Caminho necessário: transição da economia linear para circular traz muitas vantagens

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A transição da economia linear para a circular é um tema cada vez mais presente e necessário no cenário nacional e mundial. O tema foi tratado em encontro virtual nesta terça-feira (22/9), promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), e realizado pelo Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema).

Na América do Sul, a economia linear (extrair, processar, transformar, descartar) é predominante, na contramão da circular, tendência em diversos países europeus, que começa a ser implementada no Brasil e, especialmente, em São Paulo. Entre os benefícios, o uso racional dos recursos naturais, menor custo na fabricação, mudanças no design, avaliado desde o início do ciclo de vida do produto, reinserção na produção de um bem cuja vida útil findou, entre outros fatores abordados. “É o mais inteligente, o melhor para a sociedade, o meio ambiente e o nosso planeta”, enfatizou Eduardo San Martin, presidente do Cosema, na abertura do encontro. Em sua avaliação, economia circular não é apenas fazer a reciclagem, é um conjunto de processos, e será questão legal e comercial, com barreira futura na Comunidade Europeia (CE), e impacto na exportação de produtos. “Os países vão exigir essas práticas. Muitas empresas, que contam com suas matrizes na CE,  já tem o conceito incorporado”, frisou o presidente do Cosema, que lembrou que há tempos a economia circular é debatida e incentivada pela Fiesp, pelo Ciesp e pelo Senai-SP.

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Eduardo San Martin, presidente do Cosema da Fiesp, pontuou a importância da economia circular para o Brasil e o mundo e os impactos ambientais e comerciais. Fotos: Karim Kahn

“O que é a economia circular?”, questionou Rosemary Zamataro, uma das debatedoras, e integrante do Cosema: “Trata-se do desenvolvimento sustentável, uma época de reinvenção, de inovação. É o tempo da ‘virada’ e de pensar em novos paradigmas, ter novas percepções de produtos, pois o sistema linear desperdiça muito material rico”.

Ao se atentar ao fluxo contínuo, haverá aproveitamento máximo dos valores técnicos e biológicos, de insumos e subprodutos, a ampliação do ciclo de vida com a redução dos resíduos, sempre com foco na melhoria contínua e na conservação dos recursos naturais, explicou a especialista. “É um momento para se criar um novo ecossistema, ao se pensar na preservação e restauração de produtos com tecnologias inovadoras. Ser eficiente nessa cadeia de valores e proporcionar o crescimento social e ambiental que esperamos. Hoje é uma necessidade, pois promove a interação dos setores ao trazer enriquecimento com novos empregos e valores”, afirmou.

Como explicou, todos os resíduos devem ser evitados para que ocorra a sinergia com a biosfera, com o resgate de materiais e geração de novos modelos de negócios, menor agressão ao meio ambiente e regeneração e conservação da natureza. Assim, o resíduo se transformará em matéria-prima para outro produto, o design terá como foco a durabilidade do produto, sua longevidade, e serão pensadas novas estratégias com uso mínimo de água e energia.

Cases de sucesso da indústria

Na sequência dos debates, houve a apresentação de cases de indústrias instaladas no Estado de São Paulo. O resíduo plástico chama a atenção pelo seu impacto: uso, volume de resíduos e descarte inadequado, e a economia circular oferece nova oportunidade de negócios. Por isso, inovação é fundamental. A observação foi feita por Fabiana Quiroga, da Brasken, diretora de Economia Circular para a América do Sul, ao observar que as principais questões ambientais globais são mudança climática, poluição do ar e gestão de resíduos.

“A economia circular é uma jornada e todos devem ser engajados, desde o início, com o oferecimento de matérias-primas renováveis, design do produto, produção mais eficiente, estímulo ao uso consciente por parte do consumidor e descarte adequado, passando pela coleta, o que envolve infraestrutura e apoio às cooperativas, além de educação, consumo consciente e valorização do reciclado”, esclareceu Quiroga.

A Brasken está no começo da cadeia produtiva, produz matéria-prima, inclusive renovável (à base de cana de açúcar, 200 mil toneladas/ano) e é a maior produtora de biopolímeros do mundo, segundo esclareceu a convidada. A empresa faz o design de suas próprias embalagens (big bag e sacarias) e reduziu a área de impressão a fim de facilitar a reciclagem. Além do mais, foi repensada a gestão de processos internos, com a minimização de impactos: 26% da água utilizada é de reúso, adoção programa pellet zero, ampliação da matriz renovável de energia solar e eólica, com menor emissão de CO2, menor geração de efluentes, que se somam às diversas ações educacionais estabelecidas, e atenção aos seus ecoindicadores.

Ao trabalhar com matéria-prima especialmente para a cadeia do plástico, Quiroga observou que o resíduo se transforma em resina a ser oferecida aos clientes e retorna ao ciclo produtivo. Em termos de reciclagem química, transforma resíduo em matéria-prima: o que é nafta fóssil vira nafta originada do resíduo.

Há a preocupação com o desenvolvimento de mercado e tecnologias para a reciclagem mecânica e química e, para isso, a Brasken conta com parceria com o Senai e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para o desenvolvimento da reciclagem química com foco na qualidade, ou seja, melhorar odor, cor, propriedades do reciclado para ampliar a sua utilização. “Existe a percepção que o reciclado é barato e de baixa qualidade. O que não é verdade”, rebateu, citando o estudo de plástico que utiliza resina sem restrição, por exemplo, para contato com alimentos. “Estamos no caminho certo e sem volta”, concluiu a diretora de economia circular da Brasken para toda a América do Sul, Fabiana Quiroga.

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Fabiana Quiroga, da Brasken, apresentou as possibilidades existentes na reciclagem química e mecânica, além das ações educativas e também em gestão de processos

Juliana Marra, gerente de assuntos institucionais da Unilever – empresa global e detentora de grandes marcas, e presente no Brasil há mais de 90 anos – apresentou o plano de sustentabilidade da empresa, o que inclui reduzir até 2030 a pegada ambiental (gases de efeito estufa, utilização de água e geração de resíduos) pela metade, da produção e uso dos produtos à medida que o negócio cresce. “A Unilever foi pioneira global da agenda do plástico: na definição do papel de plásticos na economia circular, em infraestrutura de reciclagem”, afirmou. Entre os objetivos, está a redução do uso do plástico virgem pela metade (mais 100 mil toneladas de redução absoluta); aproveitamento de 100% de embalagens de plástico reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis, além de coletar e processar mais do que se vende, o que inclui parcerias e investimento para coleta e processamento de resíduos e compra e uso de plástico reciclado. Para esse projeto, conta-se com a parceria do programa Dê a mão para o futuro, com a Abihpec, Abipla e Abimapi.

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Juliana Marra, gerente de assuntos institucionais da Unilever, destaca que a economia circular é ponto central para a empresa

“O Consumidor desenvolve hábitos, um driver importante para a economia circular”, observou Marcelo Gandur, gerente de sustentabilidade da 3M do Brasil, empresa presente global presente também no Brasil. Ele tratou da atenção corporativa ao desenvolvimento sustentável e aos 12 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Gandur apresentou cases do reaproveitamento do protetor auricular – com a reciclagem química do produto utilizado e sua volta à cadeia produtiva – e da esponja de limpeza doméstica, cuja reciclagem se realiza em parceria com a TerraCycle por meio de um programa pós-consumo e o apoio de 6.500 brigadistas. A esponja usada se converte em outros materiais e, desde 2014, já foram recicladas quase 2 milhões de esponjas.

“O estudo do ciclo de vida de um produto é um desafio na economia circular”, apontou Gandur, enfatizando a capacidade de inovação e de parcerias na cadeia de valor, cooperação entre redes (com muitas oportunidades para as micro e pequenas empresas) e incentivo a novos modelos de negócios. Mas é preciso atenção quanto a alguns quesitos direcionadores: questão regulatória, legislação, viabilidade econômica, logística reversa, além de programas educacionais. O presidente do Cosema, Eduardo San Martin, reforçou a necessidade de se rever a bitributação –  uma bandeira defendida pela Fiesp e pelo Ciesp – que incide sobre os reciclados, nas discussões da Reforma Tributária, pois encare o material em relação à matéria-prima virgem.

Já a diretora da Fundação Hermann Hering, Amelia Malheiros, apontou que o setor têxtil brasileiro é uma das cadeias mais completas do mundo, compreendendo grande cadeia de varejo e moda, além de enormes desafios. “O uso da roupa é ad eternum e é preciso pensar no aproveitamento dela, o modo como lavamos, utilizando menos água, por exemplo. Malheiros observou o desenvolvimento de outros produtos com uso da nanotecnologia e os impactos nos hábitos do consumidor.

Senai-SP e o incentivo à economia circular

Ricardo Terra, diretor regional do Senai-SP, reforçou as ações efetivadas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial quanto à economia circular. Em junho de 2019, a entidade participou do 3º Fórum Mundial de Economia Circular. “Com conceitos consolidados, era preciso dar escalonamento e observar também o poder do consumidor impactar os modelos de negócios, disse Terra.

O Senai-SP oferece curso gratuito sobre economia circular, em EAD, e mais de 64 mil pessoas no Brasil e no exterior já o realizaram. Além do mais, o tema integra, de forma transversal, os cursos técnicos e de extensão, a fim de proporcionar base conceitual. “No último trimestre deste ano, será lançado curso MBA sobre economia circular, em parceria com a finlandesa Sitra. Além do mais, são realizadas jornadas de economia circular, uma caravana em todo o Estado de São Paulo, por meio do Ciesp, oferecendo cursos e serviços em apoio às empresas. O conceito será levado também às escolas públicas para que tenham acesso a esse curso gratuito e compreensão sobre o importante conceito, destacou Terra.

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Ricardo Terra apresentou ações do Senai-SP que incluem a oferta de curso sobre economia circular, o breve lançamento de MBA e a participação da indústria paulista no Fórum Mundial de Economia Circular, no próximo dia 30/9

De acordo com o diretor regional do Senai-SP, o reaproveitamento é ferramenta fundamental para se interromper gradativamente a economia linear para que o modelo de negócios caminhe mais intensamente para a circular, com o devido impacto no design e desenvolvimento de novos produtos. Outro tema tratado diz respeito aos fundos oferecidos em apoio às micro e pequenas para esta transformação, pois elas têm realidade diferente das grandes empresas. “O trabalho da economia circular é de toda a sociedade brasileira: micro, pequena, média, grandes empresas e educadores. Em termos de políticas públicas, a Fiesp tem nos colocado em Fóruns e debates nacionais e internacionais”. Além do mais, o Senai-SP faz parte da comissão que representa a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na International Organization for Standardization (ISO), portanto, em todo o processo de regulação internacional da economia circular”, informou. Em sua conclusão, Ricardo Terra indicou o app Senai empresas, um aplicativo gratuito, canal de comunicação com o Senai-SP.

A indústria paulista – como representante do Fundo Finlandês de Inovação (Sitra), na América do Sul – iria realizar o Fórum de Economia Circular regional, adiado em função da pandemia, mas a Fiesp, o Ciesp e o Senai-SP integrarão, de forma paralela, o Fórum Mundial da Economia Circular, que será realizado na próxima terça-feira, 30/9, em formato on-line. Nesse dia também será lançado o livro Design e Economia Circular com experiências globais bem sucedidas. (Editora Senai-SP). Você pode saber mais sobre este Fórum e se inscrever neste link.

O encontro paralelo fará parte do segundo dia de atividades do World Circular Economy Forum Online (WCEFonline), evento organizado pelo Sitra, que reúne os principais pensadores e executores da economia circular de todo o mundo.

25º PRÊMIO FIESP DE MÉRITO AMBIENTAL – MENÇÕES HONROSAS

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A edição 2019 do prêmio promovido pelo Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp recebeu 70 cases. Os finalistas premiados com Menção Honrosa receberam o diploma de Mérito Ambiental.

Saiba mais sobre os cases vencedores das menções honrosas nos links abaixo:

Empresas de médio e grande porte:

3M DO BRASIL

Projeto: CÓDIGO VERDE

EMBRAER

Projeto: HANGAR SUSTENTÁVEL

PROCTER & GAMBLE

IMPLEMENTAÇÃO DO COMITÊ DE SUSTENTABILIDADE  – CONSUMO RESPONSÁVEL E SUSTENTÁVEL NA INDÚSTRIA 4.0

RAÍZEN ENERGIA

VINHAÇA CONCENTRADA NA RAÍZEN É + ENERGIA

TOYOTA DO BRASIL

MORIZUKURI – CRIANDO FLORESTAS PARA TODOS E PARA SEMPRE!


PEQUENO PORTE

A.D.N. COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

COLETAR PARA TRANSFORMAR

R.S. DE PAULA INDÚSTRIA E COMÉRCIO GRÁFICO

PROGRAMA RC – RECICLAGEM DE CARTÕES


RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

BASF

ESTRATÉGIA DE ENGAJAMENTO SOCIAL

FLEXTRONICS INTERNATIONAL TECNOLOGIA

SUSTENTABILIDADE, INCLUSÃO E DIVERSIDADE PARA NEGÓCIOS FORTES E PERENES

PROCOSA PRODUTOS DE BELEZA

ACADEMIA DA MANUFATURA   UMA FÁBRICA DE INCLUSÃO SOCIAL 

UNILEVER BRASIL

CICLO BRILHANTE

VISAFÉRTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERTILIZANTES ORGÂNICOS

PRATICANDO O ECO GUIA: VALORAÇÃO DA COLETA SELETIVA – A RECICLAGEM É NECESSÁRIA E VIÁVEL


Confira os projetos vencedores, clique aqui.

Iniciativas Sustentáveis: 3M – Forte investimento em inovação

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Por Karen Pegorari Silveira

A inovação é crucial para o desenvolvimento econômico sustentável, para a competitividade e a resiliência industrial, de acordo com o documento Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo, produzido pelo Conselho Superior de Inovação e Competitividade da FIESP. E, embora alguns estudos mostrem que o Brasil tem enorme potencial para a inovação e o empreendedorismo, as atuais políticas e práticas no país ainda não produziram os resultados desejados para estimular e apoiar a inovação nas empresas e instituições brasileiras.

Mas mesmo com esse contexto, muitas empresas têm feito altos investimentos, para gerar novos produtos e tecnologias que atendam às necessidades da sociedade, de olho na sustentabilidade/perenidade de seu negócio, como é o caso da 3M, que, nos últimos cinco anos, investiu mais de 7 bilhões de dólares em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento). Somente no ano de 2013 foram investidos US$ 1,7 bilhão (Global), sendo R$ 110 milhões só no Brasil. Neste mesmo ano, 8.400 pesquisadores da 3M trabalharam globalmente em P&D, sendo 4.400 nos Estados Unidos. No Brasil, no ano passado, foram investidos na expansão do Laboratório de P&D e do CTC (Centro Técnico para Clientes) US$ 13 milhões. O Laboratório de P&D e o CTC contam com 184 profissionais (dado de janeiro de 2014).

Todo esse esforço global vem apresentando ótimos resultados para a empresa, conforme indicadores desenvolvidos por eles, para medir os resultados financeiros das suas inovações. Esse índice é o NVPI (Índice de Vitalidade de Novos Produtos) e avalia qual o percentual de faturamento que os novos produtos representam dentro do total. Para isso, são considerados produtos lançados nos últimos cinco anos. O objetivo da 3M Mundial é que, até 2017, todas as subsidiárias tenham 40% do faturamento advindo de produtos novos. Em 2013, o Brasil atingiu o índice de 35,5%, o que representou R$ 1,2 bilhão do faturamento bruto anual, enquanto a média global foi de 34%.

De acordo com Alberto Gadioli, diretor de P&D da 3M no Brasil, não é apenas as metas que favorecem o crescimento da empresa, mas também o fato de eles questionarem seus próprios projetos para descobrir aqueles que realmente funcionam e alocar neles recursos para que tenham sucesso. “Avaliamos os projetos internamente em classes 3, 4 e 5. Os classe 3 representam nosso crescimento orgânico e são extensões de linha ou quando a inovação é pequena. Os classe 4 são inovações para mercados já existentes. Os classe 5 são realmente disruptivos e para mercados inexplorados”, conta Gadioli.

O diretor conta que na 3M, a cultura e o modelo de negócio voltado para inovação vêm desde o início das operações. “Tivemos líderes renomados como William L. McKnight (de 1926 a 1949 na 3M norte-americana e um dos responsáveis pela consolidação da cultura de inovação na empresa) que tornaram essa cultura muito forte e presente. Algumas frases dele da década de 1940 refletem o pensamento da 3M sobre inovação até hoje. Entre elas, eu destaco: Contrate bons funcionários e os deixe em paz’, ‘Lideranças extremamente críticas matam projetos’, e outra, que quando é adaptada ao português, vira algo como Quando o líder é extremamente controlador cria cercas ao redor das pessoas e as transforma em gado e não em pessoas criativas’”, relata.

Esses valores renderam à empresa prêmios renomados, como o Best Innovation, ranking feito pela A.T Kearney Consultoria em parceria com a revista Época, e o Prêmio Nacional de Inovação CNI.

Sobre a 3M

A 3M é uma empresa americana, fundada em 1902, criadora as fitas adesivas Scotch® e DurexMR, as esponjas Scotch-BriteMR , os blocos de recados Post-it®, as fitas isolantes Scotch 33+, os curativos MicroporeMR, da linha de cuidado pessoal NexcareMR, das películas refletivas usadas em placas de trânsito, os adesivos CommandTM, entre outros produtos.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1604106494 VEJA OUTRAS INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS 


Metas ajudam a orientar processo de inovação da 3M, informa gerente de Exportação

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Empresa global especializada na tecnologia dos abrasivos com 55.000 itens que atendem múltiplos setores industriais – médico, metalúrgico, construção, automotivo, aeroespacial, entre muitos outros – a 3M impõe a si mesma metas de inovação que, de acordo com o gerente de exportação da empresa, Alexandre Borges, contribuem para a longevidade do conglomerado, originado em 1902 no Minnesota, nos Estados Unidos.

Segundo Borges, a 3M tem um índice incomum, em que se impõe uma meta primária de inovação.

“Ela diz que 40% de nossas vendas têm que vir de produtos lançados nos últimos cinco anos.  Faz com que além de entregar venda, lucro, a venda tem que vir de produtos novos. Fácil fazer isso? Não. Tem que correr atrás. A gente mede isso por unidade de negócio e por região”, disse o executivo na manhã desta quarta-feira (12/11) em palestra na 5ª edição do Acelera Startup, concurso realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Alexandre Borges, da 3M: chave está em buscar inovações conectadas às necessidades de clientes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Parte de êxito da companhia está no gerenciamento do processo de inovação, o New Product Introdution.  A gestão permite observar o esforço de inovação a cada etapa, das ideias ao conceito, do estudo de viabilidade ao desenvolvimento. “Com as devidas simplificações, dá para usar em um negócio pequeno. Como funciona? Cada unidade de negócio tem um pipeline”, explicou Borges.  “Não pode ter um monte [de projetos] aqui e um vazio aqui”, apontou, sinalizando os campos do gráfico.

Segundo Borges, para inovar, é necessário criar uma cultura propícia no modo de pensar a empresa, criar processos e métricas,  fazer investimentos, incentivar o empreendedorismo e, não menos importante, ter estratégia e objetivos.

Para incentivar o surgimento das ideias, a empresa incentiva que 15% do tempo de alguns colaboradores seja dedicado a projetos de interesse. Ele apontou que para cada 3.000 ideias registradas na empresa surge um produto de sucesso.

Uma das razões do sucesso da 3M, de acordo com o gerente de exportação, está no princípio de William McKnight,  que assumiu a presidência da companhia em 1929, 22 anos depois de ser contratado como guarda-livros.

Três princípios do líder se destacam: (1) Conforme florescem os negócios, é necessário que se delegue responsabilidade e que se encoraje os funcionários a exercitar suas próprias iniciativas; (2) Contrate bons funcionários e deixe-os trabalhar com liberdade, desde que sigam as políticas da companhia; (3) Erros serão cometidos e devem ser tolerados, pois se o gerenciamento age de forma intolerante e ditatorial, estará matando a iniciativa dos funcionários.

Cruzar mercados com tecnologias e trabalhar em rede também estão na estratégia da inovação, além de parcerias com as universidades e com os clientes.

A chave, segundo ele, está em buscar inovações conectadas às necessidades de clientes. Um caso de sucesso foi o desenvolvimento de um abrasivo para conter o desperdício de minério de ferro transportado pela vale entre a unidade de Itabira (MG) e o porto de Vitória (ES). Uma ideia que não tinha dado certo para outro projeto foi reaproveitada e desenvolvida, criando um liquido formador de película supressor de poeira. “Isso gerou um produtaço e vendeu bastante”, concluiu Borges.