Campanha contra o Câncer Bucal é realizada em frente ao edifício-sede Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet

Pouco se fala, mas o câncer bucal – que acomete os lábios e o interior da cavidade oral – está entre os de maior incidência no Brasil . É o sexto tipo de câncer mais comum entre os homens e o oitavo, entre as mulheres.

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A modelo Caroline Bittencourt, madrinha da campanha, mostra os cinco passos para o autoexame

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), todos os anos, no Brasil, 11 mil novos casos da doença são registrados e, desses cerca 4 mil estão no Estado de São Paulo. Outro dado desalentador é que o câncer bucal ainda possui alta mortalidade (80%) no país devido ao diagnóstico tardio.

Na manhã desta segunda-feira (17/03), um grupo de cirurgiões-dentistas recrutados pela Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (ABCD) prestou atendimento gratuito à população para exames de detecção precoce de câncer bucal, encaminhando os casos identificados para tratamento na rede pública.

A ação foi realizada em um consultório odontológico móvel estacionado em frente ao edifício-sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

Foram distribuídos kit de higiene bucal às pessoas atendidas, além de folhetos explicativos dando dicas de prevenção da doença e orientação de como fazer o autoexame. Mais informações podem ser obtidas no site do Conselho Regional de Odontologia: www.crosp.org.br.

Apoio à campanha

A iniciativa conta com o apoio da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório (Abimo) que faz parte do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) e Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Fiesp. Também apoiam a campanha a Associação Paulista de Cirurgião-Dentistas (APCD), Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), entre outras entidades.

A ação educativa e de utilidade pública faz parte da “Campanha Nacional Contra o Câncer de Boca ‘Sorria para si mesmo’” promovida pelo Instituto Conexão Saúde, com apoio do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Nos cartazes da campanha, a modelo Caroline Bittencourt, madrinha da campanha, mostrando os cinco passos para o autoexame.

Outros artistas que apoia a causa são as atrizes Regina Duarte, Maria Fernanda Cândido, o ator Dalton Vigh, o cantor Daniel e a dupla Chitãozinho & Xororó.

Fiesp promove seminário sobre desoneração da cadeia produtiva da saúde

Agência Indusnet Fiesp

No Brasil a carga tributária dos produtos para saúde (como medicamentos e dispositivos médicos) é de cerca de 34%, chegando a representar um terço do valor do produto.

A situação é bem diferente da de outros países como Colômbia, México, Venezuela, Suécia, Canadá, EUA e Reino Unido, em que o imposto sobre tais produtos é zero.

Para debater o tema, o Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria e da Saúde (BioBrasil/Comsaude) da Fiesp realizará na próxima segunda-feira (17/2), o Seminário Desoneração da Cadeia Produtiva da Saúde, na sede da Fiesp da entidade.

O evento, que reuniráautoridades e especialistas da saúde, contará com a apresentação da Proposta de Emeda Constitucional (PEC) 301/2013, que retira os impostos dos medicamentos de uso humano, e da Emenda do deputado Antonio Brito que isenta os insumos e produtos para saúde.

Para o coordenador do BioBrasil/Comsaude, Ruy Baumer, se aprovada, a PEC pode fortalecer a produção e comercialização no Brasil, além de por fim à guerra fiscal entre os Estados, que cobram hoje impostos diferenciados.

“O governo brasileiro, já vem promovendo uma desoneração tributária, pois reconhece a necessidade de reduzir impostos de vários setores estratégicos. Chegou a hora de desonerar os medicamentos e dispositivos médicos, que são fundamentais para a economia e geração de empregos, e essenciais para a saúde”, afirma Baumer.

Confira a programação:

15h –  Credenciamento e Wellcome coffee

15h30 –  Abertura do Seminário e Boas vindas

15h45 – Desoneração para o setor Saúde – Deputado Federal– Dr. Francisco Chagas

16h15 –  A tributação na Cadeia produtiva da Saúde – Visão das Entidades do setor saúde SINDUSFARMA e SINAEMO

17h00 – Perguntas e respostas



Retrospectiva 2013 – Luta por isonomia tributária para o setor de saúde continuará em 2014

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil)  e do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ruy Baumer, reforçou durante todo o ano a necessidade de isonomia tributária e de um novo marco regulatório para o setor da saúde.

Segundo Baumer, esse problema é um dos fatores que afetam a competitividade da área. “Falta isonomia tributária ao nosso setor. O resultado disso é que existe hoje uma competição desleal entre empresas estrangeiras e nacionais, com prejuízo ao setor nacional”, disse Baumer, durante a abertura da Feira Hospitalar, em maio.

Na mesma ocasião, o coordenador explicou que, sem isonomia tributária, os produtos nacionais comprados por hospitais públicos, que representam 95% dos hospitais no país, sofrem com cobranças excessivas e desleais de tributos, enquanto o produto importado está isento de tributação.

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Baumer: “Existe hoje uma competição desleal com as empresas estrangeiras”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Com imunidade tributária para produtos estrangeiros, há perda de competitividade. Nossa principal luta é conquistar essa isonomia. Do contrário, a indústria de tecnologia médica brasileira vai sumir”, alertou.

Ele ainda defendeu durante a abertura da feira um tratamento justo para a indústria da saúde. “As instituições filantrópicas e sem fins lucrativos são imunes ao imposto. E um fabricante nacional, para fornecer para o mesmo hospital, paga todos os tributos”, observou. “Nós deixamos claro que não queremos que seja cobrado imposto de nenhum hospital. O que queremos é que fornecimento, internacional ou nacional, tenha o mesmo critério”.

Além dessa frente, o Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) participou de importantes eventos ligados ao setor, reunindo nomes importantes em nome da melhoria das condições da cadeia.

Visita da comitiva de Brabant

No mês de abril, o Comsaude recebeu a visita de uma comitiva formada por autoridades e empresários holandeses. O objetivo da visita foi atrair empresas de grande, médio e pequeno porte para investir especificamente em Brabant, região ao sul dos Países Baixos que concentra importantes centros de pesquisa e desenvolvimento do setor.

“As empresas brasileiras tornam-se cada dia mais globais. Queremos fazer parte desse crescimento e atrair investimentos para a Holanda”, disse o secretário para economia e assuntos internacionais do governo da província holandesa de Brabant, Bert Pauli.

Profarma III e Inova Med

Também em abril, ao menos 200 representantes do empresariado e do governo brasileiro se reuniram na Fiesp para lançar programas de saúde e assinar acordos voltados para o desenvolvimento e inovação do setor.

Na ocasião, foram lançados o Profarma III e o Inova Med, pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A reunião contou com participações de Paulo Skaf, presidente da Fiesp e Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo.

Visita do ministro da Saúde

Em reunião na Fiesp em abril, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou um pacote de medidas que visa impulsionar a indústria brasileira no setor da saúde.

Entre outros pontos, o pacote firmou oito parcerias entre laboratórios públicos e privados para produção nacional de medicamentos e equipamentos.

Comitiva britânica

Acompanhado por uma comitiva de empresários do setor de saúde, o ministro britânico Kenneth Clark foi recebido em maio por empresários na sede da Fiesp.

Durante reunião, autoridades e empresários falaram sobre possíveis parcerias comerciais entre Brasil e Reino Unido.

“Buscamos oportunidades no mercado e parcerias com empresas brasileiras do setor”, disse Clark no início do encontro.

Parceria Senai-SP e GE Healthcare

Em julho, durante cerimônia que celebrou a assinatura de uma parceria entre o Senai-SP e a GE Healthcare, o coordenador-adjunto do Comsaude, Paulo Henrique Fraccaro, ressaltou a importância da criação de uma unidade de ensino voltada para a saúde.

“É muito raro uma empresa entender que precisa formar técnicos para que o investimento que faz dê retorno. E o Senai-SP está abrindo portas para  consolidar o mercado nacional nesse sentido”, opinou.

Para Fraccaro, é preciso discutir “como melhorar e o que fazer para que a saúde brasileira deixe de ser um questionamento recorrente da população”.

Segundo ele, “saúde não é só um gasto”. “Saúde é um negócio que representa 10% do PIB do Brasil e gera mais de 100 mil empregos”, destacou. Ele afirmou ainda que, em 2012, o setor movimentou R$ 14,7 bilhões, sem incluir a área de remédios. “O problema é que a produção nacional só representou 38% desse total”, disse. “Como podemos manter essa dependência de 62% de produtos importados?”, questionou.

Em outubro, Ruy Baumer, assinou, ao lado do desembargador Fernando Miranda, um termo de parceria entre a Fiesp e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Com o acordo, a Fiesp passa a disponibilizar no site oficial um link para a campanha “Doar É Legal”, uma iniciativa do Poder Judiciário. O objetivo é incentivar adesões de possíveis doadores.

Também em outubro,  o Comsaude recebeu a visita de José Carlos de Souza Abrahão, presidente da Confederação Nacional da Saúde (CNS) e da Federação de Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Feherj), e de Yussif Ali Mere Jr., presidente do Sindicato dos Hospitais (Sindhosp) e da Federação dos Hospitais (Fehosp).

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José Carlos de Souza Abrahão (esquerda) foi recebido por Ruy Baumer (segundo à esquerda) do Comsaude/Fiesp. Na foto, Brigadeiro Azevedo, Maria Cristina Sanches Amorim, integrante do Comsaude, e o coordenador adjunto do Bio Brasil, Eduardo Bueno da Fonseca Perillo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Durante o encontro, os dois ressaltaram a importância de um novo marco regulatório para o setor.

Sem isonomia tributária, setor da saúde não crescerá, afirma senadora durante visita à Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A senadora Ana Amélia,  do Rio Grande do Sul, foi recebida nesta sexta-feira (06/12) pelo coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) e do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaúde) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ruy Baumer.

Entre os assuntos discutidos durante o encontro, a necessidade da desoneração tributária para o produto médico-hospitalar brasileiro.

A senadora é uma das congressistas que apoia a criação de um ambiente de isonomia tributária para os produtos médico-hospitalares feitos no Brasil. Atualmente, artigos  importados não pagam tributos quando comprados pelo governo ou por hospitais sem fins lucrativos, enquanto o produto nacional não é isento de tarifas.

No atual modelo, o importado é 19% mais barato que o similar brasileiro.  A proposta da senadora é de também zerar os tributos para o produto nacional, tornando a indústria nacional mais competitiva.

Incentivo ao empreendedor

De acordo com a senadora, o atual modelo é contraditório e estimula o crescimento econômico dos países estrangeiros, ao invés de beneficiar a indústria nacional. A redução da carga tributária estimularia o empreendedor a ampliar a produção, segundo ela.

“Com a desoneração fiscal para o setor, mais empregos seriam gerados e distribuir-se-ia melhor a renda, além de ampliar receita e arrecadação”, afirmou. “Com a carga exagerada, como é a atual, criamos uma atmosfera informal não positiva, estimulando a sonegação e o desvio. Algo bastante nocivo para a economia”, disse a senadora.

Amélia: “Com a desoneração fiscal para o setor, mais empregos seriam gerados e distribuir-se-ia melhor a renda, além de ampliar receita e arrecadação”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Amélia: “Com a desoneração fiscal, mais empregos seriam gerados”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Segundo Amélia, há atualmente um forte trabalho no Senado para atender a “demanda legítima do setor”. “O setor de saúde quer isonomia, quer a igualdade de tratamento”, explicou. “O correto seria que o produto brasileiro também fosse isento de cobranças”, ressaltou.

Segundo a senadora, a atual política desestimula a indústria brasileira, limitando a agregação de valor e a geração de inovação e emprego. “No momento, o governo tem uma resistência gigantesca de fazer qualquer tipo de desoneração, devido a dificuldades financeiras”, concluiu.

Em evento na Fiesp, presidente da APM afirma que existe ‘excesso’ de utilização do Judiciário na área da saúde

Amanda Viana e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Meinão: excesso de utilização do judiciário na área da saúde no Brasil. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Meinão: excesso de utilização do judiciário na área da saúde no Brasil. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

“Se a saúde da população melhora, toda a cadeia produtiva, na sequência, também melhora”. Com essa frase, Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil), deu início ao Fórum de Judicialização na Saúde, realizado nesta terça-feira (15/10), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São (Fiesp e Ciesp).

Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), também falou durante a abertura do evento.

Para Meinão, existe um excesso de utilização do Judiciário na área da saúde. “Esse excesso de utilização pode vir das dificuldades de incorporação de medicamentos ou de tecnologia através das autoridades. Quando os pacientes não conseguem uma solução favorável pelas vias administrativas, acabam recorrendo à justiça”, afirmou.

“É preciso que se encontre uma solução que do ponto de vista administrativo aponte caminhos sem que seja necessário o recurso ao judiciário”, completou.

Impacto no SUS

A palestra “Impacto da Judicialização no Sistema Único de Saúde (SUS)” contou com a participação do promotor de Justiça e chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, Dr. Reynaldo Mapelli Júnior.

Mapelli Júnior: saúde é direito social e dever do estado. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Mapelli Júnior lembrou que a saúde é um direito social e um dever do estado. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O promotor afirmou que a Constituição Brasileira coloca o direito à saúde como um direito social, um dever do estado, assim como o acesso à Justiça é um “direito fundamental de todo cidadão”.

Segundo ele, existem opiniões muito divergentes no que diz respeito ao tema da judicialização. “Alguns acreditam que a única forma da saúde se desenvolver é por meio de ações judiciais e que isso apenas beneficia a população, já que o sistema de saúde apresenta muitas falhas”, disse. “Por outro lado, muitos acreditam que a maioria dessas ações judiciais é de caráter individual, onde se busca direitos particulares e medicamentos, produtos de alto custo, demandados por pessoas que têm melhores condições financeiras, prejudicando o sistema como um todo”.

“Uma parte dessa judicialização certamente decorre das falhas do SUS ou dos planos de saúde. Por exemplo, quando a pessoa não consegue obter determinado tratamento, encontra filas muito longas e medicamentos necessários não são obtidos, ela pode e deve procurar o poder judiciário”, afirmou o promotor.

Comercialização de órteses, próteses e materiais especiais

Em seguida, a presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), doutora Denise Eloi, abordou o cenário de comercialização de órteses e próteses e materiais especiais.

Segundo ela, a cadeia produtiva de saúde tem hoje um desafio, que é buscar soluções que envolvem a matéria da judicialização.

Denise também afirmou que mais transparência das informações é necessária para a sociedade em relação ao sistema de saúde. “As liminares servem para reparar muitos abusos e é bom que elas apareçam sempre com o sentido de promover a qualidade da saúde”, disse. “E não para promover a satisfação de pessoas que têm uma visão do lucro em detrimento da qualidade assistencial”.

A visão do advogado

Costantino Salvatore Morello Jr., presidente da Comissão de Cooperativismo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), abordou a judicialização na visão do advogado.  “A judicialização estabelece um elo entre o estado e o paciente, sendo este o credor do serviço prestado pelo estado. A culpa pela atual situação da saúde não é das operadoras”, afirmou.

“Muitos problemas surgem da falta de investimento do estado, que não cumpre com a sua obrigação. Fato é que o judiciário não faz política pública”, ressaltou.

Morello destacou ainda os investimentos feitos em saúde no Brasil e no exterior.  “Segundo a OMS, o Brasil investe anualmente US$ 411 per capita em saúde, quando a média mundial é de US$ 711. Os Estados Unidos, por exemplo, gastam, por pessoa, cerca de US$ 4 mil dólares – dez vezes mais que aqui”.

Para Morello Jr., faz-se urgente um “pacto em que todos os envolvidos levem nossa saúde a uma condição minimamente digna”.

Fechando a tarde de palestras, o tema ‘A Jurisprudência do TJSP sobre Ações de Saúde’ foi debatido pela doutora Maria Gabriella Pavlopoulos Spaolonzi, juíza e assessora da presidência da seção de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Participantes dos debates do fórum nesta terça-feira (15/10), na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Participantes dos debates do fórum nesta terça-feira (15/10), na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Entraves burocráticos dificultam crescimento do número de patentes no Brasil, diz diretor do Butantan

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Das cinco maiores empresas farmacêuticas com atuação no Brasil, três são brasileiras e têm “inovação zero”, de acordo com avaliação de Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan, em São Paulo, durante visita técnica de representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no mês de setembro. As demais, ainda segundo Kalil, lideram um tímido processo de inovação incremental, que é a adaptação do produto ao mercado brasileiro.

Kalil: missão de ampliar a variedade de vacinas e soros produzidos no Butantan. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kalil: missão de ampliar a variedade de vacinas e soros produzidos no Butantan. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O Instituto Butantan é membro do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil), iniciativa da Fiesp que, entre outros objetivos, visa estimular o desenvolvimento de acordos científicos e comerciais em âmbito nacional e internacional e chamar atenção do setor para a pesquisa e inovação, aspectos ainda pouco desenvolvidos.

“Não existe inovação. Existem algumas empresas que tentam fazer alguma coisa experimental”, afirma Kalil. Ele assumiu a diretoria do instituto em 2011 e tem como principal mote de trabalho ampliar a variedade de vacinas e soros.

O Butantan é o maior produtor de vacinas e soros da América Latina. Atualmente, o órgão conta com oito fábricas de vacinas. “Temos aqui desde a pesquisa bem fundamental até a produção industrial”, aponta Kalil.

O diretor do Butantan explica que o Brasil passou de uma posição periférica na ciência e na tecnologia para um “marketing share relativo”. Há 15 anos, a fatia de produção científica no mercado brasileiro era de 0,5% e agora chegou a 2,5%, mas o principal obstáculo para a criação de produtos inovadores e registros de patentes continua sendo a burocracia.

“A burocracia mata. O Brasil cresceu, mas esse crescimento em produção científica ainda não se traduziu em números de patentes porque, no meu entender, existem entraves burocráticos muito grandes”, alerta Kalil.

Já o coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Fiesp, um braço do BioBrasil, Gabriel Tannus, pondera que embora haja avanços, as produções científicas caminham em linhas muitos semelhantes.

“Aparentemente temos muita repetição e pouca novidade. Até agora ninguém se debruçou para fazer esta separação de maneira metódica, mas esta percepção começa a ganhar corpo entre os pesquisadores”, avaliou Tannus.

Mão de obra

Kalil acredita que o principal desafio para a indústria de produtos biológicos virar uma realidade no Brasil é a formação de pessoal capacitado.  Segundo o diretor do Butantan, somente o estado de São Paulo deve receber em até quatro anos mais de cem fábricas de produtos biotecnológicos.

“É fundamental que no trabalho com a indústria se formem quadros de gestão de inovação e pessoal de nível médio e superior para o desenvolvimento na fabricação desses produtos”, afirmou. “Precisamos de um braço produtor de investimento e desenvolvimento, que é a indústria, ou seja, a Fiesp”, disse Kalil.

Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio), uma divisão do BioBrasil, reforçou a declaração de Kalil ao afirmar que o Instituto Butantan pode colaborar com as intenções da Fiesp em estimular inovação no setor por meio de formação profissional.

Giacomazzi, à direita, e Coelho, do Senai-SP, à esquerda: ações em nome da inovação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Giacomazzi, à direita, e Coelho, do Senai-SP, à esquerda: ações pela inovação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“A gente é um país que inova muito pouco e a indústria ainda carece de muitos elementos: não só recursos financeiros; é a cultura da inovação. O Butantan é membro do comitê e tem muito a contribuir no sentido de buscarmos, juntos,  soluções. A contribuição dele é na formação de gente”, afirmou Giacomazzi.

Outro participante da visita técnica ao Butantan foi o gestor do Departamento de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Carlos Alberto Pereira Coelho.

Futuro da medicina envolve medicamentos de combinação de DNA, diz presidente do grupo Farma Brasil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A atuação do BioBrasil na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) para a criação de um centro especializado na área lança bases para a construção de uma indústria de biotecnologia que deve projetar o Brasil para o mercado global de biofármacos. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (16/09), por Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo Farma Brasil.

Ele participou do 1º Workshop da Bioindústria, uma iniciativa do BioBrasil e do Senai-SP que reuniu nesta manhã representantes da indústria farmacêutica nacional e internacional.

“O resultado dessa reunião vai ser o melhor possível. O fato de a Fiesp e do Senai-SP estarem preparando as bases para que o Brasil efetivamente tenha uma indústria de biotecnologia capaz de atender o país e o mundo inteiro com padrões de classe mundial será um marco na história da indústria brasileira”, afirmou Arcuri, presidente do grupo que reúne os principais laboratórios do país.

Segundo o executivo, o futuro da medicina envolve medicamentos de combinação de DNA, ou seja, os biofármacos, os quais devem combater doenças variadas. “O Brasil ainda não produz em escala industrial esse tipo de medicamento, mas já demonstrou que é capaz de fazer isso através do programa de imunização da população brasileira com vacinas que é um dos mais bem sucedidos no mundo”, afirmou.

O presidente do Grupo Farma Brasil avaliou, no entanto, que o principal desafio para instalação efetiva da bioindústria no país é a capacitação técnica dos profissionais que estarão envolvidos não apenas com pesquisa e inovação, mas, sobretudo, com os técnicos que vão operar os processos de produção dos medicamentos.

“Você está trabalhando com a produção de determinadas proteínas ou enzimas a partir de células vivas, então é algo de outro patamar na produção”, alertou Arcuri.

Identificando competências

Ao liderar os debates do 1º Workshop da Bioindústria, Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do BioBrasil e diretor do Comitê de Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) na Fiesp, afirmou que a prioridade agora é mapear as competências do setor de biotecnologia nos diversos institutos que atuam no Brasil. Um deles é o Instituto Butantan, em São Paulo, reconhecido mundialmente pelo desenvolvimento de vacinas e soros.

“Encontramos competência no Butantan? Vamos verificá-la e assim por diante com outros institutos. Se a gente conseguir identificar essa base instalada, o Senai-SP tem toda condição de entrar com sua competência para formação de profissionais”, afirmou Giacomazzi.

Com o objetivo de estimular a competitividade do setor, o Senai-SP  e o BioBrasil assinara em julho um protocolo de intenções para a construção do Centro Senai-SP de Biotecnologia.

Também presente no workshop, o assessor do diretor do Butantan, Ivo Loyola, sinalizou interesse do instituto em contribuir para a formação de profissionais para trabalharem na bioindústria.

“A formação de mão de obra é urgente”, disse Loyola. “Podemos ter algumas coisas que facilitem a implantação dessa escola”.

Comitê de biotecnologia vai ajudar a coordenar ações em São Paulo, afirma coordenador do BioBrasil

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Ruy Baumer: 'Queremos, como comitê, ser um participante importante na biotecnologia do Brasil'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Organizar a cadeia produtiva de biotecnologia no estado de São Paulo. Este é um dos objetivos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao criar um comitê para cuidar do tema, o Combio, de acordo com Ruy Baumer, coordenador titular do Comitê da Cadeias Produtiva da Bioindústria (BioBrasil), ao qual o Combio está vinculado.

Segundo Baumer, que coordena ainda o Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaúde), o Combio tem questões específicas para tratar mas atua de modo integrado ao Comsaúde. “A maioria das áreas de inovação, pesquisa e desenvolvimento, fontes de financiamento, demandas e centros de pesquisa [de biotecnologia] é muito parecida ou exatamente a mesma da área da saúde”, explica.

Leia os principais trechos da entrevista com o coordenador do BioBrasil.

Por que a Fiesp criou o Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia?

Ruy Baumer – A Fiesp já contava com o Comsaúde, comitê em que temos a cadeia vertical de todo o setor. Mas a área de biotecnologia engloba outros setores, como o de energia, por exemplo. E o Estado de São Paulo, hoje, não tem nenhuma coordenação de todos os investimentos feitos em biotecnologia.  Então, nós resolvemos criar um comitê para apoiar esta organização.
Por que eles estão estruturados em paralelo e sob a coordenação do BioBrasil?

Ruy Baumer – Os comitês estão separados porque os focos são diferentes. E atuam juntos porque a maioria das áreas de inovação, pesquisa e desenvolvimento, fontes de financiamento, demandas e centros de pesquisa é muito parecida ou exatamente a mesma da área da saúde. Aquilo que é atuação distinta fica em separado; o que é comum fazemos conjuntamente. Para juntar os dois comitês, nós criamos o BioBrasil porque uma indústria pode ser de biotecnologia, mas também pode estar ligada à área de saúde. Nossa ideia é que ele se transforme num departamento, que dentro de seu escopo teria saúde e biotecnologia. Hoje, o BioBrasil é só o guarda-chuva do Comsaúde e do Combio.

De que forma o Combio está atuando com outros departamentos e comitês existentes na Fiesp?

Ruy Baumer – Primeiro, apresentando para os departamentos e comitês existentes o que é o Combio. Todo mundo entendeu que o assunto, que não é o principal tema deles, poderia ser interessante. Então, nós pedimos que eles indicassem pelo menos um participante para participar do comitê, onde nós vamos discutir os assuntos comuns. Todos participam do Combio e atuam naquilo que é demanda comum. O Comsaúde, por exemplo, participa do Combio, com suas demandas relacionadas à biotecnologia: farmacêuticos, produtos médicos, derivados de produtos, pesquisa em laboratórios e convênios que nós estamos fazendo com o exterior na área da saúde.

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Baumer: biotecnologia é um assunto precisa ser desmistificado. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O senhor disse que o setor estava sem coordenação em São Paulo? A participação do Estado nas políticas públicas, em nível nacional, reflete sua relevância?

Ruy Baumer – São Paulo estava sem coordenação nenhuma. As empresas e os centros de pesquisa que atuam no setor estavam tentando encontrar um meio de trabalhar juntos, para poder discutir suas questões. E São Paulo representa mais de 40% dos atores na biotecnologia. Então, nós resolvemos criar um comitê exatamente para ajudar essas entidades, áreas, empresas e setores nas demandas, para poder desenvolver melhor a biotecnologia. Nós precisamos do governo trabalhando junto conosco. Hoje, alguns outros estados estão mais avançados em comunicar seus interesses, embora São Paulo tenha uma atuação mais significativa por conta do dinamismo de suas empresas.

Quais são as metas do BioBrasil?

Ruy Baumer – No Combio, na área de biotecnologia, nossos passos são, primeiramente, organizar o setor no estado de São Paulo, que tem uma participação relevante no país, tanto no desenvolvimento como nas políticas de inovação. Porque ainda tem muita coisa para ser decidida. Ainda tem muita dúvida de como isso é vendido, é negociado. Sempre que se mexe com biotecnologia há algum conflito. Há dúvidas sobre como o assunto será regulado. Tudo tem contato com o ser humano, então, tudo tem regulação. Nós queremos participar para influenciar nessas questões, não só na parte regulatória, mas em temas como financiamento à inovação. Queremos definir o foco e conseguir mais recursos para a inovação.  Não adianta tentar fazer tudo sozinho – estamos trabalhando em convênios, acordos internacionais e parcerias entre empresas e centros de pesquisas brasileiros e estrangeiros. Então, essas são as áreas em que estamos atuando. Queremos, como comitê, ser um participante importante na biotecnologia do Brasil.

Quais são os principais gargalos no setor de biotecnologia?

Ruy Baumer – Em primeiro lugar, ainda há muita coisa para definir em termos de regulação nas áreas de saúde e de agronegócio. Em negócios como petróleo e gás, tem menos. O segundo ponto é a pouca disponibilidade de financiamento para pesquisa. Normalmente, quem trabalha com biotecnologia são centros de pesquisa ligados a pequenas empresas ou empresas inovadoras ou cientistas. Ainda há pouco acesso a esses recursos. Ele é muito complexo, isso tem que ser facilitado. Tudo é muito burocrático. E o terceiro ponto é a questão do conhecimento. É preciso divulgar mais a biotecnologia desde a escola, para não ser um bicho de sete cabeças. E é preciso investir em educação e criação de mão de obra e de centros especializados para trabalhar nesse setor. O Senai-SP vem trabalhando, mas não é suficiente para o Brasil ser um player importante. E estou falando de ações federais, estaduais e municipais. É preciso criar centros de excelência na área de desenvolvimento de biotecnologia. Queremos divulgar ao público o que é biotecnologia e o que pode ser feito. Há ainda pouca informação nas escolas e nos cursos superiores. E o assunto precisa ser desmistificado.

Qual é o papel do governo, tanto o federal como do estado de São Paulo, para desenvolver o setor?

Ruy Baumer – Nossa visão é sempre enxergar o governo como fomentador e facilitador. Ele tem que criar condições para que a inovação exista e para isso precisa colocar à disposição recursos. Ele precisa destravar a burocracia e dar diretrizes de quais são as metas importantes que o país busca na área de biotecnologia, muito mais do que fazer a execução. O que o governo tem que fazer? Aquilo que não é viável para uma empresa privada. É preciso de investimento em longo prazo? O governo entra. É preciso de grande desenvolvimento? O governo entra. Mas tem muita coisa nessa área que pode ser feita por pequenas, medias e grandes empresas, desde que tenham o direcionamento correto, aproveitando até mesmo os recursos existentes. O Brasil tem tecnologia que até Deus duvida, mas está tudo engavetado. Tem muita coisa no papel, muita publicação escrita, mas de prático mesmo, nada. Temos que mudar isso. E é algo em que trabalhamos tanto na área de biotecnologia como na área de saúde.

A indústria vê biotecnologia como despesa ou como investimento?

Ruy Baumer – Há uma mudança de visão. O que a indústria vê hoje é pesquisa e desenvolvimento (P&D) ou inovação como investimento. Antes ela via isso como despesa; hoje é visto como investimento. O resultado dessa inovação em biotecnologia são produtos biotecnológicos. Pode-se ter biotecnologia num detalhe do seu produto ou num processo ou para fazer perfuração de petróleo sem queimar as perfuradoras. Tudo isso pode usar a biotecnologia. Os remédios, os medicamentos, a genética. Tudo pode ter menos ou mais resultado em biotecnologia. A indústria vê isso como futuro e algumas coisas como presente, mas ela não vê isso como despesa. Ela precisa estar nisso.

A biotecnologia pode ajudar na redução de custos?

Ruy Baumer – Sim. Usando recursos naturais de um lado e até sintéticos do outro é possível conseguir resultados que antes seriam inimagináveis redução de custos, melhoria de meio ambiente, qualidade do produto ou benefícios que o produto proporciona.


Brasil precisa definir política industrial que fortaleça empresas de biotecnologia, diz coordenador de comitê da Fiesp

Juan Saavedra e Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Eduardo Giacomazzi: coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp. Everton Amaro/Fiesp

A definição de uma política industrial de biotecnologia é uma das reivindicações do setor, afirma Eduardo Giacomazzi, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Criado em 2012, o Combio tem como missão disseminar uma agenda a favor da competitividade brasileira, segundo o coordenador – atual membro-observador e palestrante do Brasil no Grupo de Trabalho sobre Biotecnologia na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Na visão de Giacomazzi,  faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação.

“A experiência europeia, americana e japonesa apontam no caminho das Parcerias Públicas Privadas”, sugere o coordenador, que já exerceu a direção-executiva da Associação Brasileira de Biotecnologia (BrBiotec).

Nessa entrevista, Giacomazzi fala sobre o papel do Comitê e os desafios do setor.

Em que contexto o Combio foi criado e qual é a compreensão conceitual que a Fiesp tem sobre a biotecnologia e bioindústria?
Eduardo Giacomazzi – O Combio é uma iniciativa que nasceu da parceria de empresas, entidades e profissionais da bioindústria envolvidos com os avanços da biotecnologia no Brasil. A liderança de São Paulo na bioeconomia brasileira e o expressivo número de empresas de biotecnologia da região faz do Estado um ator importante das discussões setoriais relacionados ao tema. A Fiesp, por meio do Combio, contribui para a disseminação de uma agenda a favor da competitividade brasileira e compreende que a biotecnologia, por ser um tema portador de futuro, é fundamental para uma indústria preocupada com a sustentabilidade. Desta forma, sua atuação é transversal aos setores por ela representados.

Qual é o mapa da biotecnologia no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – O mapa da biotecnologia no Brasil, em estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Análise Planejamento (Cebrap), apontou em 2011 o crescimento do número de novas empresas nos últimos 10 anos e apresentou a perspectiva regional da distribuição geográfica de empresas e produção científica. A elaboração de estudos setoriais em biotecnologia no Brasil é recente e carece de regularidade e rigor metodológico. Esse esforço é fundamental para que novas políticas públicas estejam cada vez mais em sintonia com a realidade empresarial e científica.

O que o Estado de São Paulo tem a contribuir para o desenvolvimento da biotecnologia no país?
Eduardo Giacomazzi – O Estado de São Paulo representa 40% das empresas de biotecnologia do país. Grupos empresariais como empresas dos setores farmacêutico, agrícola e sucroalcoleiro têm sede no Estado. Além disso, São Paulo conta com as principais instituições de ensino e pesquisa do país numa rede de cooperação científica que se estende nacional e internacionalmente.

Quais as contribuições mais relevantes do país para o avanço da biotecnologia no contexto global?
Eduardo Giacomazzi – Cito três: biocombustíveis, agricultura e vacinas. Na área energética, desde que lançou o programa Proálcool na década de 70, o Brasil se posicionou na chamada primeira geração de etanol a partir da cana-de-açúcar. Hoje, somos líderes mundiais no desenvolvimento de novas espécies e em produção. Na agricultura, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada em 1973, é referência mundial em pesquisa no setor. O mesmo vale no setor de vacinas, com instituições centenárias como Fiocruz e Instituto Butatan. Embora seja reconhecido internacionalmente no uso da biotecnologia na agricultura (Embrapa) e energia (etanol), além de sua tradição no desenvolvimento de vacinas (Fiocruz e Instituto Butantan), o Brasil não possui um posicionamento claro como país no cenário mundial.

Quais são as boas práticas no cenário internacional, em termos de política para o setor, que poderiam ser aplicadas no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – No cenário internacional, podemos apontar a prática das políticas europeias: “FP7″ e “Horizon 2020″, além das Parcerias Público-Privada (PPPs) desenhadas como política pública para os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Um dos diagnósticos para o baixo nível de crescimento do país em 2012 foi o pequeno volume de investimentos. Como atrair recursos para o setor de biotecnologia nos próximos anos?
Eduardo Giacomazzi – A definição de uma política industrial é uma das reivindicações antigas para o setor. Como parte da importante malha de investimentos públicos que deve ser direcionada às empresas e à pesquisa, ainda falta uma ação mais forte por parte do governo. A insegurança jurídica, como é o caso do acesso à biodiversidade, é um bom exemplo de como o Brasil vem afastando o investimento da indústria para o setor.

Em fevereiro deste ano, durante reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, a presidente da República Dilma Rousseff pediu um maior empenho do governo na pesquisa em biotecnologia e na abertura de novos laboratórios. O que falta para haver um salto? Quais os são os desafios?
Eduardo Giacomazzi – Faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação. As experiências europeia, americana e japonesa apontam para o caminho das PPPs. Desta forma, o Brasil terá condições de dar um salto “bioeconômico”, favorecendo, com isso, a preservação de nossa biodiversidade e a educação para a ciência para as próximas gerações.

O governo federal anunciou que destinará recursos para estimular a área de biotecnologia. E sabemos que pesquisas em biotecnologia não são feitas apenas nos laboratórios de universidades. Como o senhor acha que as empresas podem ter acesso a esses recursos e como elas poderão se habilitar?
Eduardo Giacomazzi – A coordenação destes programas é resultado de um governo disposto a ouvir, mas há muito a ser realizado. Para ter acesso aos recursos, as empresas precisam estar aptas para mergulhar no complexo processo da pesquisa e desenvolvimento (P&D). Além disso, investimento em educação associado ao programa é uma inovação em termos de política, mas ainda falta entendermos seu funcionamento, suas regras e, sobretudo, ampliar o acesso das empresas a estes recursos. A operação do programa é tão mais importante quanto o programa em si. Vamos acompanhar e colaborar para que isso ocorra.

O Brasil está formando mão de obra suficiente para atender às demandas da indústria de biotecnologia?
Eduardo Giacomazzi – Não, a exemplo de outros setores, existe um apagão de profissionais no setor. O processo iniciado pelo programa Ciências sem Fronteiras, do governo federal, é um passo importante. Nossos estudantes precisam participar da pesquisa de ponta realizada em outros países. Por outro lado, a indústria carece de programas que estimulem o intercâmbio de mestres, doutores e PHD’s entre institutos e empresas. Precisamos de um “Ciência sem Fronteiras” de mão dupla, voltado à indústria. O processo de internacionalização das empresas não está associado somente à promoção e exportação; faltam programas que valorizem a transferência tecnológica e realização de patentes em parceria com institutos fora do Brasil.

O Brasil é valorizado pela biodiversidade. Espécies da Amazônia e Cerrado atraem o interesse de pesquisadores e indústrias do mundo todo, principalmente nas áreas de cosméticos e fármacos. Aqui em São Paulo temos exemplos de espécies cuja pesquisa apresentam esse potencial?
Eduardo Giacomazzi – A lei de acesso à biodiversidade e o protocolo de Nagoia serão temas de nossas discussões em 2013. Além disso, materiais como bambu são exemplos de como o uso sustentável de novas espécies podem gerar riqueza e desenvolvimento sustentável a partir de seu uso nas diversas cadeias produtivas. Elementos chave: multidisciplinariedade, ações transversais e a colaboração intersetorial. Se conseguirmos avançar nestes pontos, os benefícios socioeconômicos serão imensos. Para a bioeconomia, ou melhor, uma economia baseada em bio-based products, os produtos de base biológica estão intimamente relacionados à sua cadeia e uso sustentável dos resursos. Um bom exemplo é a cana-de-açúcar transformada em plástico verde – bioplástico e energia renovável.

Biotecnologia: representante da União Europeia apresenta programa de inovação em reunião de comitê da Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Nesta quarta-feira (20/03), Piero Venturi, chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia (UE) no Brasil, apresentou detalhes do Programa Europeu de Apoio à Pesquisa  e Inovação – Horizon 2020 – aos membros do Comitê de Biotecnologia da Fiesp (Combio/Fiesp).

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Programa Horizon 2020 da Comunidade Europeia é apresentado na reunião do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

O encontro foi aberto por Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Biodindústria (BioBrasil) e pelo coordenador do Combio/Fiesp, Eduardo Giacomazzi, que destacaram a importância da disseminação desse tipo de conteúdo às indústrias.

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Eduardo Giovenazzi, coordenador do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

Giacomazzi ressaltou que o Combio/Fiesp tem agora uma página na internet – www.fiesp.com.br/biotecnologia – por meio da qual a entidade passa a divulgar informações relevantes sobre biotecnologia e bioeconomia.

Piero Venturi começou sua apresentação informando que, entre 2014 a 2020, serão destinados  80 bilhões de euros à pesquisa e inovação, por meio do programa Horizon 2020. A iniciativa é aberta à participação de países extra-bloco, por meio de ações específicas e também cooperação internacional.

O principal alvo do programa é gerar soluções que respondam às crises econômicas (proporcionando emprego e crescimento) e aos desafios da sociedade (como saúde, meio ambiente, energias limpas, segurança alimentar, entre outros). Outro objetivo é fortalecer a posição global da União Europeia em pesquisa, inovação e tecnologia.

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Piero Venturi, representante da Comissão Europeia. Foto: Everton Amaro/FIESP

Segundo o executivo, o Horizon 2020 tem o acesso mais simplificado do que o atual programa de inovação europeu (o FP7, que se encerra este ano). A grande diferença é que, além de manter os investimentos em pesquisa de fronteira, ele focará nas mudanças e desafios da sociedade. “Essa é preocupação geral na sociedade europeia. O nosso objetivo é e sempre será a inovação,  mas é importante que isso não seja só na pesquisa. Deve-se passar por uma área entre pesquisa e mercado”, afirmou Venturi.

O conselheiro de Ciência e Tecnologia do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos, Theo Groothuizen, comentou que as empresas brasileiras certamente vão querer participar do programa, mas pontuou que seria importante que fossem contemplados não só os setores em que o Brasil é forte em inovação. “Grupos de empresas, até de pequeno porte, de uma mesma área, poderiam se beneficiar dos institutos de pesquisas europeus”, sugeriu.

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Theo Groothuizen, do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos. Foto: Everton Amaro/FIESP

Venturi concordou que essa pratica já é bem sucedida na Europa, com as spin-off (empresas criadas por um grupo de empresas e centros de pesquisas para explorar um novo produto). “Posso dizer que se a indústria demonstrar maior interesse é possível estabelecer mais programas em comum”. Ele destacou que, atualmente, 20 empresas brasileiras participam de projetos de inovação na Comunidade Europeia, mas elas estão concentradas em áreas específicas.

O Horizon 2020 tem mirado em grandes parceiros – entre os quais está o Brasil, China e Índia. “Até pouco tempo atrás o Brasil não tinha um programa de infraestrutura e usou o europeu. Agora temos que ter uma conversa aberta para ver em quais áreas temos interesse em comum para uma cooperação de longo prazo. Nós dividiremos os resultados”.

No próximo semestre, a Comissão Europeia apresentará o Horizon 2020 a vários países. “Com o Brasil temos um prazo. No mês de junho temos que ter definido as prioridades de interesse comum da Comunidade Europeia e do Brasil”. E há muitas oportunidades em relação a projetos na área de energia e nanotecnologia, por exemplo.