China reduz meta para PIB de 2019 e anuncia medidas de estímulos

O governo chinês anunciou nesta terça-feira (5) uma meta para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 6% a 6,5% – um décimo a menos do observado em 2018 (6,6%) – e disse que está pronto para “lutar” para defender o crescimento econômico do país.

Falando na abertura da sessão anual do Parlamento para os 3 mil deputados da Assembleia Nacional do Povo, o primeiro-ministro Li Keqiang anunciou que as medidas de estímulo serão adotadas como resposta ao quadro de crescimento econômico ligeiramente menor neste ano.

“A conjuntura nacional e internacional tem afetado nosso desenvolvimento em um ambiente de grande dureza e complexidade”, reconheceu o chefe de governo, enquanto os Estados Unidos impuseram tarifas punitivas sobre centenas de bilhões de dólares de produtos chineses.

“Temos de nos armar para lutar uma batalha mais acirrada”, alertou, ecoando o discurso do presidente Xi Jinping, que advertiu em janeiro o Partido Comunista Chinês (PCC) contra “riscos imprevistos que poderiam surgir no campo econômico”.

Alta do déficit e medidas de estímulo

O aumento do déficit “responde à necessidade de uma margem de manobra política para controlar os riscos que poderão surgir no futuro”, admitiu nesta terça-feira o primeiro-ministro.

O orçamento que ele apresentou prevê uma queda de 2 bilhões de yuans (cerca de 260 bilhões de euros, ou cerca de 2% do PIB) em impostos e encargos sociais para as empresas.

O imposto sobre o valor agregado (IVA) cairá em três pontos, de 16% para 13% para os produtos industriais e de 10% para 9% para setores como transporte e construção.

No total, o orçamento do Estado para 2019 se traduz em um leve aumento de 0,2 ponto no déficit orçamentário, a 2,8% do PIB.

Além disso, Pequim deve limitar seus gastos: o orçamento militar aumentará 7,5% este ano, um aumento menor que o do ano passado (+8,1%).

Os anúncios do governo foram bem recebidos nas bolsas de valores: Xangai subiu 0,88% e Shenzhen 2,28%, embora o escritório Capital Economics duvide que a economia chinesa alcance realmente 6% de crescimento neste ano.

Se a guerra comercial com os Estados Unidos não afetou o dinamismo das exportações do gigante asiático, a perspectiva de um confronto duradouro com o governo de Donald Trump está pesando sobre a confiança das empresas chinesas e nas decisões de investimentos.

A atividade econômica também sente o impacto da briga do poder contra a dívida e os riscos financeiros.

Investimentos estrangeiros

As autoridades asseguraram que não vão adotar um grande plano de recuperação como nos anos que se seguiram à crise financeira de 2008.

Pequim “promete uma dose de alívio, mas está relutante em conceder um grande aumento do crédito, mesmo que isso se traduza em crescimento mais lento”, segundo a Capital Economics.

Os governos locais se beneficiarão de um aumento nos bônus especiais que estão autorizados a emitir por um total de 2,1 trilhões de yuans (282 bilhões de euros), um aumento de mais de 100 bilhões de euros.

Paralelamente, as negociações com os Estados Unidos são “muito difíceis” e “ainda há muito trabalho a ser feito”, advertiu nesta terça o ministro do Comércio, Zhong Shan, enquanto a imprensa americana garantiu que um acordo poderia ser assinado entre os presidentes Xi e Trump no final de março nos Estados Unidos.

Espera-se que a sessão parlamentar chinesa adote uma nova lei sobre investimento estrangeiro, em resposta direta às pressões de Washington.

Os Estados Unidos exigem que a China não apenas reequilibre a balança comercial bilateral, mas também realize reformas estruturais, como o fim das transferências de tecnologia impostas às empresas estrangeiras.

A Câmara de Comércio da União Europeia (UE) em Pequim, que criticou o texto, acolheu com cautela o discurso de Li Keqiang, à espera de “um impulso real à criação de um mercado chinês justo, bem regulado e de orientação internacional”.

Fonte: G1