PIB per capita caiu 0,6% ao ano desde 2014 na América Latina e Caribe, diz FMI

Resultado representa ‘forte contraste’ frente ao aumento médio de 2% vindo do boom das commodities entre 2000 e 2013.
A atividade econômica na América Latina e no Caribe ficou estagnada em 2019, tornando mais urgente e acrescentando mais desafios para ‘reacender’ o crescimento da região, afirmou nesta quarta-feira (29) o Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu relatório sobre as perspectivas econômicas para a área.
Como resultado de seis anos de baixo crescimento, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita da região teve uma queda média anual de 0,6% entre 2014 e 2019 – “um forte contraste” frente ao aumento médio de 2% vindo do boom das commodities entre os anos 2000 e 2013, apontou o FMI. No ano passado, o PIB per capita América Latina e Caribe foi estimado em US$ 8.251,72 – em 2013, havia ficado em US$ 10.129,57.
No Brasil, os dados do fundo mostram que, após atingir um pico de US$ 13.295 em 2011 (valor em dólares correntes) o PIB per capita registrou queda em todos os anos seguintes, com exceção de 2017. Para 2019, o fundo estima um PIB per capita de US$ 8.796,90 – uma queda de 1,8% frente aos US$ 8.958,57 do ano anterior.
Baixo crescimento
De acordo com o FMI, o momento fraco do crescimento da América Latina e Caribe reflete fatores estruturais e cíclicos. No lado estrutural, crescimento potencial permanece limitado por baixo investimento, lento crescimento da produtividade, clima de negócios fraco e baixa qualidade de infraestrutura e educação.
No lado cíclico, o crescimento foi retido pelo baixo crescimento global e pelos preços das commodities, elevada incerteza da política econômica, reequilíbrio econômico em algumas economias e agitação social em outras.
No Brasil, assim como no México, o fundo apontou que as incertezas sobre o curso da política econômica e das reformas “provavelmente contribuíram para a desaceleração do PIB real e do crescimento do investimento em 2019”.
Retomada em 2020
Após o fraco resultado de 2019 (alta de 0,1%), o FMI projeta uma retomada do crescimento, com alta de 1,6% este ano para o PIB da América Latina e Caribe, acelerando para 2,3% em 2021 – sustentada por uma recuperação gradual no crescimento global e nos preços das commodities, redução das incertezas sobre políticas econômicas, e pela recuperação gradual em economias sob estresse.
O fundo, no entanto, vê uma série de riscos negativos: “a agitação social pode aumentar em toda a região, enquanto a incerteza sobre políticas econômicas poderia aumentar ainda mais devido a tensões sociais aumentadas e ‘derrapagens’ de política”, alerta.
No Brasil, o FMI estima que o PIB teve alta de 1,2% no ano passado (os dados oficiais serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de março), mas deve acelerar para uma alta de 2,2% este ano devido à melhora na confiança seguida da aprovação da reforma da Previdência e às menores taxas de juros.
O fundo alerta, no entanto, que “a implementação da ampla agenda de reformas fiscais e estruturais do governo será essencial para resguardar a sustentabilidade da dívida pública e estimular o crescimento potencial”.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/