Volume de vendas de materiais de construção tem alta de 9,4% em março

De janeiro a abril, emprego tem queda de 8,1% na comparação com o mesmo período de 2016

Agência Indusnet Fiesp

Publicado em 24 de maio de 2017

De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, em março o volume de vendas de materiais de construção registrou alta de 9,4% em relação ao mesmo mês de 2016, segunda variação positiva no ano nesta base de comparação interanual – a primeira foi o crescimento de 4,7% observado em janeiro, resultado que interrompeu a sequência de 18 meses seguidos de taxas negativas nesta base de comparação.

Como resultado, o volume de vendas desses produtos acumula um crescimento de 4,2% no primeiro trimestre do ano frente ao mesmo período de 2016. Tomando a variação acumulada nos últimos 12 meses até março de 2017 em relação aos 12 meses imediatamente anteriores, observou-se ainda retração, de 6,2%, com desaceleração de dois pontos percentuais frente ao declínio de 8,2% apurado no acumulado em 12 meses até fevereiro deste ano.

Para o conjunto do segmento, o volume de vendas do comércio varejista no conceito mais restrito da pesquisa do IBGE, o qual exclui materiais de construção e veículos, acumulou nacionalmente uma queda de 3,0% nos primeiros três meses do ano na comparação com o primeiro trimestre de 2016. O volume das vendas do comércio varejista ampliado, o qual inclui, além dos segmentos do índice restrito, os segmentos de material de construção e de veículos, motos, partes e peças, apresentou, por sua vez, retração percentual menor, de 2,5%, na mesma base de comparação – taxa largamente influenciada pelo resultado positivo das vendas de material de construção, como discutido acima, compensando, ainda que parcialmente, a queda de 8,1% do volume de vendas de veículos e motos, partes e peças no acumulado no mesmo período.

Emprego
No primeiro quadrimestre de 2017, o nível médio do pessoal ocupado com carteira assinada na cadeia produtiva da construção brasileira foi 8,1% menor do que o nível médio registrado no mesmo período do ano passado, resultado em linha com o apurado nos três primeiros meses deste ano (-8,2%), de acordo com estimativas feitas com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Em relação ao mês de abril de 2016, estima-se que tenham sido fechados pouco menos de 482 mil postos de trabalho com carteira assinada em toda a cadeia em abril último, correspondendo a uma retração de 7,6% do total do pessoal empregado na cadeia nesta comparação interanual.

Tal como observado ao longo de todo o ano passado e nos três primeiros meses de 2017, em todos os elos da cadeia da construção brasileira houve redução do nível médio do pessoal empregado no acumulado no período. De janeiro a abril deste ano, estima-se uma queda de 14,4% do nível médio do pessoal ocupado com carteira na construção civil em relação a idêntico período de 2016, percentual que pouco se alterou frente ao acumulado no primeiro trimestre do ano (-14,6%).

Para a indústria de materiais, máquinas e equipamentos para a construção, o emprego teve queda de 7,2% na média nos quatro primeiros meses de 2017. A retração do emprego para o segmento do comércio atacadista e varejista de materiais de construção foi de 4,7% na mesma base de comparação, seguido pelo segmento de serviços da cadeia, o qual inclui serviços de engenharia e arquitetura e atividades técnicas relacionadas, que apresentou o menor recuo percentual (-1,9%) entre os elos da cadeia nesta comparação do primeiro quadrimestre de 2017 frente ao mesmo período de 2016.

Financiamentos imobiliários
Em março, as operações contratadas com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), incluindo os financiamentos para a construção e os para a aquisição de imóveis, totalizaram R$ 4,010 bilhões, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e Banco Central do Brasil. Em relação ao mesmo mês de 2016, houve uma queda de 13,4% desse montante, já se considerando a inflação do período, sendo que, nesta mesma base de comparação interanual, o valor dos financiamentos para construção recuou 21,2% em termos reais, somando R$ 932,1 milhões no mês, enquanto que os financiamentos para a aquisição de imóveis registraram uma queda menor, de 10,8%, também em termos reais, ficando em R$ 3,077 bilhões.

Com respeito ao primeiro trimestre do ano, o total de operações contratadas declinou, em termos reais, 12,7% frente ao acumulado no mesmo período de 2016. Por tipo, as operações destinadas à construção, como tem sido o padrão dos últimos meses, acumularam queda mais expressiva, de 24,9%, em termos reais, nos três primeiros meses do ano frente ao mesmo intervalo de tempo do ano passado. Já as operações destinadas à aquisição registraram retração, também real, de 8,4% na mesma base de comparação.

Desembolsos BNDES
O Sistema BNDES desembolsou nos primeiros quatro meses de 2017, em valores correntes, R$ 466,2 milhões para as construtoras, implicando em um declínio de 64,1%, em termos reais, frente ao valor desembolsado no mesmo período do ano passado. Em relação ao mesmo mês de 2016, a retração desses desembolsos foi a 67,1% no último mês de abril, já considerando a inflação, com os recursos destinados às construtoras atingindo R$ 77,0 milhões no mês.

Para o segmento de infraestrutura – saneamento, energia, telecomunicações e transportes – os desembolsos, em valores correntes, ficaram em R$ 7,0 bilhões no acumulado no primeiro quadrimestre, valor apenas 1,0% menor do que o registrado em igual período de 2016, também em termos reais, resultado largamente influenciado pelos desembolsos destinados ao setor de eletricidade e gás, os quais apresentam alta de 29,5% na mesma base de comparação.

Com respeito ao conjunto da indústria de transformação, os desembolsos do Sistema BNDES totalizaram, em valores correntes, R$ 4,4 bilhões no período janeiro-abril, o que correspondeu a uma retração real de 35,9% frente ao total desembolsado no mesmo período de 2016. Os demais setores da economia, já considerando a inflação, também registraram queda nos valores desembolsados nos quatro primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado: recuo de 13,2% para o setor de comércio e serviços, queda de 89,7% no caso da indústria extrativa e de 5,9% para a agropecuária.

Para o conjunto de todos os setores da economia, os desembolsos do Sistema BNDES, o qual engloba o BNDES e suas subsidiárias integrais, BNDESPAR (BNDES Participações S.A.) e Finame (Agência Especial de Financiamento Industrial), atingiram R$ 21,380 bilhões, em valores correntes, no primeiro quadrimestre do ano, valor 18,9% menor, em termos reais, do que o apurado em igual período do ano passado, percentual que ficou pouco abaixo do contabilizado no acumulado no primeiro trimestre do ano (-21,0%).