Setor Sofre Com Aumento Dos Insumos Na Construção Civil

No momento em que o país se prepara para a tão propalada recuperação, as indústrias que integram o Sindinstalação questionam o que está acontecendo com o mercado.

Nem precisa ser economista para perceber que existe um descolamento enorme entre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado). “Depois do plano Real (1994), nunca houve nada igual, importante destacar que nenhum índice está refletindo a situação real na variação de preço, na cesta de insumos da atividade, a qual ultrapassa os 50% nos últimos cinco meses”, ressalta o presidente do Sindinstalação, Luiz Carlos Veloso.

Enquanto o IPCA vem sofrendo quedas constantes, devendo fechar 2020 em 1,78%, conforme dados do relatório Focus, do Banco Central, o IGP-M ultrapassou 10% em 12 meses. É importante ressaltar que os dois índices servem para acompanhar o custo de produtos e serviços, sendo que o IPCA está mais relacionado ao consumidor e o IGP-M é a principal base para preços do setor produtivo, como indústria, agropecuária e construção.

Outro fator que impactou os preços foi o aumento do dólar. No início do ano a moeda americana estava cotada a R$ 4 e hoje está sendo negociada a R$ 5,60, um aumento de 40%.

Segundo a LME (London Metal Exchange), centro mundial para o comércio de metais industriais, de abril a setembro de 2020, o cobre teve elevação de 38,5%, subindo de U$/t 4.772,00 para U$/t 6.610,00. Enquanto o alumínio elevou 18,7%, indo de U$/t 1.463,50 para U$/t 1.737,00, no mesmo período. No caso do níquel (aço inoxidável) o aumento foi de 28,2% indo de U$/t 11220,00 para U$/t 14385,00.

O presidente do Sindinstalação explica que o maior problema do setor é conseguir repassar essa variação para os contratos. “A situação está ficando insustentável. O INCC-M* está longe de acusar os aumentos que acontecem. Isso vai inviabilizar as obras.”

*Índice Nacional de Custo da Construção do Mercado (INCC-M)