Pandemia terá efeito de contração ‘extremamente significativo’ sobre atividade global, diz BC

Informação está na ata da última reunião do Copom, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros recuou de 4,25% para 3,75% ao ano.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) afirmou que as informações disponíveis já são suficientes para evidenciar que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) terá “efeito contracionista extremamente significativo sobre a atividade global”.
A análise consta na ata de sua última reunião do comitê, realizada na semana passada, quando os juros básicos da economia foram reduzidos de 4,25% para 3,75% ao ano – novo piso histórico.
Para o BC, as medidas fiscais (aumento de gastos por parte dos governos) e monetárias (redução das taxas de juros ao redor do mundo e injeção de recursos nos sistemas financeiros) adotadas pelas principais economias tendem a “mitigar apenas uma pequena parcela desses efeitos”.
O BC acrescentou que, para os países emergentes, o ambiente rapidamente se transformou de “favorável para desafiador”.
Na semana passada, o governo brasileiro anunciou uma série de medidas para tentar diminuir o impacto do coronavírus na economia brasileira. Mesmo assim, admitiu que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) vai ser zero neste ano, ou seja, com estabilidade, e acrescentou que há riscos de recessão.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
No mercado financeiro, já há instituições financeiras estimando uma contração do PIB em 2020. Isso quer dizer que haverá nova desaceleração da economia.
Efeitos na economia brasileira
Para a economia brasileira, o Copom concluiu que há três principais canais de transmissão da crise:
choque de oferta [falta de produtos], derivado da interrupção das cadeias produtivas;
choque nos custos de produção, mensurado pela variação de preços das commodities (queda nos preços de insumos, como petróleo e minério de ferros) e de importantes ativos financeiros (alta do dólar, por exemplo);
queda da demanda (aquisição de produtos e serviços), proveniente do aumento da incerteza e das restrições impostas pela pandemia.
O primeiro efeito, avaliou o Copom, terá pouca importância quantitativa devido “à pouca interligação da economia brasileira com as cadeias de produção mundiais, enquanto o segundo efeito provavelmente implicará em “forte impacto desinflacionário no curto prazo”, mas que pode ter efeito temporário.
Já o terceiro efeito (retração da demanda), concluiu o Copom, tende a ser “bastante significativo” no horizonte relevante para a política monetária (de definição da taxa de juros) “porque os efeitos da pandemia sobre a atividade podem ser expressivos”.
Por fim, o comitê avaliou que “perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia”.
Decisão sobre a taxa de juros
De acordo com simulações apresentadas na reunião do Copom, ocorrida na semana passada, para compensar esse efeito de contração da demanda interna por produtos e serviços, “seria necessária” uma redução da taxa básica de juros superior aos 0,50 ponto percentual, para 3,75% ao ano, que foi anunciada pelo Banco Central.
Entretanto, o BC avaliou que uma redução da taxa básica de juros além de 0,50 ponto percentual, apontada como necessidade, “poderia tornar-se contraproducente e resultar em apertos nas condições financeiras [alta dos juros bancários], com resultado líquido oposto ao desejado”.
O Copom também concluiu que, embora neste momento os efeitos da política monetária (reduções da taxa básica de juros) sejam limitados sobre o nível de atividade, os mesmos serão relevantes para acelerar a recuperação econômica, quando as restrições impostas pela pandemia começarem a diminuir.
A instituição também deixou a porta aberta para novas reduções de juros, assim como outras medidas.
“O Banco Central do Brasil ressalta que continuará fazendo uso de todo o seu arsenal de medidas de políticas monetária [cortes de juros], cambial [intervenções no mercado, ofertando moeda e contratos no mercado futuro] e de estabilidade financeira no enfrentamento da crise atual”, informou.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/