PIB do 3º trimestre comprova recuperação, mas poderia ter sido melhor, diz Guardia

O desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre indica uma “recuperação consistente e gradual”, mas o resultado poderia ser melhor, não fossem a deterioração de condições financeiras e volatilidade por causa das eleições, disse nesta sexta-feira (30) o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

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Outros dois fatores que influenciaram negativamente o PIB foram ainda a fraqueza da construção civil e a paralisação da refinaria de Paulínia, que responde por 16% do refino no país, disse o ministro a jornalistas em Buenos Aires, antes da reunião de cúpula do G20, segundo áudio divulgado pelo ministério.

“Tudo indica uma recuperação consistente e gradual da economia brasileira”, afirmou Guardia.

“Evidente que no terceiro trimestre poderíamos ter um resultado melhor, tivemos o problema da paralisação da refinaria de Paulínia… sem isso o resultado da industria poderia ser melhor”, acrescentou. “Deterioração das condições financeiras, mais volatilidade no período eleitoral, isso também afetou o crescimento.”

Guardia ressaltou que o avanço de 0,8% do PIB na comparação com o trimestre anterior está em linha com as projeções do governo de um crescimento de 1,4% da economia neste ano, mas deve ser visto com cautela uma vez que a economia ainda sofre efeitos da paralisação dos caminhoneiros.

Para o futuro, o ministro defendeu a aprovação de reformas estruturais e projetos de lei sugeridos pela atual equipe econômica ao Congresso, como o que trata do distrato de contratos imobiliários e que poderia impulsionar a atividade no setor de construção civil.

“Por que o investimento não cresceu mais ainda? Porque temos um importante setor da economia brasileira, que é construção civil, que responde por parcela relevante do investimento, esse setor não reagiu como o restante da economia”, disse Guardia.

Os investimentos cresceram 6,6% no terceiro trimestre, o ritmo mais forte desde os 7,1% do quarto trimestre de 2009, também por causa da base de comparação deprimida no segundo trimestre devido à greve dos caminhoneiros.

“Com a continuidade das reformas a gente pode crescer mais”, disse o ministro.

Protecionismo

Além dos comentários sobre o PIB, o ministro também falou que a adoção de medidas protecionistas e unilaterais, como as tarifas impostas pelos EUA contra a China, e vice-versa, prejudicam o dinamismo da economia mundial e vão na contramão do que deseja o país, como regras claras e maior integração.

“A percepção geral é de que a escalada do protecionismo tira dinamismo da economia da maioria dos países… protecionismo e visões unilaterais acabam indo na contramão do que se quer”, afirmou o ministro, após reuniões técnicas com representantes de países dos Brics, segundo áudio divulgado pelo ministério.

“Queremos fluxo de comércio livre, com regras claras, independente de ganho de curto prazo, não estamos vivendo para isso, estamos olhando para o ‘big picture’.”

Guardia disse que haveria vantagens para as exportações nacionais à China, uma vez que produtos enviados pelos EUA ficariam mais caros por causa das tarifas. Mas este ganho – em torno de US$ 2 bilhões – seria apenas de curto prazo e não figura entre os objetivos do Brasil.

“O movimento é negativo”, afirmou. “Independentemente de qualquer ganho de curto prazo, tira dinamismo da economia mundial e é tudo que a gente não quer.”

O nervosismo sobre as negociações bilaterais entre os Estados Unidos e a China, que devem ter seu ápice durante jantar dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping no dia seguinte, ditaram boa parte dos negócios de títulos, ações e moedas nesta semana e devem influenciar o rumo dos negócios, a depender do resultado do encontro entre os dois líderes.

Fonte: G1