Emprego na cadeia produtiva da construção cai 8,2% no primeiro trimestre

Desembolsos do BNDES para construtoras recuam 83,8% em março em relação ao mesmo mês de 2016

Agência Indusnet Fiesp

Publicado em 02 de maio de 2017

Segundo estimativas feitas com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, no primeiro trimestre de 2017, o nível médio do pessoal ocupado com carteira assinada na cadeia produtiva da construção brasileira foi 8,2% menor do que o nível médio registrado no mesmo período de 2016, percentual praticamente em linha com o observado nos dois primeiros meses deste ano (-8,3%).

Considerando apenas os números de março, estima-se que tenham sido fechados cerca de 504 mil postos de trabalho com carteira assinada em toda a cadeia em relação ao mesmo mês de 2016, o que corresponderia a uma queda de 7,9% do total do pessoal empregado na cadeia nesta comparação interanual. Com respeito ao nível médio do pessoal empregado em cada elo da cadeia da construção nos três primeiros meses do ano, a retração do emprego persiste. Na construção civil, por exemplo, a queda do nível médio do pessoal ocupado com carteira no acumulado do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2016 foi de 14,6%, variação que pouco se alterou frente ao apurado nos dois primeiros meses de 2017 (-14,8%).

O mesmo se observa nos demais elos, com a passagem de fevereiro para março atenuando marginalmente a queda no acumulado do período. No caso da indústria de materiais, máquinas e equipamentos para a construção, o emprego apresentou retração de 7,2% na média de janeiro e março. O emprego no elo do comércio atacadista e varejista de materiais de construção recuou 4,8% na mesma base de comparação, enquanto que o nível médio do pessoal ocupado no segmento de serviços da cadeia, o qual inclui serviços de engenharia e arquitetura e atividades técnicas relacionadas, segue com a menor retração percentual, com queda de 2,0% na média até março – percentual idêntico ao apurado nos dois primeiros meses do ano.

Desembolsos BNDES
O Sistema BNDES desembolsou no primeiro trimestre de 2017, em valores correntes, R$ 389,2 milhões para as construtoras, o que correspondeu a um recuo de 63,4%, em termos reais, em relação ao montante desembolsado no mesmo período de 2016. Em março, essa retração chegou a 83,8%, também em termos reais, em relação ao mês de março do ano passado, com os recursos destinados às construtoras totalizando R$ 64,6 milhões no mês.

O total desembolsado para o segmento de infraestrutura – saneamento, energia, telecomunicações e transportes – ficou, em valores correntes, em torno de R$ 4,5 bilhões no acumulado no primeiro trimestre, queda de 6,0% frente aos três primeiros meses de 2016, já considerando a inflação do período. Por sua vez, o Sistema BNDES destinou à indústria de transformação R$ 3,066 bilhões no primeiro trimestre do ano, equivalendo a uma queda real de 46,1% em relação ao total desembolsado para o setor no mesmo período do ano passado.

Para o setor de comércio e serviços, os desembolsos declinaram, em termos reais, 13,5% na mesma base de comparação. Por fim, os recursos destinados à indústria extrativa no acumulado nos três primeiros meses do ano apresentaram retração de 64,4%, também já incorporando a inflação, em relação a idêntico período de 2016. Para o conjunto de todos os setores da economia, os desembolsos do Sistema BNDES, o qual reúne o BNDES e suas subsidiárias integrais, BNDESPAR (BNDES Participações S.A.) e Finame (Agência Especial de Financiamento Industrial), chegaram a R$ 15,069 bilhões, em valores correntes, no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma retração real de 21,0% em relação ao montante desembolsado nos três primeiros meses do ano passado – em linha com o apurado no acumulado até fevereiro (-20,6%).