendo e, quanto maior a renda, maior o volume per capita gerado nesta destinação inadequada. “Nenhum município conseguiu erradicar os lixões, apesar da Política Nacional. Em 2016, 3.331 municípios dispunham os resíduos urbanos em locais inadequados e há registro de 2.976 lixões a céu aberto presentes em todos os Estados com impacto na vida de 78 milhões de pessoas, em função da água e do ar contaminados. Se os lixões não forem fechados, teremos, em termos de custo ambiental e de saúde, gastos de R$ 30 bilhões até 2021”, revelou. Por outro lado, para Silva Filho, para cumprir com a PNRS, será necessário investimento da ordem de R$ 10,3 bilhões até 2031, aplicados em sistemas de triagem, compostagem, recuperação de biogás e novos aterros. Ele também criticou o conceito linear de gestão integrada, pois os índices de reciclagem estruturada não evoluem há anos e, em termos nacionais, são reciclados 4% da fração seca e 0,8% da orgânica. Há inexistência de financiamento, pois gasta-se R$ 9,92 por mês/individualmente com os serviços prestados pela prefeitura (varrição, coleta, poda, capina, transbordo, manutenção de parques e feiras livres e destinação final), ou seja, nem meio sanduíche de fast food, conforme apontou.

“O mundo está um passo além do Brasil e já discute além, a economia circular”, sentenciou. Entre os benefícios apontados da gestão adequada, a recuperação de materiais com valor agregado, criação de novos mercados e investimentos, empregos verdes, melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), acesso a financiamentos, cumprimento de acordos internacionais e dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para encerrar, o expositor da Abrelpe questionou como é possível avançar: coibir o descarte e destinação de maneira fácil e barata em todo o país; soluções de acordo com a realidade local; priorizar a proteção do meio ambiente e a saúde dos habitantes; promover o engajamento de todos os atores em função da responsabilidade compartilhada; estruturar sistema de remuneração pelos usuários a fim de viabilizar os avanços da lei.

O exemplo que vem da Alemanha

“O que acontece na Alemanha não é o que acontece na União Europeia”, frisou Christiane Pereira, coordenadora no Brasil do Departamento de Resíduos e Recursos Naturais da TU Braunschweig e do Centro de Pesquisa, Educação e Aplicação em Resíduos Urbanos (CREED). Há um descompasso, e a Alemanha tem estado à frente quando o assunto é gestão de resíduos sólidos.

Na linha do tempo, na década de 1950 existiam quase 50 mil aterros; hoje são apenas 270, e a primeira Lei de Resíduos surgiu em 1972, na Alemanha. Em 2001, ocorreu a proibição de disposição de resíduos in natura e a partir de 2005 todos os resíduos dispostos passaram necessariamente por tratamento, tanto as frações secas como orgânicas, segundo informou a expositora. A lei de Economia Circular chegou em 2012 e, em 2016, a Lei de Recicláveis, em pacote da União Europeia (UE). A meta da UE é de 70% de reciclagem e 5% de aterramento até 2030, mas isto já acontece efetivamente na Alemanha em função da tecnologia disposta e da coleta diferenciada.

Pereira revelou que o mercado de reciclagem envolve 200 mil pessoas, e são 270 mil na economia circular, com catadores de alto nível. A separação diferenciada e detalhada envolve cinco tipos de coleta, por frações, e que se dá de forma escalonada: “não existe coleta diária. A de orgânicos ocorre uma vez por semana. Nas pequenas cidades, uma vez a cada três semanas. É preciso repensar a forma como ocorre a coleta”, avaliou.

Somente Alemanha e Suíça até o momento conseguiram implementar a coleta de orgânicos, mas mesmo assim o índice de rejeitos é da ordem de 8%. A coleta de rejeitos ainda registra de 30% a 40% de orgânicos devido à presença de verdes. Em termos de emissão de gases de efeito estufa (GEE), o índice é de 8% a12% nos aterros.

Segundo o alerta feito por Pereira: “19% dos elementos da tabela periódica estarão esgotados entre 5 e 50 anos, e 27% dos elementos têm taxa de reciclagem inferior a 1%, apontando para a escassez de recursos primários, no futuro. O maior comprometimento ambiental do mundo, fora a emissão de GEE, será a poluição dos oceanos, com a presença de 12,7 milhões toneladas/ano de plásticos, sem contar os microplásticos presentes”, disse.

De acordo com a especialista, os alemães cumprem as regras de separação, porque isto é uma obrigação, mas a população aceita a tecnologia disponível e paga as taxas obrigatórias. O próprio município adquire tecnologia e, se o setor privado não oferece bons resultados, o município assume a responsabilidade e reestatiza a planta. Os alemães separam bem os seus resíduos. A coleta de papéis, bem como a logística reversa de embalagens, fica por conta do setor privado; é um nicho de negócio. Mas, quando o município faz essa coleta, este é remunerado.  “No quesito tecnologia, a Alemanha é grande fornecedora”, sentenciou.

Em sua conclusão, Christiane Pereira frisou que “o que ocorre é insuficiência de conhecimento, de capacitação e não de dinheiro”, referindo-se à situação do Brasil, e deve-se apostar na capacitação continuada, porque este é um mercado aquecido, e no desenvolvimento de subprodutos.

Logística reversa integrada aos negócios

Ao frisar que a logística reversa deveria ser integrada aos negócios e ao sistema produtivo, Paulo Roberto Leite, presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB), debateu a complexidade do sistema. São cinco fases complexas: coleta; consolidação/armazenagem; seleção de destino; reaproveitamento; e redistribuição. O processo macro de LR não é barato, pois envolve transporte e atendimento à legislação que traz obrigação para as partes, inclusive às empresas da cadeia, referindo-se à responsabilidade compartilhada. Há desafios para fabricantes, distribuidores, varejistas, consumidores, importadores, além do Poder Púbico.

Entre os desafios apontados por ele, devem ser previstos mecanismos de reaproveitamento dos produtos retornados e mercado para os reaproveitados, além de se criar uma rede de logística reversa e superar o conflito de interesses entre fabricantes, distribuidores, varejistas e consumidores. Outros pontos referem-se ao incremento da capacidade industrial de tratamento, reforço do ecodesign, mais a implementação de gestão nacional versus regional.

Leite lembrou que é preciso fazer distinção entre resíduo e rejeito e a LR envolve a cadeia direta, a pós-venda e o pós-consumo, frisando que já existem regras setoriais para as embalagens de agrotóxicos; pneus, óleo lubrificante; lâmpadas mercuriais; eletroeletrônicos; pilhas e baterias. Para ele, “se escondem nos aterros industriais verdadeiras fortunas.”

Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2017: projetos da Embrapa Florestas são os vencedores

Os vencedores deste prêmio foram os projetos “Cultivo da Pupunha para produção de palmito como indutor do desenvolvimento do litoral do Paraná” e “Estradas com Araucárias”, nas categorias “Tecnologia” e “Natureza”, respectivamente. O objetivo é reconhecer iniciativas que promovam o desenvolvimento socioeconômico e cultural, alinhadas ao conceito de sustentabilidade.

O primeiro redesenhou a agricultura da região ao introduzir a pupunha, nativa da Amazônia, adaptada na Mata Atlântica em área abandonadas pela agricultura, beneficiando 650 famílias dos municípios de Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Morretes e Paranaguá. O valor bruto da produção saltou de R$ 480.000 em 2000 para R$ 19,5 milhões em 2016.

Já o segundo projeto estimulou, por meio de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), o plantio de araucárias – ameaçada de extinção – nas divisas de propriedades rurais familiares com estradas. O financiamento parte da iniciativa privada a fim de compensar suas emissões de gases de efeito estufa. O projeto atende 68 produtores rurais familiares nos Estados do Paraná e Santa Catarina sob o patrocínio do grupo de transporte e logística DSR. O produtor recebe R$ 1.000 por ano para que plante e cuide de pelo menos 200 araucárias. Já existe uma linha de 100 km de plantio.

Brasil e Suécia debatem na Fiesp mecanismos de cooperação para o desenvolvimento sustentável

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Estado de SP tem obrigatoriedade de reduzir 20% de suas emissões, em todos os setores, até 2020, tendo por ano-base 2005, segundo a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), a fim de atender ao Acordo do Clima. A lembrança desse compromisso foi trazida por Mario Hirose, diretor adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), na abertura de evento, realizado no dia 28 de setembro, entre Brasil e Suécia para debater como acelerar o desenvolvimento sustentável, com foco na geração de bioenergia a partir de biogás, que pode ser obtido de resíduos orgânicos e lodo.

Em 2009, Brasil e Suécia assinaram parceria estratégica de apoio à criação de plataformas colaborativas para a troca de conhecimento e desenvolvimento de projetos conjuntos.

Nosso país tem muito a oferecer quando o tema é desenvolvimento de biocombustíveis avançados a partir do etanol. Por sua vez, a Suécia é case de crescimento sustentável por meio da combinação de diferentes métodos e do desenvolvimento de tecnologia inovadora de ponta. Economia circular. Resíduos tornam-se fonte adicional de receita financeira.

A economia circular traz benefícios a muitos setores da sociedade, como, por exemplo, ao setor de transportes, com o biogás e sua contribuição para a redução da emissão de gases de efeito estufa. Portanto, o objetivo deste encontro é detectar novas áreas nas quais os dois países possam estabelecer cooperação na indústria, no governo e na academia (tripla-hélice).

José Augusto Corrêa, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), pontuou que os dois países têm muito a fazer em conjunto quando o tema é sustentabilidade, especialmente pela tecnologia, de um lado, e pelo fato de o Brasil ter grande incidência de sol em seu território.

Já Cecília Lif, conselheira da Suécia no País, frisou que esta é a sexta vez – VI Semana de Inovação Suécia-Brasil – que se realizam esses ciclos de debates, somando mais de 30 eventos em sete Estados brasileiros em uma parceria que se fortalece cada vez mais. Para ela, o desafio é como criar cidades sustentáveis, dando a devida atenção à agricultura e energia renováveis. “No setor de transporte, até 2030 deverá haver 70% de redução nas emissões”, pontuou. Lig explicou a importância da geração de biogás na Suécia, obtido a partir de plantas de saneamento, com foco na economia circular e na tripla hélice.

Dusan Raicevic, gerente da Vera Park Sustainable Hub, explicou que é possível obter biogás a partir de resíduos orgânicos e lodo, com o manejo correto. “Nosso projeto é apoiado por um conjunto de empresas de gestão de lixo e ONG representada por cientistas ambientais. Pensamos o lixo como recurso e lucro. E temos aproveitado os aterros e a incineração, considerando que o lixo é um conjunto de tudo, um material que está no lugar errado e deve ser reutilizado de modo ideal. Assim, recuperar o que der, minimizar e não gerar resíduo. No futuro, é preciso fazer as coisas de forma diferente”, explicou.

As empresas fazem a separação dos elementos e com o apoio do sistema de logística é possível impulsionar um negócio novo, que resulta em gás veicular, gás líquido, reciclagem de papéis, plásticos e madeira, que era muito usada para o aquecimento e isto foi resolvido, segundo Raicevic. O plástico era uma grande preocupação, pois ele impedia a fermentação de outros materiais a fim de obter o biogás. A solução compartilhada com universidades foi o desenvolvimento de material compostável em duas semanas que substituiu o plástico e vem de 85% de fonte renovável.

São retirados metais pesados, e cinzas de incineração passam a integrar rodovias. As madeiras recicladas são mais apropriadas do que as madeiras virgens para utilização em ambientes internos. Portanto, o que era problema virou recurso, informou o painelista Raicevic. Ele explicou que foi criado parque solar aberto ao público onde antes era aterro, e a energia produzida é deduzida do seu consumo. “O Vera Park é o único da Europa que conseguiu desenvolver a economia circular”, finalizou.

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Encontro realizado na Fiesp entre especialistas da Suécia e do Brasil para discutir desenvolvimento sustentável. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“É preciso tratar do ambiente regulatório no desenvolvimento do biogás”, alertou Marcelo Cupolo, gerente da Associação Brasileira de Biogás e Biometano, mas a legislação estabelecida desde 2012 auxiliou o setor. Segundo explicou, “o potencial brasileiro de biogás – 1,2 bi m3/ano – equivale a uma Itaipu, o que é muito relevante, e nem todos os países têm isto. Aqui, o Sol ajuda muito”. Transformado em biometano, poderia suprir 44% da necessidade de diesel que hoje é importado. Outro benefício apontado pelo expositor é o desenvolvimento da localidade, pois se exige mão de obra qualificada.

Quanto às emissões, Cupolo exemplificou que se o biometano fosse usado no lugar do diesel, alcançaríamos 17% da meta brasileira fixada na COP21 e, em termos de passivo ambiental, a pegada de carbono é negativa. “O biogás da vinhaça representa grande potencial para o País e é possível armazená-lo para atender maior ou menor demanda e contar com geração na base distribuída”, ilustrou.

Quanto à cogeração, o expositor explicou o aumento da eficiência do sistema, praticamente dobrando o desempenho com economia de combustível para produção da mesma carga elétrica e térmica: “teríamos 58% a menos de combustível em cogeração e 50% a menos de emissões”, disse. Os desafios elencados por ele quanto à cogeração: demanda térmica e elétrica simultânea; disponibilidade de rede de gás natural, operação e manutenção especializada e equipamentos disponíveis no mercado brasileiro. Mas é preciso corrigir a oscilação de preço do gás natural, que precisaria ser mais estável a longo prazo, pois hoje é indexado ao petróleo e ao dólar, e garantir o payback dos investidores.

Na avaliação de Cupolo, há grande potencial de produção de biogás e biometano no interior de São Paulo e demanda de consumo na capital, mas isto depende mais de regulação. A vantagem é que se trata de combustível limpo que pode substituir gradualmente os fósseis, reduzindo a emissão de GEE.

A acadêmica Semida Silveira (KTH; Royal Institute of Technology) abriu sua participação solicitando que se pense em um contexto maior para corrigir um erro sistêmico, entendendo resíduo como recurso, mas sem correr o risco de gerar cada vez mais resíduo porque ele é recurso. Deve-se aumentar a eficiência no uso de materiais e de energia, no contexto da economia circular.

“Hoje, há deposição de 1% a 2% dos resíduos de residências em função do marco regulatório de gestão de resíduos na Europa. Cada sueco produz meia tonelada por ano e queremos reduzir isto em 20%. A incineração ainda domina, mas a deposição em aterros sanitários foi proibida em 2005”, contextualizou. Silveira exemplificou que Estocolmo é uma cidade aquecida via incineração de resíduos, mas, por outro lado, o uso de energia é o mesmo desde os anos 1970 porque se aumentou a eficiência.

Como exemplo, ela citou que grande parte do biogás vem de estação de tratamento de água subterrânea que fica em uma ilha. Para não desperdiçar as coletas residenciais, que perdem a capacidade de gerar biogás se começam a fermentar, empresas desenvolveram saquinhos que abrigam os resíduos. Há coleta feita por caminhões e drive in gratuito para deposição de material reciclado.

“O biogás ganhou importância nos últimos 15 anos. Há uma parte significativa dos ônibus que se utilizam do biogás, uma das possibilidades da biomassa. Há uma política integrada, e até 2030 a frota de veículos deve estar livre de combustíveis fósseis”, explicou.

Já o professor Torleif Bramryd (Lund University) frisou que é preciso ter uma visão multidisciplinar sobre o tema. Pode-se aumentar a produção e corrigir problemas como o uso de celulose no processo de extração de biogás a partir de resíduos sólidos e a purificação do odor a partir de uma planta que não permita seu escape para a atmosfera. Diferentes processos precisam de tempos diferentes e abordagens igualmente diversificadas. O sequestro de carbono orgânico em aterros é positivo. “Há terminais de ônibus próximos a plantas de biogás”, completou, “controlando o ambiente anaeróbico podemos extrair nutrientes e reciclá-los, devolvê-los ao sistema”.

Para o professor Michael Johansson (Lund University), um dos grandes desafios é tornar o transporte público mais atraente do que o carro e um mercado igualmente promissor, pois em termos de combustíveis é possível escolher entre 50% ou 100% de biogás, sendo este um pouco mais caro, ou o uso do gás veicular, somatória do gás natural mais o biogás. “Hoje se utiliza mais o biogás do que o gás natural e também há maior oferta de postos de abastecimento, tornando-o um mercado positivo, inclusive em função das políticas locais cada vez mais sustentáveis. Há 50 modelos diferentes de carros que rodam com biogás e quase 20% da frota de ônibus roda com biogás ou gás natural”, pontuou, contextualizando com a necessidade de uma frota livre de energia fóssil e de emissão neutra até 2050.

“Queremos outra estrutura de cidade, o que inclui planejamento urbano, eficiência energética com combustíveis renováveis, ônibus sobre trilhos e uma cidade sem carros”, disse Johansson. Isto envolve visão, mudança de comportamento e entender produtos, como um carro, como serviço, por exemplo.

Antonio Celso de Abreu Junior, subsecretário de Energias Renováveis, afirmou que a maior emissão de gases de efeito estufa (GEE) ainda vem do transporte, e é preponderante o uso de diesel, mas por força de lei o biodiesel entra na composição do combustível na casa dos 8%. O preço determina qual combustível usar em um carro flex, por isto nem sempre o etanol tem a preferência, disse, reforçando que São Paulo produz cerca de 50% do etanol do país. Mas há uma discussão mais ampla sobre a pressão dos preços de energia, com reflexo do uso de térmicas, como está previsto a partir do ano que vem em função da escassez hídrica. “É preciso viabilizar a geração distribuída como a solar e criar políticas diante do fato de São Paulo ser exportador de gás natural”, explicou o subsecretário, citando o decreto n. 958659/2012, referente ao Programa Paulista de Biogás, e à deliberação Arsesp n. 744/2017 a respeito da distribuição de biometano na rede de gás canalizado em São Paulo.

Um exemplo bem-sucedido de cooperação Suécia-Brasil em transportes é o acordo técnico assinado em 2014 entre o Parque Tecnológico Binacional de Itaipu, em Foz do Iguaçu (Paraná), e a Scania, em que essa última doou ao parque um ônibus Scania Euro 6, 100% alimentado com biometano. Esse projeto visa estimular o uso de biometano como combustível veicular.

Silvio Munhoz, diretor da Scania, falou sobre o tema no encontro, com o “Going gas” – ônibus a biogás como uma alternativa para as cidades. Um ônibus movido a biometano já foi encarroçado e vai circular em São Paulo como exemplo de transporte sustentável.

Entrevista: Como incentivar o consumo e produção responsáveis no Brasil

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Por Karen Pegorari Silveira

O Prof. Dr. Weber Amaral, especialista em economia circular da ESALQ-USP, sugere como é possível contribuir com o consumo e produção responsáveis e ajudar a atingir a meta 12 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para ele, o Brasil tem uma grande oportunidade para reduzir perdas no pós-colheita e as empresas uma excelente oportunidade para atrair clientes mais conscientes com uma comunicação transparente.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

O ODS 12 discorre sobre a produção e o consumo responsáveis e incentiva as empresas a adotar práticas sustentáveis e a divulgar suas informações de sustentabilidade. Porém, no Brasil mais de 96% das empresas são de pequeno e médio porte, as quais não têm o hábito de comunicar suas ações neste tema. Em sua opinião, como essas empresas podem comunicar suas práticas em sustentabilidade de forma simples e clara, e qual a importância dessa divulgação para a estratégica do negócio?

Weber Amaral – Hoje com acesso “quase” universal as mídias sociais e canais digitais para comunicação, estas PMEs podem se utilizar destes canais para comunicarem as suas ações, a partir de criação de narrativas claras e voltadas para seus públicos específicos. Negócios que conseguem demonstrar e divulgar estas ações tendem a atrair mais clientes e também serem mais efetivos.

Reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial também é uma importante meta deste ODS, já que cerca de 30% de tudo o que é produzido no mundo é desperdiçado e perdido antes de chegar à mesa do consumidor. Quais ações deram certo em outros países e quais ações são necessárias para que o Brasil colabore com este objetivo?

Weber Amaral – Para que possamos entender melhor este problema de desperdício de alimentos, seria importante contextualiza-lo.

Por exemplo, identificarmos onde estão estas perdas? Em quais elos da cadeia de alimentos? No campo? No transporte do campo até as unidades de armazenamento ou processamento? No transporte do alimento pronto para consumo? Ou na ponta final da cadeia: associado ao comportamento dos consumidores?

As maiores variações de perdas dos alimentos não estão nos números gerais entre os países, mas sim nas porcentagens de perdas dentro de cada elo da cadeia de cada pais. Por exemplo no Brasil, temos uma grande oportunidade para reduzir perdas no pós-colheita, envolvendo a logística do campo para a indústria, onde temos os maiores gargalos.

O Brasil produz em média 387 quilos de resíduos por habitante por ano, quantidade similar à de países de primeiro mundo como Croácia e Hungria por exemplo, mas só destina corretamente pouco mais da metade do que coleta (58%), enquanto esses países trabalham com taxas mínimas de 96%. De acordo com sua experiência o Brasil pode conseguir alcançar a meta 12.5 do ODS, que sugere, até 2030, reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso? Como isso seria possível?

Weber Amaral – O Brasil poderá atingir a meta estabelecida para 2030. A adoção dos fundamentos da Economia Circular pode ser uma excelente estratégia para buscar esta meta, trabalhando no desenho para a circularidade dos produtos, reduzindo as perdas já no desenho dos produtos (prevenção), e em seguida, reduzindo as perdas nos processos de fabricação (redução do volume gerado) e posteriormente reutilizando e reciclando volumes menores que os atuais por ciclo do produto gerado. Porem necessitamos de habilitadores que fortalecem práticas de logística reversa, manufatura, reciclagem e em especial, desenho para circularidade, dentro de um contexto de políticas públicas de suporte e não punitivas.

Como é possível garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável? É papel do setor empresarial, do governo ou da sociedade como um todo? Qual a melhor forma de transmitir informações sobre sustentabilidade e mudar a mentalidade de uma população, e quais iniciativas têm dado certo neste sentido?

Weber Amaral – Precisamos garantir que o tema da mudança dos atuais modelos econômicos lineares e não sustentáveis se tornem “virais”, e “contaminem” o dia a dia das pessoas, dos profissionais, crianças e futuros profissionais. A primeira mudança passa pela mudança de comportamento e da mentalidade. Desta forma todos os setores da sociedade estariam comprometidos com esta transição, com mudanças que afetem os padrões de produção lineares e consumo não consciente.

Ha vários exemplos de melhores práticas em diferentes segmentos da indústria brasileira, em diversas regiões e cidades, sendo que estes processos de mudança vêm ocorrendo deste a Rio 92, e em muitas áreas e segmentos, o Brasil tem papel de liderança em práticas e projetos inovadores, economicamente viáveis e de impacto social e ambientalmente transformadores.


Economia circular e logística reversa: pontos de atenção para a indústria

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Na Semana de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp, a logística reversa como instrumento da economia circular foi tema de debates no dia 7 de junho. A partir da promulgação da Lei Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), os municípios têm de encontrar alternativas para acabar com os lixões, mas 90% deles ainda não possuem condições técnicas e financeiras a fim de cumprir tal determinação.

Já a economia circular é nova tendência mundial, que objetiva dar destinação adequada a resíduos ou elaborar produtos visando à destinação adequada. Adotada em vários países da Europa e dos Estados Unidos, está sendo implementada também no Brasil.

Para o vice-presidente da Fiesp e diretor de seu Departamento de Meio Ambiente, Nelson Pereira dos Reis, “o setor industrial está gradualmente se estruturando para enfrentar esse enorme desafio que implica uma mudança estrutural dos sistemas de produção até então vigentes para enfrentar esse novo ciclo da chamada economia circular. Certamente toda mudança dessa natureza requer aprendizado e tempo para correção e adaptação apara alcançar os resultados esperados”, disse, ao abrir os trabalhos.

Humberto Barbato, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), disse que para contribuir com a Logística Reversa do setor foi criada a Green Electron, atendendo à legislação e destinação ambientalmente correta. A iniciativa já conta com a adesão de Apple, Asus, Epson. Embraco, Flextronics, Motorola, Dell, HP, Lenovo, Positivo, Samsung,

De acordo com Barbato, foi dado início ao projeto piloto descart green, que servirá de base para assinatura de Termos de Compromisso estaduais e do Acordo Setorial Federal. Essa iniciativa prevê a instalação de 16 pontos de recebimento em diversos locais, em parceria com associações, entidades, escolas e comércio, no auxílio à capilaridade necessária ao setor.

O debate se completou com a apresentação de Fabrício Soler (Felsberg Advogados), lembrando que a economia circular consiste em ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis. Para Soler, é preciso assegurar que todos os signatários também cumpram os acordos setoriais, assegurar o envolvimento de todos os agentes da cadeia – fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos – e consolidar as normas, inclusive com a participação do consumidor, que também terá participação financeira nesse processo. Para ele, é essencial estabelecer incentivos fiscais e, nesse sentido, a questão fiscal precisa ser superada. A responsabilidade compartilhada encontra-se na Lei n. 12.305, a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Marcelo Souza fez a apresentação de case das Indústrias Fox – Reciclagem e Proteção ao Clima, que dá destinação a aparelhos de refrigeração. Explicou como se trata o gás existente na geladeira e a destinação dada para a lã de vidro (passa a compor peças de dry wall) e ao plástico e, segundo ele, plástico deve ser avaliado como commodity, mas também ser compreendido como produto beneficiado com valor agregado. A Fox já vende, inclusive, crédito de carbono fora do Brasil.

A Plataforma Verde foi apresentada por Chicko Sousa (Greening Sustainable Solutions), que enfatizou que o resíduo deve ser entendido como caso de saúde pública e de logística. E explicou a complexidade de toda a cadeia envolvida, bem como o software que foi desenvolvido como ferramenta auxiliar. Depois de ser realizado um cadastro, define-se com quem se trocam informações e quais são os entes com os quais se irá relacionar. “Trata-se da primeira rede mundial de blockchain [sistema garantidor de segurança nas operações realizadas com criptmoedas] para gerenciamento de dados e com dados factíveis”, afirmou Sousa.

João Carlos Basílio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) apresentou o programa Dê a mão para o futuro e seu sistema de indicadores online e frisou que “trata-se de uma fase de repensar a embalagem na economia circular”.

A logística reversa foi exemplificada por Carlos Ohde, diretor da Sinctronics, que conquistou este ano o 1º lugar do Prêmio de Mérito Ambiental na categoria grande porte com o projeto Extração de matéria-prima a partir de produtos pós-consumo: tecnologia e inovação a serviço do meio ambiente. Para ele, é preciso equacionar um ecossistema alicerçado em produção, consumo, legislação. “Faz parte da empresa transformar resíduos em novo produto”, finalizou.

Também integraram o debate Flávio Miranda, da Cetesb, e tratando da gestão de eletroeletrônicos, João Carlos Redondo (Green Eletron/Abinee).

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Semana do Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp teve painel sobre a logística reversa como instrumento da economia circular. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Logística reversa e economia circular são debatidas na Fiesp

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O consumidor é um dos elos essenciais na logística reversa, com responsabilidade compartilhada, para que o produto, aparentemente sem utilidade após o fim do seu ciclo de vida, seja descartado de modo adequado sem danos ao meio ambiente, ou para que retorne a novo ciclo produtivo. A disposição correta de resíduos é um problema crucial para todas as cidades e especialmente os grandes centros urbanos.

Por isso, a Fiesp realizou, em 5 de abril, debate sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instrumento legal que estabelece o conjunto de ações destinadas a viabilizar a coleta e também a restituição dos produtos ao setor empresarial após o seu uso.

João Carlos Basile, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), e à frente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIPHEC), disse que esse setor está bem envolvido com a logística reversa e tem programa efetivo há anos.

O que é, afinal, economia circular? Segundo Fabricio Soler (Felsberg Advogados), a economia circular consiste em ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis.

Soler chamou a atenção para a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. A responsabilidade compartilhada encontra-se na Lei n. 12.305, a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

“Quando se fala em recolhimento do produto e destinação final é logística reversa (LR) e não há limites. Pela lei não são todos os produtos sujeitos à LR, mas quando se fala em economia circular, não há limite de produtos”, refletiu Soler.

São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:

I – agrotóxicos, seus resíduos e embalagens – já possui regulamento;

II – pilhas e baterias – já possui regulamento;

III – pneus – já possui regulamento;

IV – óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens – já possui Acordo Setorial;

V – lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista – possui Acordo Setorial assinado em 2014;

VI – produtos eletroeletrônicos e seus componentes – Acordo setorial em negociação;

VII – Medicamentos – em negociação.

Os sistemas são implementados e operacionalizados por:

Acordos Setoriais;

Regulamentos expedidos pelo Poder Público; e

Termos de Compromisso.

Há previsão legal quanto à melhoria da embalagem, que deve ser fabricada com material que propicie sua reutilização ou  reciclagem. É responsável pelo atendimento dessa obrigação todo aquele que:

manufatura embalagens ou fornece materiais para a fabricação de embalagens;

coloca em circulação embalagens, materiais para a fabricação de embalagens ou produtos embalados, em qualquer fase da cadeia de comércio.

Soler explicou que toda lâmpada tem inclusos 41 centavos destinados à logística reversa. Quando importada, é necessário aderir ao sistema e obter um carimbo do Inmetro que confirma a concordância do fabricante ao sistema brasileiro.

Especificamente sobre a logística reversa das embalagens, contidas na fração seca dos resíduos sólidos urbanos ou equiparáveis, Soler detalhou a obrigatoriedade em relação ao papel e papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e embalagem cartonada longa vida.

A fase 1 de implantação do Sistema de logística reversa irá se encerrar em novembro de 2017 e envolverá 438 cooperativas e 645 PEVs. O objetivo central é melhorar a estrutura das cooperativas e basicamente implantar pontos de entrega voluntários. A fase 2 deverá ser definida a partir de ensinamentos, desafios, obstáculos e resultados da fase 1.

Entre as metas, viabilizar o retorno de 3.815 toneladas/dia. Isso envolverá a criação de um sistema estruturante e promover a redução de, no mínimo, 22% das embalagens dispostas em aterro até 2018.

O secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Gilberto Natalini, que participou do evento, frisou que é preciso mudar a maneira como se produz e se consome. Pelo inventário de emissão de gases de efeito estufa (GEE) do município, a descarga de frotas – caminhões, ônibus e veículos – lidera. Em segundo lugar, o lixo.

“Em São Paulo, não temos lixões, temos dois aterros. Um deles está desativado, o Bandeirantes. O outro, o São João, em Sapopemba, tem vida útil de dez anos. Há outro alugado, em Caieiras. E temos um prazo para resolver isto, a destinação do que se produz e se consome”, enfatizou, lembrando a produção de 17 mil toneladas/dia de resíduos. “Esses dois aterros têm usinas elétricas, de queima de gás metano, o que diminui o impacto de GEE e ainda abastece 600 mil pessoas”, concluiu, afirmando que São Paulo faz uma separação de lixo ainda “pequena”.

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Debate na Fiesp sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Logística reversa na prática

Na continuidade do encontro, Daniela Lerário (TriCiclos) tratou de gestão de recursos, pontos limpos e PEVS. A TriCiclos é uma Empresa B Certificada que busca compreender e solucionar as questões ligadas ao comportamento de consumo e gestão dos resíduos por meio da aplicação dos conceitos de economia circular. “Queremos demonstrar o impacto ambiental de cidadãos, empresa e poder público na comunidade e ajudar a construir um caminho para o consumo mais responsável. Se designers pensarem melhor, não haverá lixo”, afirmou.

A empresa, que tem base no Chile, está atuando no Brasil há dois anos e meio. Mas, o que é empresa B? Uma empresa que tem compromisso real com o triple bottom line (tripé econômico, social e ambiental), em seu estatuto, e que é certificada. No total, já são 2.200 empresas certificadas. No Brasil, são quatro.

Lerário lembrou que são produzidas 17 mil toneladas/dia de resíduos em São Paulo, o que significa 1,1 quilo/dia por pessoa. Nesse contexto, é preciso tentar circular produtos, processos, informações e oportunidades com os resíduos. A TriCiclos foi a única empresa sul-americana parceira na elaboração do relatório The News Plastic Economy, estratégia de transição para a nova economia para os plásticos, lançada em janeiro no World Economic Forum – WEF, em Davos. “Em 2050 haverá uma tonelada de peixes para uma de plástico, hoje essa proporção está em 4 para 1”, alertou a expositora.

Na gestão de PEVs, o olhar é de rastreabilidade em função do trabalho com cooperativas de catadores como prestadores de serviço, tendo como foco sua formalização e o empoderamento da mulher, maioria nas cooperativas. O saldo é de parceria com 60 cooperativas e uma rede que envolve mais de 120, somando mais de mil cooperados. Com 167 pontos em operação em 14 Estados brasileiros, tem impacto em mais de 1,7 milhão de pessoas.

“Com o conhecimento obtido nos PEVS, é possível conversar com importadores, fabricantes e indústria sobre design. Por exemplo, uma cor pode inviabilizar a reciclagem”, disse, explicando que o objetivo da economia circular aplicada é reinserir esses materiais em cadeias já existentes. Com a instalação de PEVs de 5 e 20 bocas, há não somente uma pré-triagem, mas uma pessoa no local para orientações. No ponto, há prensa e balança, ou seja, o material sai de lá já separado (plástico transparente e colorido) e enfardado, segundo detalhou Daniela Lerário, da TriCiclos.

A geração total de resíduos sólidos urbanos, no Brasil, chegou a 79,9 milhões de toneladas, em 2015, e foram coletados 72,5 milhões de toneladas. A geração total de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos, em 2014, foi de aproximadamente 1,4 milhão de tonelada, de acordo com números apresentados por Ronaldo Stabile, da Recicladora Urbana, neste debate. Menos de 3% são reciclados, nesse balanço, geração per capita de 7 quilos habitante/ano de resíduo eletroeletrônico, com impacto ambiental, social e de saúde pública. “E isso vem se acumulando ano a ano”, disse.

E há riscos com o descarte indevido. “Quando o celular ou o notebook estão íntegros, não há risco, mas quando o descarte é irregular, torna-se altamente nocivo pelo fato de a pessoa não saber manipular esses materiais”, alertou. De cada tonelada que entra na empresa, 30% são aproveitados, 25% para transformação em equipamento de reúso e o restante, 100% de matéria-prima, explicou o palestrante.

Para encerrar, Stabile alertou para o desmonte de aparelhos de TV com tubo – em função do desligamento do sinal analógico. É preciso descarte correto, pois o tubo, altamente poluente, contém no tubo pó fosfórico, que é cancerígeno.

Outro exemplo apresentado vem da Tetrapak. Sua representante, no evento, Juliana Seidel, lembra que no DNA da empresa sueca está a disponibilidade de alimentos de forma segura. A embalagem cartonada atende ao ciclo de vida até o consumo final para depois ser reincorporada no processo produtivo como matéria-prima. A embalagem, composta por até 75% de recursos naturais renováveis – papel, polietileno de cana-de-açúcar, mais alumínio – está em consonância com a economia circular e reduz a pegada de carbono.

Economia circular e desafios para o setor empresarial

Para Luísa Santiago, da Fundação Ellen MacArthur, há uma combinação de riscos e oportunidades para o desenvolvimento socioeconômico com impacto nos sistemas vivos, e é preciso evitar perdas expressivas. “Gerar nova forma de economia. A gente joga dinheiro fora. No setor de bens de consumo não-duráveis, representando valor de 3,2 trilhões de euros, 84% dos materiais que entram no sistema linear são jogados ou incinerados anualmente na Europa. Ou seja, 2,7 trilhões de euros perdidos como resíduos em aterros, em função de falhas no sistema linear”, exemplificou.

Em termos de mobilidade, 92% do tempo os veículos estão parados e, quando andam, rodam com uma pessoa e meia dentro, quando poderiam ter cinco. Há ainda os custos de acidentes, mortes, impactos na saúde, no mercado de trabalho, prejuízos emocionais, segundo apontou.

Em função da crescente urbanização, faz-se necessária a aceitação de novos modelos de negócios inovadores com o suporte dos avanços tecnológicos. A economia circular elimina a noção de resíduo desde o seu início. Santiago frisou que 30% dos resíduos, nos aterros europeus, são de demolição, da construção civil e suas perdas. No Brasil, esse índice chega a 50%.

Outro exemplo, “os escritórios estão desocupados 40% a 50% do tempo no horário de trabalho. Há mais casas vazias do que desabrigados na Europa, tem algo errado nessa conta. E ainda 100 milhões de toneladas de alimentos são perdidos, na Europa, anualmente; 50% dos alimentos que rodam as cadeias globais produtivas se perdem por ineficiência nos processos; 97% desses resíduos globais são, na verdade, nutrientes que poderiam recompor o capital natural, mas vão para os aterros, representando US$ 300 bilhões de dólares e geram externalidade negativa com a emissão de metano e a degradação do solo.

Em sua avaliação, há muitas perdas estruturais. Até 2030, segundo o Banco Mundial, 3 bilhões de pessoas passarão a ter padrões de consumo de classe média e haverá, portanto, muita pressão sobre os recursos naturais.

Para encerrar, Luísa Santiago apresentou cases: da Philips vendendo luz como serviço; Renault com a remanufatura nos automotivos; Nat. Genius com a manufatura reversa de bens de linha branca.

A última participação foi de Flávio Ribeiro, da Cetesb, que tratou do respeito dos termos de compromisso da logística reversa: hoje há 14 em andamento, 7 já renovados e vários em negociação. Ele lembrou que existem três cadeias produtivas enormes em São Paulo – cana, laranja e boi – e predisposição à circularidade, pois é raro esses resíduos seguirem para aterros. “A cana-de-açúcar responde por 25% da energia consumida pelo Estado – em forma de gás natural, gasolina, diesel etc. –  e ocupa 12% da extensão territorial com o seu plantio”, afirmou.

Portanto, a “logística reversa é aspecto fundamental de transição para a economia circular. É preciso considerar o papel dos fluxos materiais no sistema de economia circular; os estímulos da responsabilidade estendida ao produto; criação de ambiente regulatório; e criação de oportunidade de negócios”, pontos destacados pelo expositor.

Ribeiro criticou a destinação: quando muito, há gerenciamento, apesar dos planos municipais de resíduos, que somam mais de 400 no Estado. “Mas e a redução? E a reciclagem?”, questionou. E chamou à responsabilidade das prefeituras porque elas respondem pelo resíduo.

Há preocupação também quanto ao acesso à segurança de fornecimento de materiais. No eletroeletrônico, 90% das reservas mundiais de alguns dos componentes imprescindíveis estão na China. “O risco ao negócio se ela virar e falar ‘não vendo mais’… Para mim, esse é um dos motivadores da economia circular na Europa, o acesso à matéria-prima”, avaliou.

No Brasil, os resíduos têm o pior destino possível, o aterro, segundo Ribeiro. Em 2015, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), “20% do que se gera não se coleta, e do que se coleta só 58% seguem para aterros e nem sempre dos melhores. Um desperdício.  Mais de 1/3 das prefeituras não tem nenhum tipo de coleta seletiva. Os resíduos sólidos urbanos não podem ser esquecidos na economia circular”, enfatizou, e criticou o fato de haver incidência tributária sobre resíduos.

Quem paga a conta da logística reversa?, questionou o expositor. Para ele, é preciso aumentar a eficiência no uso de recursos e no ecodesign. Em São Paulo, cerca de R$ 20 bilhões por ano são destinados a programas de contratação de compras públicas sustentáveis, que abrangem merenda escolar, duplicação de rodovias, o papel que o governo usa em seu gabinete. “Há decreto nesse sentido desde a Rio+20, até 2020 há obrigação de que 20% das compras totais sejam adquiridas com critérios sustentáveis. Hoje esse índice encontra-se em 8%”, afirmou.

Para finalizar, Ribeiro alertou que será aberta a consulta pública para revisão de Política Estadual de Resíduos Sólidos, uma oportunidade para discutir mudanças legislativas que contemplem a economia circular.


Apresentações – Seminário Logística reversa – Economia Circular e Empresa B

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Acesse as apresentações realizadas no Seminário Logística reversa – Economia Circular e Empresa B, realizado dia 05 de abril aqui na Fiesp.


Acordos Setoriais e Sistemas de Logística Reversa

Fabricio Soler – Felsberg Advogados


Economia Circular & Setor Empresarial – A visão da Tetra Pak

Juliana Seidel – Tetra Pak


Gestão de Recursos, Pontos Limpos e PEVs

Daniela Lerário – TriCiclos


 Impacto Social, Negócios e Empresas B

Ronaldo Stabile – Recicladora Urbana


Logística Reversa e Economia Circular

Flávio Ribeiro – CETESB

 

Câmara Ambiental da Indústria Paulista – reunião 14/07/2016


Confira as apresentações realizadas na 3ª Reunião da Câmara Ambiental da Indústria Paulista (CAIP) 2016 que ocorreu no dia 14 de julho.


Apresentação da empresa Embraco (fabricante de compressores herméticos para refrigeração) sobre caso prático de implementação da Economia Circular no Brasil.


Decisão de Diretoria da Cetesb nº Nº 120/2016/C,  que define “Procedimentos para o licenciamento ambiental de estabelecimentos envolvidos no sistema de logística reversa, para a dispensa do CADRI e para o gerenciamento dos resíduos de equipamentos eletroeletrônicos pós-consumo”.


Confira a reportagem sobre a reunião aqui.


Case da Embraco demonstra novo modelo de negócio com economia circular

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Economia Circular tem em sua arquitetura um ciclo de desenvolvimento contínuo com o objetivo de preservar e aprimorar o capital natural, otimizar a produção de recursos e minimizar os riscos sistêmicos, contando com a administração de estoques finitos e fluxos renováveis.

Compatível com esta definição, a Embraco (fabricante de compressores herméticos para refrigeração) apresentou case de implementação de economia circular no Brasil durante encontro da Câmara Ambiental da Indústria Paulista (Caip), nesta quinta-feira (14/7), na Fiesp.

A empresa tem em uma das suas frentes a economia circular, que se soma ao desenvolvimento de tecnologia relacionada à internet das coisas, gestão de energia, reciclagem e preservação de alimentos, explicou Luiz Ricardo Berezowski, ao tratar do Net.Genius, unidade de negócios da qual é gerente sênior. Criada há 4 anos, compreende a natureza como um gênio que nada desperdiça, tudo recicla, tudo aproveita.

O objetivo é garantir a criação de valor crescente e sustentável, além de racionalizar o uso de recursos naturais que são finitos. A Embraco é global, mas iniciou essa experiência no Brasil em função do mercado consumidor relevante, ecossistema industrial integrado e legislação forte. A economia circular é compreendida como pilar do desenvolvimento econômico sustentável, de acordo com Berezowski, que revelou a expectativa de 20% de crescimento em 2016, apesar da crise, dessa unidade de negócio do grupo. Para ele, é expressivo o trabalho realizado com a própria indústria, B2B.

O diretor adjunto do Departamento de Meio Ambiente, Mario Hirose, lembrou a evolução da economia linear para a circular e a importância do ecodesign.

Trata-se de uma mudança de modelo de negócio, afirmou a gerente de Meio Ambiente, Anícia Pio, usando como exemplo a locação de equipamentos e não mais sua venda, como o de filtros de água.

Berezowski concordou que a questão é compartilhar e não mais ter simplesmente. No caso da internet das coisas, com impacto direto em modelos de negócio, será possível saber quando um equipamento vai falhar e por qual motivo. “Quanto mais um produto durar, mais eu consigo locar”, afirmou, sinalizando para a preservação dos recursos naturais.

Entre outros temas debatidos ainda na Caip, a Decisão de Diretoria da Cetesb nº Nº 120/2016 que define procedimentos para o licenciamento ambiental de estabelecimentos envolvidos no sistema de logística reversa, dispensa do Cadri e gerenciamento dos resíduos de equipamentos eletroeletrônicos pós-consumo. Outro assunto tratado foi o Decreto Estadual nº 59.113/2013, que estabelece os novos padrões de qualidade do ar e trata da elaboração do Plano de Redução de Emissão de Fontes Estacionárias (Prefe).

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Reunião da Câmara Ambiental da Indústria Paulista com apresentação da Embraco. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Economia circular em destaque na 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp

Amanda Viana e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp 

A economia circular no contexto de sustentabilidade, com o reaproveitamento de matérias-primas e o consumo responsável, foi o tema abordado no painel da tarde desta terça-feira (07/06), primeiro dia de apresentações da 18ª Semana do Meio Ambiente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) das entidades, afirmou que enxerga nos debates sobre o tema uma maneira nobre de introduzir o conceito na sociedade, não tratando os resíduos sólidos, por exemplo, como lixo, mas sim como insumos que a serem inseridos na cadeia produtiva.

“Há muitos anos a Fiesp tem essa preocupação com os resíduos sólidos, promovendo debates sobre como isso pode ser minimizado”, disse Reis. “Também buscamos interligar vários setores produtivos”.

Segundo Reis, a Fiesp e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) firmaram uma parceria que tem como objetivo desenvolver ações, projetos, produtos, serviços e gestão de resíduos sólidos no Estado de São Paulo.

A assinatura do protocolo de intenções nesse sentido foi feita por Nelson Pereira dos Reis e Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe e vice-presidente da The International Solid Waste Association (ISWA). “Estamos aprendendo como desenvolver, ampliar e implantar ações práticas dentro dos marcos regulatórios que foram criados”, explicou Reis. Já para Silva Filho, o tema é desafiador e inovador no Brasil.

O palestrante explicou que a geração de resíduos sólidos é mais elevada em áreas já desenvolvidas, ou seja, quanto mais gente e mais desenvolvimento, mais resíduos são gerados. De acordo com ele, em 2011 existiam no mundo 7 bilhões de habitantes, com uma geração de 1,3 bilhão de toneladas por ano de resíduos sólidos. A previsão é que para 2050 existam 10 bilhões de habitantes, com geração de 4 bilhões de toneladas anuais de resíduos sólidos. “Este tema deixa de ser exclusivo do meio ambiente e passa a ser um assunto de sobrevivência”, afirmou.

Só uma pequena parte

Conforme Silva Filho, apenas uma pequena parcela dos resíduos retorna como matéria-prima ou insumo. “Precisamos encaminhar um processo de mudança que valorize a reutilização e a reciclagem, seja na forma de matéria-prima ou energia, por exemplo”, explicou. “Esse é o modelo que recentemente passou a ser denominado de economia circular, buscando minimizar as ineficiências e maximizar as oportunidades”.

Nessa linha, o que se pretende com o modelo de economia circular é: mudança de padrão de produção, consumo e descarte, modelo econômico baseado no ganha-ganha, economia de bilhões para a indústria, criação de centenas de milhares de empregos, redução das emissões de carbono e outros gases de efeito estufa.

Segundo ele, para que esse conceito possa ser implementado, é preciso levar em consideração algumas interferências e complexidades. “Cerca de 70% de todos os resíduos não são reciclados ou têm destinação inadequada. E 40% do que é gerado sequer é coletado”, informou.

Também participaram do paine Fabricio Dorado Soler, do Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade do escritório Felsberg Advogados, Chicko Sousa, da Greening Sustainable Solutions e Flavio de Miranda Ribeiro, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Ernani Nunes, diretor de Novos Negócios da Embraco, apresentou um caso prático de implementação da economia circular na empresa Nat. Genius.

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O painel sobre economia circular: reflexões sobre o melhor aproveitamento dos recursos. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Lá em Israel

Encerrando os debates dessa terça-feira (07/06), no painel “Caminhos para o Futuro – Inovação Tecnológica”, o cônsul para Assuntos Econômicos de Israel em São Paulo, Boaz Albaranes, citou soluções variadas desenvolvidas em seu país no que se refere ao melhor uso dos recursos naturais.

É o caso da água. Segundo Albaranes, em Israel “não tem água, mas também não falta”. “Temos tecnologia para a agricultura, economizamos água”, explicou.

Na agricultura israelense, por exemplo, o reuso chega a 80%. “As nossas fábricas, por exemplo, usam e tratam a água de novo”, diz ele. “O uso de novas águas é baixo, reutilizamos várias vezes”.

A prática da dessalinização, ou seja, o tratamento da água salgada, é outra opção muito usada. “Temos 600 milhões de metros cúbicos por ano de água dessa forma”, disse.

Albaranes citou ainda a chamada “Watergen”, solução para desumidificar o ar e assim obter água. “Esse é um recurso muito usado na Índia também”, explicou.

Segundo o cônsul, Israel está à disposição para compartilhar experiências com os empresários brasileiros. “É mais difícil avançar quando se está sozinho”.

A 18ª Semana do Meio Ambiente segue até a próxima quinta-feira (09/06). Para conferir a programação completa, só clicar aqui.


Apresentação – Economia Circular: Uma Mudança no modelo econômico tradicional

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Confira abaixo as apresentações realizadas durante o evento Economia Circular – Uma Mudança no modelo econômico tradicional que ocorreu na Fiesp no dia 07/06/2016.

Palestrantes:

“Rumo à Economia Circular – passos iniciais e desafios”

Carlos R. V. Silva, Vice-presidente da The International Solid Waste Association – ISWA e Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)

Apresentação


Chicko Souza, Greening Sustainable Solutions

Apresentação


Fabricio Dorado Soler, Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade do escritório Felsberg Advogados

Apresentação


Engº Flávio de Miranda Ribeiro, Assistente executivo da vice-presidência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – Cetesb


Economia Circular no Brasil – Caso Prático 


”EMBRACO – Case Nat.Genius: oportunidades e desafios”.

Ernani Nunes, Diretor de novos negócios da Embraco

Apresentação


CAMINHOS PARA O FUTURO – INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Luis Namura, Presidente da Vitae Brasil | Solum Ambiental – VORAX

Apresentação


Verena Greco, Engenheira de vendas da Sunew

Apresentação


Boaz Albaranes, Cônsul para Assuntos Econômicos em São Paulo – Novas tecnologias em Israel

Apresentação


Acesse a matéria sobre o evento. Clique aqui

Economia circular ajuda a pensar em novo processo produtivo

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp 

Foram necessários 750 anos para dobrar a população planetária, e hoje esse fenômeno ocorre em 45 anos. Com esse alerta, Guilherme Brammer, CEO da WiseWaste, participou do último encontro do Conselho de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, dia 24, debatendo a importância da economia circular aplicada à Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS).

“Hoje, 51% da população vive nas áreas urbanas, em 2025, esse número se elevará a 70%”, alertou, tratando do adensamento populacional que traz a reboque consumo excessivo de produtos industrializados versus expressiva produção de resíduos. Brammer apresentou contabilidade curiosa e ao mesmo tempo preocupante: em 75 anos de existência um ser humano consome 13 mil ovos, 5 mil maçãs, 4 cabeças de gado e 1.200 frangos. Consome 3.800 fraldas, toma 7.163 banhos, usa 272 desodorantes, consome 533 livros, roda 728 mil km de carro, passa 8 anos em frente à TV e produz 40 toneladas de lixo.

Em sua avaliação, a economia linear gera resíduos e ilhas de lixo, onde os pássaros têm se alimentado e mais de 30 mil pessoas vivem delas. E esse é um ponto de atenção. O Brasil é grande importador de lixo de países que não têm mais espaço para seu gerenciamento, e o que entra nem sempre é material para ser reciclado: “não é incomum o Brasil, a exemplo de países em desenvolvimento, receber contêineres com lixo eletrônico ou tóxico, como o hospitalar”, advertiu.

Brammer revelou que se contabilizam R$ 8 bilhões perdidos em aterros sanitários, valor que se eleva a três trilhões de euros mundialmente, ou seja, joga-se dinheiro no lixo, um desperdício no sentido literal.

A diferença entre a economia linear e a circular é que, na primeira, a natureza leva milhões de anos para gerar recursos naturais, e o homem transforma-os em matéria-prima e em produtos que são embalados, vendidos, consumidos e descartados, cujo design foi feito para uma vida única. Na economia circular, o que é considerado rejeito é alimento para o próximo sistema, com uma logística de reaproveitamento, inclusive da embalagem, para que ela não perca valor.

A economia circular auxilia a pensar em um novo processo produtivo. É no momento de crise que a economia circular ganha força, ao se aproveitar mais os processos e despertar a criatividade e a inovação, segundo Brammer, ao pontuar a atual crise atravessada pelo Brasil, inclusive no setor produtivo. Para ele, a indústria vive da matéria-prima, e sem a reciclagem não haverá material no mercado.

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Reunião do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema). Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Cases de sucesso

Como exemplos, Brammer citou o Pró-Lata, projeto desenvolvido com a Associação Brasileira de Fabricantes de Aço (Afeaço) e Fabricantes de Tinta (Abrafati), mais a Gerdau, e com o apoio tecnológico de uma plataforma online. Com o objetivo de adquirir sucata de aço de cooperativas de catadores para a siderurgia, os benefícios apontados são duas vezes mais renda para os envolvidos na separação e o reaproveitamento de mais de 500 mil quilos de material. Essa ação se soma à capacitação de mais de 50 cooperativas em todo o país, que deverá se elevar para mais de 100 em 2016.

Outro exemplo vem da Natura que, por meio de pesquisa e desenvolvimento, solucionou a criação de uma embalagem de três camadas incompatíveis – nylon, poliéster e polietileno -, transformada na marca Sou, lançada em 2013. Tratou-se de um projeto de co-criação.

Mais uma solução criativa foi alcançada pela, Tang com projeto social voltado às crianças, cujo desafio era transformar embalagens de refresco em pó, cujas estruturas são complexas, em instrumentos musicais. Com foco em cem escolas públicas do país, sem salas e aulas de música, o projeto contou com a ajuda acadêmica do maestro João Carlos Martins (da Bachiana Filarmônica SESI-SP). O maestro escreveu cursos de música para crianças 2 a 12 de anos, e o professor pode fazer o download da plataforma.

A WiseWaste desenvolveu tecnicamente a resina presente nesse tipo de embalagem, o que resultou em 12 tipos de instrumentos musicais, tais como tamborins, surdos, caixas e flautas doces, impactando 100 mil crianças. O saldo foi de 15 mil instrumentos, hoje atrelados à tradicional marca Contemporânea e que devem começar a ser exportados. “O propósito não era fazer um brinquedo, mas sim um produto que retornasse à sociedade com valor agregado”, disse o CEO da empresa.

Para ele, há a inversão do modelo de inovação, o desenvolvimento tem como base o design thinking. “Não temos a solução correta, o importante é encontrar oportunidades. É importante repensar a forma de se fazer um produto e repensar o design, inclusive, para que a embalagem não perca valor depois. Fazer menos se tornar mais”, concluiu.

Questionando pelos participantes sobre a extensão de vida de um produto, Brammer lembrou que é possível transformar o produto em serviço, como ocorre hoje com o aluguel de filtros de água, ganhando-se na receita via assinatura, caso da Brastemp. Outro exemplo é a BMW, que passou a alugar carros e não somente a vendê-los. Nos Estados Unidos, há a Interface, com serviço de aluguel de carpete; o novo é feito com 99% do antigo. Seu faturamento alcança a casa dos US$ 2 bilhões.

Adote um cientista

Outro programa em andamento é o programa adote um cientista, em parceria com a Universidade Mackenzie.“Há muito valor dentro das universidades para se aplicar a um projeto real que tem finalidade para a sociedade”, enfatizou o expositor. Dessa parceria, uma solução que caminha para uma patente diz respeito à reciclagem de fralda descartável suja, com utilização de raio gama para sua esterilização e uma reciclagem mecânica pós-uso a fim de reaproveitar o polímero existente. Ao lembrar que é possível pensar a propriedade intelectual por outro viés, Guilherme Brammer frisou a importância da patente compartilhada, com a qual todos saem ganhando, aluno, professor, a universidade e a empresa envolvida.

O foco da WiseWaste é o desenvolvimento de produtos, utilizando resíduos como matéria-prima, com apoio da pesquisa para reaproveitamento de materiais que ainda não têm o seu processo de reciclagem conhecido.