Pandemia de coronavírus derruba confiança do consumidor ao menor nível em 3 anos

‘Cenário para os próximos meses é preocupante, com forte impacto econômico e social’, diz coordenadora da FGV.
O índice de confiança do consumidor do Brasil caiu ao menor nível em mais de três anos em março, já como consequência dos impactos provocados pelo coronavírus e apontando um cenário preocupante para os próximos meses, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Os dados divulgados nesta terça-feira (24) mostraram queda de 7,6 pontos no Índice de Confiança do Consumidor em março, para 80,2 pontos, patamar mais baixo desde janeiro de 2017.
“A queda na confiança dos consumidores que já vinha ocorrendo nos dois meses anteriores profundou-se em março, sob influência da pandemia de coronavírus. Rio de Janeiro foi a capital que registrou a maior queda na confiança, enquanto os paulistas já perceberam a piora da situação atual, possivelmente em função do maior número de casos e por seu imenso parque fabril”, explicou a coordenadora da FGV Viviane Seda Bittencourt, fazendo um alerta.
“O cenário para os próximos meses é preocupante, com forte impacto econômico e social. Embora seja difícil imaginar alguma recuperação da confiança no horizonte visível, esperamos que o sucesso das medidas de isolamento para reduzir a disseminação do vírus possam ao menos conter parte do desânimo que virá com a queda do PIB e o aumento do desemprego”, disse.
Em março, o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 4,8 pontos, para 76,1 pontos, o menor nível desde julho de 2019. O Índice de Expectativas (IE) caiu 9,3 pontos para 83,9 pontos, mais baixo desde dezembro de 2016.
De acordo com a FGV, o aumento da incerteza gerado pela queda dos preços do petróleo e pelo avanço do coronavírus no Brasil contribuíram para o aumento do pessimismo em relação ao futuro da economia.
Faixas de renda
Segundo a FGV, houve perda de confiança para consumidores em todas as classes de renda, influenciado pelo aumento do pessimismo em relação à situação econômica nos próximos meses.
Nas famílias de menor poder aquisitivo (até R$ 2,1 mil), no entanto, a queda foi influenciada pela redução forte na intenção de compras, cujo indicador caiu 9,9 pontos.
Dentre as classes de renda, a maior queda advém na das famílias com renda familiar mensal entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil, cujo índice de confiança recuou 10,8 pontos.
Nesse cenário de economia mais difícil nos próximos meses, consumidores também preveem redução da oferta de empregos e uma piora da situação financeira das famílias.
“Apesar do impacto maior ter sido nas expectativas das famílias com relação à economia, há deterioração das expectativas em relação a situação financeira familiar e ao emprego, principalmente para os consumidores com renda familiar entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil, o impacto afeta diretamente sua propensão a consumir cujo indicador caiu 12,8 pontos e suas perspectivas de obter emprego nos próximos meses, que reduziu 10,1 pontos”, afirma Viviane Seda Bittencourt.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/