Interessado em internacionalizar seu negócio? Conheça os benefícios concedidos pelo governo canadense

Durante seminário realizado pela Fiesp, empreendedores participaram de debate com representantes do consulado canadense e conheceram história de sucesso de empresa brasileira que escolheu o país para ampliar suas operações

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Sistema bancário forte e estável, política de imigração amigável, mão de obra qualificada, ambiente liberal, bem regulado e facilitado para abertura e internacionalização de empresas. Esses são apenas alguns dos atrativos oferecidos pelo vibrante ecossistema canadense ao investidor internacional. A fim de apresentar as políticas e as facilidades de investimento voltadas para empresas e startups interessadas em expandir suas operações no país, a Fiesp reuniu representantes do Consulado canadense e consultores em seminário aberto ao público, nesta terça-feira (1º/10).

Com um comércio de bens estimado em US$ 900 bilhões, inflação abaixo de 2% e taxa de desemprego em torno de 6%, o Canadá foi apontado pelo Banco Mundial como o país do G7 no qual é mais fácil abrir um negócio. Um estudo da unidade de inteligência da revista The Economist também apontou dados impressionantes. De acordo com a publicação, o Canadá é o segundo país do grupo com melhores condições para se fazer negócios. Além do ambiente regulatório, a facilidade de internacionalização e abertura de empresas foram alguns dos critérios considerados. Hoje, o empreendedor leva apenas dois dias para abrir um negócio no Canadá.

“Empresas brasileiras acomodadas com sua fatia de mercado e que têm ambição global podem encontrar no Canadá a oportunidade de inserir-se em um ambiente de negócios de primeiro mundo, modernizar-se e tornar seus produtos mais competitivos”, disse o senior investment officer do Consulado Geral do Canadá em São Paulo, Marcelo Tavares.

De acordo com o especialista, os custos operacionais de uma empresa que se estabelece no Canadá são 15% mais baratos do que aqueles do resto do mundo, e 30% inferiores aos enfrentados pelos empreendedores que escolhem os Estados Unidos para internacionalizar seus negócios.

“Além disso, temos um dos custos empregatícios mais baixos em relação aos outros países do G7 e somos os únicos do grupo a ter acordos comerciais com todos os membros do bloco”, ressaltou Tavares. “Uma empresa que está no Canadá tem acesso a muitos desses mercados e pode comercializar seus produtos e serviços sem pagar taxas adicionais por isso”, acrescentou.

Referência em desenvolvimento e pesquisa
As empresas, sobretudo de inteligência e tecnologia, encontram no Canadá um forte parceiro para o desenvolvimento de pesquisa e inovação. Essa parceria acontece por meio dos superclusters, política de promoção de ações voltadas para o setor de inteligência, coordenada pelo governo federal em conjunto com a iniciativa privada, em províncias canadenses. A aplicação do investimento de US$ 2 bilhões é compartilhada entre o Estado e as empresas.

Como resultado desse incentivo, cada região do país especializou-se em um segmento diferente da indústria. Enquanto em Quebec o foco é a indústria de inteligência artificial, nas províncias do Atlântico, o setor logístico destaca-se como o mais significativo. Em Ontário, os esforços são concentrados na indústria de manufatura avançada, no meio Oeste, na indústria agrícola e de proteína, e na região de British Columbia, na indústria criativa, que contempla as empresas de audiovisual, animação e mídias digitais.

O Canadá também tem seu próprio Vale do Silício. Trata-se do corredor de tecnologia entre Toronto e Waterloo, que concentra cerca de 20 mil empresas de TI, mais de cinco mil startups e inúmeras aceleradoras e incubadoras de empresas. Mais de 200 mil profissionais que trabalham no setor compõem o principal centro de pesquisa e inovação do Canadá.

No início deste ano, a empresa brasileira de softwares Matera resolveu ampliar suas operações e escolheu o Canadá para montar seu centro de desenvolvimento. A força de trabalho sofisticada e o ambiente arrojado canadenses foram decisivos na tomada de decisão do grupo.

“Trabalhamos com software que tem muita tecnologia embarcada, então precisamos de pessoas qualificadas”, explicou o diretor de inovação da empresa, Alexandre Pinto. “Além disso, achamos interessante o ecossistema de inovação do país, especialmente porque queremos trazer tecnologias do Canadá para o Brasil”, observou.

Empresas e startups interessadas em expandir seus negócios no Canadá podem buscar auxílio junto a qualquer um dos sete consulados canadenses no Brasil. “Através dessa rede, podemos auxiliar os processos de internacionalização de vocês”, disse a acting consul general e senior trade commissioner do Consulado Geral do Canadá em São Paulo, Elise Racicot, dirigindo-se aos empresários presentes. “Queremos que a experiência de todos seja rica e com retorno para ambas as economias”, concluiu.

Elise Racicot, do Consulado Geral do Canadá em São Paulo, reforçou que “queremos que a experiência de todos seja rica e com retorno para ambas as economias”. Foto: Karim Kahn/Fiesp