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Workshop Sistemas Prediais 360º – Projetos reúne entidades e empresas da Construção Civil

BIM, ciclo de vida dos empreendimentos, compatibilidade funcional e normas de desempenho foram destaques no encontro

Aline Porcina, Agência Indusnet Fiesp

A construção de empreendimentos exige um complexo e detalhado processo de planejamento, que vai desde a definição de projetos até o pós-obra. Com o objetivo de discutir desafios e soluções para a construção civil, o Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da FIESP reuniu, nessa quinta-feira (28/2), empresas, entidades e profissionais ligados ao setor no workshop Sistemas Prediais 360º – Projetos, realizado na sede da entidade.

Sistemas de inovação, normas de desempenho, impactos no ecossistema, gestão de facilities e ferramentas para qualidade e segurança foram alguns dos temas debatidos nas cinco palestras que fizeram parte da programação, como explicou o diretor titular do Deconcic, Carlos Trombini: “Queremos discutir a importância do projeto em todas as etapas da construção. Edificações são seres vivos e precisam de manutenção que garanta a operação e, principalmente, a segurança, que é o maior foco do nosso trabalho”.

Building Information Modeling (BIM) no desenvolvimento de projetos foi o tema da primeira palestra, ministrada pelo diretor técnico da INPrediais, Humberto Farina. Segundo ele, é preciso entender que o BIM representa a introdução de novos produtos ou métodos qualitativos que possibilitam o pré-dimensionamento virtual da obra, antecipando riscos e impactos, evitando erros e otimizando resultados. “Existem desafios a serem superados, mas as empresas estão motivadas a trabalhar dessa forma e se conscientizando sobre a importância do BIM para o planejamento e o ciclo de vida do projeto”, disse Farina.

Na segunda palestra, ministrada pela conselheira-vitalícia da Associação Brasileira de Gestores e Coordenadores de Projetos (Agesc), Maria Fernanda Silveira, a discussão ficou em torno da Importância da coordenação de projetos: “Temos a função de zelar pelo fluxo de informações que devem ser passadas para todos os projetistas. É preciso pensar no usuário durante a obra, no cliente que vai morar ao fim da obra e no cliente que vai manter a obra. Pensar em todo o ciclo de vida de modo 360° vai tornar o projeto mais eficiente e sem desperdício”.

O vice-presidente de Arquitetura do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), Eduardo Nardelli, foi o terceiro palestrante, com o tema: Prazo de validade vencido: precisamos falar sobre operação e manutenção. Segundo ele, no Brasil as contratações de projetos e obras priorizam preço, e não o ciclo de vida. Com isso, de 60% a 80% do custo dos empreendimentos ficam voltados para operação e manutenção, refletindo-se também em problemas estruturais e tragédias ambientais: “Precisamos mudar o marco regulatório. Não podemos mais contratar apenas projetos e obras, mas sim empreendimentos, considerando todo o ciclo de vida, o custo e o impacto ambiental que ele causa ao ser implementado”, defendeu Nardelli.

A quarta palestra do encontro foi sobre A importância dos projetos na operação e gestão de facilities de novos empreendimentos. O presidente da Associação Brasileira de Facilities (Abrafac), Thiago Santana, explicou o conceito de compatibilidade funcional e mostrou casos em que, mesmo de forma regular, as instalações do empreendimento prejudicam atividades básicas, como trocar registros ou fazer manutenção em equipamentos: “Precisamos melhorar a qualidade de uso nos ambientes. Não basta tecnicamente uma instalação estar adequada em termos de segurança de projeto, sem se preocupar com a usabilidade e a experiência do cliente”.

O último tema abordado no workshop Sistemas Prediais 360º – Projetos foi Norma de desempenho em sistemas prediais, experiências adquiridas e as perspectivas de mudança na revisão da norma. Diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento, Maria Angélica Covelo, defendeu que o desempenho vai além das normas e deve ter foco no usuário. “A norma de desempenho entra em revisão este ano e temos um longo trabalho pela frente para aperfeiçoar esta norma. Isso deve ser feito em conjunto com entidades e profissionais, considerando também relações externas aos projetos”, finalizou.

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Humberto Farina trata de Building Information Modeling (BIM) no desenvolvimento de projetos. Foto: Karim Kahn/Fiesp