BC prevê rombo maior nas contas externas em 2019 e superávit comercial de US$ 43 bilhões

O Banco Central (BC) elevou de US$ 19,3 bilhões para US$ 36,3 bilhões sua estimativa para o rombo nas contas externas neste ano. A informação está no relatório de inflação do primeiro trimestre, divulgado pela instituição nesta quinta-feira (26).

A conta de transações correntes é formada pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior). Trata-se de um dos principais indicadores do setor externo brasileiro.

O Banco Central informou que o aumento na previsão de déficit das contas externas, neste ano, está relacionado com a mudança na metodologia de cálculo dos números (veja detalhes mais abaixo) e, também, com a atualização das estimativas para a balança comercial e para a conta de lucros e dividendos.

Para 2020, considerando a perspectiva de aceleração da atividade doméstica, o BC informou que espera “ligeiro aumento” do deficit em transações correntes, que deverá atingir US$ 38,9 bilhões ao final do ano (2,1% do PIB).

O Banco Central também baixou de US$ 90 bilhões para US$ 75 bilhões sua estimativa para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira neste ano. Para 2020, o BC estimou uma entrada de US$ 80 bilhões em investimentos de outros países.

Com isso, essa entrada segue sendo suficiente para “financiar” o rombo das contas externas estimado para 2019 e, também, em 2020.

Balança comercial

O BC também revisou, para baixo, sua previsão para o saldo positivo (exportações menos importações) da balança comercial em 2019.

Em junho, o BC havia estimado um superávit de US$ 46 bilhões para 2019, valor que caiu, no documento divulgado nesta quinta-feira, para US$ 43 bilhões de saldo positivo. Houve redução na previsão de vendas externas e de compras do exterior neste ano.

“A redução do valor projetado para as exportações refletiu impactos de tensões comerciais e da desaceleração da economia Argentina, enquanto a diminuição das importações repercutiu a evolução do câmbio e a menor estimativa de operações de plataformas e equipamentos no âmbito do Repetro”, informou o BC.

Para 2020, a instituição informou que estima um superávit (exportações menos importações) da balança comercial de US$ 41 bilhões.

Mudança metodológica

Nesta semana, o BC explicou que mudou a metodologia de cálculo dos números das contas externas e que, por isso, revisou os valores registrados nos últimos anos, e, também, do primeiro semestre de 2019.

De acordo com a instituição, a revisão reflete o uso de “novas fontes de dados para as transações entre residentes e não residentes realizadas diretamente no exterior – buscando suprir esta que é a mais importante lacuna de informações no balanço de pagamentos brasileiro –, além da melhoria de qualidade de fontes já existentes”.

Por conta disso, o rombo na contas externas do ano de 2017 subiu de US$ 7,2 bilhões (estatística anterior) para US$ 15 bilhões. O déficit em transações correntes do ano passado foi revisado de US$ 15 bilhões para US$ 21,9 bilhões.

A revisão também afetou o resultado do ingresso de investimentos diretos na economia brasileira.

Em 2017, por exemplo, pela nova metodologia, os investimentos estrangeiros somaram US$ 68,9 bilhões, contra os US$ 70,3 bilhões informados anteriormente. No ano passado, foram de US$ 88,3 bilhões para US$ 76,8 bilhões.

Fonte: G1