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Vacinação rápida e investimento em infraestrutura são apontados como urgentes para a retomada do crescimento

Para especialistas que participaram de reunião na Fiesp, legislação trabalhista também deve ser revista

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Membros do Conselho Superior de Relações do Trabalho da Fiesp (Cort) se reuniram na terça-feira (4/5), por videoconferência, para debater formas de aumentar o número de postos de trabalho. O encontro foi dirigido pela presidente do Cort, Maria Cristina Mattioli, e os convidados foram o ex-presidente do TST, Almir Pazzianotto, o professor da FEA/USP, Hélio Zylberstajn e Sólon de Almeida Cunha, todos eles membros do Conselho.

Não é novidade que a pandemia agravou problemas que já existiam, afetando fortemente o mundo do trabalho. Segundo o ex-presidente do TST, Almir Pazzianotto, para que o Brasil volte a crescer e criar empregos, entretanto, é necessário agir de modo pontual, com inteligência e coragem para mudar o rumo. “O desemprego não é um fenômeno natural, como um tufão, mas consequência de erros cometidos por sucessivos governos”.

Pazzianotto entende que o país precisa rever a legislação. “Ao contrário de outros países, o Brasil não reconhece seus erros. Uma das medidas que poderiam ser adotadas para criar mais empregos passa pela redução das obrigações salariais e dos custos previdenciários. O século XXI cobra mudanças, e se não tivermos a coragem de enfrentar o tabu da legislação continuaremos acorrentados ao subdesenvolvimento”, sentenciou o conselheiro do Cort, que também mencionou a globalização e a insegurança jurídica como obstáculos à criação de novos postos de trabalho.

Para o professor da FEA/USP, Hélio Zylberstajn, que também é conselheiro do Cort e do Consea, a questão da pandemia é conjuntural e não vai permanecer. Contudo, alertou para a urgência de retomar o crescimento e apontou três soluções: “vacinar, vacinar e vacinar. A vacinação não resolve todos os problemas, mas é necessária para possamos retomar com segurança as atividades econômicas. E depois, precisamos de investimento maciço em infraestrutura”, apontou o economista. 

Se o Brasil conseguir atrair capital externo para os diversos projetos de infraestrutura, segundo Zylberstajn, o crescimento será certo. “Investimento na infraestrutura é uma injeção na veia, principalmente no setor da construção civil, que é capaz de criar novos postos de trabalho com rapidez. E, paralelamente, precisamos avançar com as reformas, sobretudo a Tributária”.

Embora a taxa de desocupação tenha chegado a um nível elevado, Zylberstajn entende que esse cenário poderia ter sido muito pior, não fosse pelas políticas de manutenção de emprego e pelo auxílio emergencial, que atingiu 38% dos domicílios brasileiros. “É importante manter programas de transferência de renda, porque se mostraram importantíssimos para que milhares de pessoas tivessem um prato de comida garantida em seu lar”.

Coube ao conselheiro Sólon de Almeida Cunha encerrar os debates. Ao falar sobre a legislação trabalhista, foi enfático ao afirmar que “as novas gerações não querem ter trabalho com hora para entrar ou sair, pois estamos diante de uma situação em que o trabalhador independente quer liberdade para definir os termos das atividades e a existência ou não de vínculos”.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a taxa média de remuneração de empregados é de R$ 1.701. “Em algumas atividades menos engessadas é possível ganhar bem mais do que isso. Precisamos sair de um modelo antigo, sem solução, e do raciocínio binário de que a proteção social só existe sob uma única forma, debaixo de uma legislação caduca”, completou Cunha.

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Almir Pazzianotto pediu coragem para mudar a legislação. Foto: Everton Amaro/Fiesp