“É só pôr o país nos trilhos e pegar velocidade. Eu acredito muito no Brasil”, diz Paulo Skaf na primeira etapa do Diálogo pelo Brasil

Em encontro com empresários, em auditório lotado no Ciesp de Jundiaí, Skaf afirmou estar confiante na aprovação da reforma da previdência e que é preciso simplificar a vida de quem trabalha e produz

Alex de Souza e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, abriu a série de encontros Diálogo pelo Brasil em Jundiaí, nesta sexta-feira (17/5). Em debate com lideranças empresariais da região, em auditório lotado do Ciesp, a conjuntura política e econômica e as reformas da Previdência e Tributária foram temas prioritários neste momento de transição de novo governo que envolve expectativas e requer diálogo.

“Temos vários desafios, como a reforma da Previdência. O empresário brasileiro está preocupado com o desenvolvimento, o crescimento e a geração de empregos”, avaliou, lembrando que essa reforma está sendo discutida há décadas e o ideal para o Brasil seria economizar R$ 1 trilhão em 10 anos, o que representa uma economia de R$ 100 bilhões por ano. “É extremamente importante que a reforma ocorra, pois 52% do orçamento do governo federal vão para a Previdência. Se nada for feito, daqui a 15 anos esse percentual chegará a 100%. A conta não fecha de jeito nenhum. A reforma precisa ser aprovada. Ela vai ser”, afirmou. Em sua avaliação, a reforma será o divisor de águas para atrair novos investimentos e dar novo fôlego à economia. Para Skaf, a reforma Tributária é outra medida importante, mas requer cautela para não “sermos surpreendidos com o aumento de impostos”, alertou.

A preocupação com o desemprego é comum a empresários e trabalhadores. “São 13 milhões de pessoas que se somam aos cerca de 7 milhões de desalentados. Ou seja, mais de 20 milhões sem trabalho, o que impacta talvez 40 milhões, 50 milhões de pessoas, ou 25% da população brasileira. Temos um grande problema para o país”, afirmou Skaf.

Segundo ele, o crescimento do Brasil está atrelado ao desempenho da indústria. “Um país de mais de 200 milhões de habitantes não pode abrir mão de sua indústria, que deve ser forte e saudável. O Brasil já tem este patrimônio”, frisou.

Cenário de oportunidades

No encontro, o presidente da Fiesp/Ciesp avaliou que o mundo tem excesso de liquidez e o Brasil é bom cenário para fortes investimentos. Skaf elencou diversas áreas que podem atrair investidores estrangeiros, tais como petróleo e gás, pré-sal, energia (solar e eólica), celulose – com sua forte produção –, alimentos e bebidas, além da representativa cadeia do agronegócio. “Há muitos setores da indústria de transformação desenvolvidos, bom clima, um mercado consumidor de 200 milhões e somos talentosos. É só pôr o país nos trilhos e pegar velocidade. Eu acredito muito no Brasil”, afirmou.

Desburocratização para produzir

Diversas sugestões da Fiesp e do Ciesp foram avaliadas pelo governo federal a fim de simplificar a vida de quem quer trabalhar e produzir. Em seu diálogo com empresários, foram debatidos o bloco K, a Substituição Tributária e impostos que estão sendo cobrados ‘a maior’, o e-Social que deve apresentar novidade nos próximos dias, alterações quanto à Zona Franca de Manaus e, inclusive o excesso de normas, como a NR12. “Uma coisa é a segurança do trabalhador, outra é o exagero que encarece as nossas máquinas”, disse. Também foi debatido o sistema de Logística Reversa criado pela Federação das Indústria do Estado de São Paulo para que os empresários possam cumprir as metas e dar destinação aos resíduos sólidos.

Desafios da educação para o desenvolvimento

Na avaliação de Paulo Skaf, com a realização das reformas, deve-se avançar em outras discussões importantes, como a educação. “Temos 3.500 crianças em três unidades do Sesi em Jundiaí, entre Ensino Fundamental e Médio, para as quais não irá faltar educação de qualidade. Aqui, esses alunos estudam em escolas inseridas na era digital, na era da tecnologia, recebem alimentação, praticam esportes e participam de atividades culturais, ou seja, formação educacional completa. Devemos lembrar que educação não se faz somente dentro da sala de aula, mas em todos os ambientes escolares. É assim no Sesi-SP e também no Senai-SP, afirmou o presidente das entidades.

Cenário econômico

Algumas medidas devem ser tomadas no curto prazo a fim de aquecer o cenário econômico, na opinião de Skaf. Por isso, ele defendeu algumas ações imediatas, tais como a liberação do PIS-Pasep, das contas inativas do Fundo de Garantia e a redução dos juros para as empresas, pois o spread bancário é “absurdo no Brasil”. Skaf diz que as reformas garantirão base segura no longo prazo, mas precisamos de medidas urgentes hoje, para que a economia consiga respirar. “Sendo realista, não pessimista, o crescimento para 2019 está comprometido e deverá ser perto de zero. A menos que as medidas que temos sugerido para o curto prazo venham com muita eficiência e surtam reação surpreendente, para salvar o ano”, concluiu, lembrando que o novo governo começou há pouco e é preciso ter um pouco de paciência.

Os próximos encontros de Diálogo pelo Brasil ocorrerão em Guarulhos (21/5) e Sorocaba (22/5).

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, participa de encontro com lideranças empresariais no Ciesp, em Jundiaí. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp