Investimento na primeira infância garante capital humano capacitado para o futuro

Fiesp reuniu empresários em prol da 1ª infância em reunião do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O brasileiro do futuro começa na 1ª infância. Foi com essa frase que Raul Cutait abriu a reunião do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (24/4), que deu início ao Projeto Empresários pela Primeira Infância em parceria com a Fundação José Luiz Egydio Setúbal.

Cutait, presidente do Consocial, enfatizou que a primeira infância está nos primeiros mil dias de uma criança. “Começa desde a gestação até os dois primeiros anos de idade, período em que os conhecimentos em neurociência moldam aspectos importantes, como o intelectual e o emocional”, disse.

Setúbal, presidente da Fundação que leva seu nome, observou que apesar de muitos dos pontos discutidos sobre o tema sejam, talvez, de competência do governo, entende que a união do terceiro setor também é importante nessa tratativa. “Acredito na sociedade civil como agente de mudança do país. Eu, como pediatra, a 1ª infância foi minha prioridade por 40 anos. Sou daqueles que acreditam que devemos mudar o país e não mudar de país”, brincou.

De acordo com Nathan A. Fox, Ph.D da University of Maryland, a capacidade de aprendizado do cérebro diminui ao longo da vida.  “O esforço no começo da vida é mais fácil. As primeiras conexões neurais, como a audição e visão, iniciam no começo da vida”, explicou.

Também presente ao evento, Robert H. Dugger, Ph.D, co-founder and Advisory Board Chair da ReadNation, destacou que “não conseguiremos ter sucesso sem jovens bem preparados para a vida. Para isso, é preciso uma educação primária de qualidade. Nos EUA, começamos a focar nas crianças de 3 a 5 anos. É nesse período que é formado o caráter da criança”.

Ainda segundo Dugger, o investimento na 1ª infância traz retorno maior do que investir na bolsa de valores. “Não tem como uma empresa manter seu investimento se não possuir capital humano de sucesso. O investimento na criança aumenta a produtividade imediatamente”, concluiu.

Por fim, Graciá Fragalá, vice-presidente do Consocial, lembrou que diante da quarta revolução industrial, “a indústria 4.0 é cérebro”. Ela frisou que se não for feito esse investimento agora, não vamos ajudar no desenvolvimento social.

Em reunião do Consocial, com foco no tema “Empresários pela Primeira Infância”, participaram diversas lideranças empresariais. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp