Desembolso do BNDES para construtoras cai 61% de janeiro a setembro

Nível médio do pessoal ocupado com carteira assinada na cadeia produtiva da construção brasileira cai 9,2% também nos 3 primeiros trimestres

Agência Indusnet Fiesp

Publicado em 09 de novembro de 2016

Nos nove primeiros meses de 2016, o Sistema BNDES desembolsou cerca de R$ 2,181 bilhões (a preços correntes) para as construtoras, valor, em termos reais – corrigidos pelo IGP-M – 60,9% menor do que o desembolsado no mesmo período do ano passado.

O desembolso em setembro, último mês para o qual o BNDES disponibiliza informação, teve queda de 88,8% em relação ao mesmo mês de 2015, também em termos reais. Para o segmento de infraestrutura – saneamento, energia, telecomunicações e transportes – o total desembolsado foi, em termos nominais, de R$ 14,364 bilhões nos primeiros nove meses do ano, queda em termos reais de 54,7% frente ao registrado no mesmo período de 2015.

Já a indústria de transformação como um todo recebeu R$ 20,733 bilhões entre janeiro e setembro, valor este 28,9% menor do que o montante desembolsado para o setor no mesmo período do ano passado, já descontada a inflação. Os desembolsos para o setor de comércio e serviços, por sua vez, tiveram retração real de 50,9% no acumulado na mesma base de comparação, enquanto os recursos destinados à indústria extrativa tiveram queda real de 44,5%, no acumulado nos três primeiros trimestres.

Para o conjunto dos setores da economia, o Sistema BNDES (BNDES e suas subsidiárias integrais, BNDESPAR e Finame) desembolsou R$ 62,205 bilhões até setembro deste ano, em valores correntes, o que corresponde a uma retração de 41,0% em termos reais frente ao valor desembolsado no mesmo período de 2015.

Emprego
Nos primeiros nove meses deste ano, o nível médio do pessoal ocupado com carteira assinada na cadeia produtiva da construção brasileira apresentou retração de 9,2% em relação ao nível médio apurado para o mesmo período do ano passado, segundo estimativas feitas com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Considerando apenas o pessoal empregado em setembro deste ano frente a igual mês de 2015, estima-se que tenham sido fechados cerca de 620,2 mil postos de trabalho com carteira assinada em toda a cadeia da construção no país. Tomando, uma vez mais, o nível médio estimado do pessoal empregado no período janeiro-setembro de 2016 frente ao mesmo período do ano passado, o emprego em todos os elos da cadeia produtiva da construção registrou queda, quadro recorrente ao longo do ano.

O emprego na construção civil, considerando apenas os funcionários com carteira assinada, foi o que apresentou retração mais acentuada nesta base de comparação (-14,8%), seguido pela da indústria de materiais, máquinas e equipamentos para a construção (-9,9%). O emprego no elo do comércio atacadista e varejista de materiais de construção, por sua vez, declinou 5,2% frente ao nível médio estimado para os primeiros noves meses de 2015.

O nível médio do pessoal ocupado no segmento de serviços da cadeia, o qual inclui serviços de engenharia e arquitetura e atividades técnicas relacionadas, teve, como tem sido observado ao longo do ano, a menor retração dentre todos os elos da cadeia, de 2,8%, na mesma base de comparação. Só que o nível médio do pessoal empregado no segmento engenharia e arquitetura apresentou retração de 11,2% no período janeiro-setembro, superando em larga medida a retração do conjunto de serviços da construção na mesma base de comparação.

Produção de materiais
Segundo a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE divulgada no início de novembro, a produção física de materiais de construção recuou 11,5% em setembro frente ao registrado em igual mês de 2015, resultado que corresponde à 31ª taxa negativa consecutiva na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado no ano até setembro, a queda da produção desses materiais foi de 12,5% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto no acumulado nos últimos 12 meses até setembro a retração da produção desses produtos foi de 14,0%, superando ainda a queda de 12,8% do fechamento de 2015 frente a 2014. Considerando os demais setores industriais acompanhados pela pesquisa do IBGE, no acumulado até setembro, a produção física da indústria de transformação recuou 7,0% frente aos nove primeiros meses de 2015. Na mesma base de comparação, a produção da indústria extrativa mineral teve queda de 12,6%. Como resultado, a indústria brasileira como um todo acumula queda de 7,8% no seu nível de produção física até setembro do corrente ano.

Financiamentos imobiliários
O valor das operações contratadas com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) foi de R$ 3,155 bilhões em setembro de 2016, incluindo os financiamentos para construção e os para a aquisição de imóveis, de acordo com as informações divulgadas pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e do Banco Central do Brasil (BC). Com respeito ao valor total contratado em setembro do ano passado, houve uma queda de 47,3%, já levada em conta a inflação no período. No acumulado nos primeiros nove meses do ano, houve retração de 51,5% do valor das operações, também em termos reais, em relação ao mesmo período de 2015.

Quando as operações são desagregadas por tipo de operação, o valor dos financiamentos para construção (incluindo gastos com reforma e material de construção) registrou, em termos reais, declínio de 61,6% no acumulado entre janeiro e setembro frente ao mesmo período do ano passado. Nas operações contratadas para a aquisição de imóveis a retração foi menor, de 47,8%, na mesma base de comparação e também já descontada a inflação. Vale notar que, até abril deste ano, a queda do valor acumulado no período das operações para a aquisição superava a queda registrada nas operações para construção, sendo que, a partir de maio, tal tendência se inverteu, com o avanço do declínio no acumulado no ano das últimas e uma redução da queda acumulada das primeiras.

Depósitos de poupança – SBPE
Segundo o Relatório de Poupança divulgado pelo BC no início de novembro, o saldo global dos depósitos de poupança do SBPE fechou o mês de outubro em R$ 498,1 bilhões, praticamente em linha com o valor do saldo registrado em fins de setembro. Apesar de tal resultado, o saldo do fechamento de outubro é, em termos reais, 7,5% menor do que o valor registrado no fechamento do mesmo mês do ano passado. Seguindo o padrão observado ao longo de todo o ano de 2016, os saques voltaram a superar os depósitos em outubro, o que gerou uma captação líquida negativa do SBPE de R$ 1,770 bilhão no mês de outubro. Vale notar, porém, que essa captação líquida negativa é a segunda menor do ano, ficando acima apenas do resultado apurado em julho último, quando a captação líquida da do SBPE foi negativa em R$ 911,3 milhões, a preços correntes.