Dados do mercado de trabalho e de manufatura apontam desaceleração da economia dos EUA

Número de pedidos de auxílio-desemprego estabilizou na máxima de cinco meses.
O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos surpreendeu ao se estabilizar na semana passada numa máxima de cinco meses, sugerindo um abrandamento no mercado de trabalho.
Embora outros dados divulgados nesta quinta-feira (21) tenham mostrado recuperação leve na atividade fabril na região do Meio Atlântico neste mês, fabricantes relataram desaceleração acentuada em novos pedidos e remessas.
Também houve declínio do emprego em fábricas e em medidas de horas trabalhadas. A fraqueza persistente no setor manufatureiro ocorre apesar de alívio das tensões na guerra comercial travada entre Estados Unidos e China, que tem diminuído gastos com capital.
Os números vieram depois de dados de varejo e produção manufatureira divulgados na semana passada, os quais sugeriram que a economia perdeu velocidade no quarto trimestre.
O crescimento mais lento foi ressaltado pelo terceiro declínio mensal consecutivo em um indicador futuro da atividade econômica em outubro. Mas os riscos de uma recessão no curto prazo são baixos, conforme o mercado imobiliário está se recuperando do ritmo fraco do ano passado, impulsionado por taxas mais baixas de hipotecas.
“Não é hora de complacência, mas não é hora de entrar em pânico também”, disse Tim Quinlan, economista sênior da Wells Fargo Securities em Charlotte, Carolina do Norte.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram em 227 mil, com ajuste sazonal, na semana encerrada em 16 de novembro, nível mais alto desde 22 de junho, informou o Departamento do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters previam que as reivindicações diminuíssem para 219 mil na última semana.
Dados da semana anterior foram revisados para cima, mostrando 2 mil solicitações a mais do que o inicialmente relatado.
A média móvel de quatro semanas, considerada uma melhor medida de tendência do mercado de trabalho, aumentou 3,5 mil, para 221 mil na semana passada, número mais alto desde 29 de junho.
Embora os dados sugiram pouca mudança no cenário de geração de empregos neste mês, o crescimento será impulsionado pelo retorno aos cálculos de cerca de 46 mil trabalhadores da General Motors. A greve de 40 dias nas fábricas da montadora em Michigan e no Kentucky ajudou a limitar o aumento na geração de postos de trabalho para 128 mil em outubro.
“Este enfraquecimento recente nos dados de auxílio-desemprego aponta alguma deterioração do mercado de trabalho”, disse Daniel Silver, economista do JPMorgan em Nova York.
“Esperamos efeitos da recente greve de trabalhadores sindicalizados impulsione a contagem de empregos no mês de novembro depois de deprimir os dados de outubro.”
Fonte: https://g1.globo.com/economia/