Investidores estrangeiros retiram volume recorde de R$ 44,5 bilhões da bolsa brasileira em 2019

Eles compraram R$ 1,89 trilhão em ações no ano, mas venderam R$ 1,94 trilhão. Número não considera participação desse público em emissões (IPOs e follow-ons).
Os investidores estrangeiros retiraram R$ 44,5 bilhões da bolsa brasileira em 2019 – o maior volume de toda a série histórica divulgada pela B3, iniciada em 2004.
Até 30 de dezembro, data do último pregão do ano, os estrangeiros compraram R$ 1,89 trilhão em ações e venderam R$ 1,94 trilhão, resultando no saldo líquido negativo de R$ 44,5 bilhões. Os números só consideram negociações de ações já em circulação na bolsa.
Quando contabilizadas as emissões, tanto de empresas estreantes (IPOs) quanto de empresas já listadas (follow-ons), o número cai para um resultado negativo de R$ 8,45 bilhões, porque os investidores estrangeiros compraram R$ 36 bilhões em ações nesses lançamentos.
Sob essa comparação, a retirada é a segunda maior da série histórica, atrás dos R$ 8,56 bilhões negativos registrados em 2008.
Grande participação na bolsa
Apesar do grande fluxo de saída, os estrangeiros representaram em 2019 quase metade do total de investidores da bolsa: 45,1%. Em 2018, a participação era de 48,9%.
Os pequenos investidores ficaram com um parcela de 18,2%. A quantidade de brasileiros que investem na bolsa praticamente dobrou no ano, chegando a 1,6 milhão de pessoas físicas.
Para atrair ainda mais esse público, a B3 anunciou na semana passada que vai zerar a taxa de manutenção de conta e reduzir em cerca de 10% a tarifa para negociação de ações.
O mercado de ações brasileiro se tornou mais atrativo em 2019 graças aos sucessivos cortes na taxa básica de juros (Selic), que começou o ano em 6,5% ao ano e terminou em 4,5% – a menor desde que o regime de metas de inflação foi estabelecido no país.
Isso, aliado ao bom humor nos mercados externos, levou a bolsa a recordes em 2019, quando superou pela primeira vez a marca dos 110 mil pontos. O principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa, terminou o ano com um ganho de 31,5%, o mais alto dos últimos três anos e também o maior entre outras aplicações financeiras.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/