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Desenvolvimento sustentável é tema central na relação Brasil e União Europeia, 2º maior parceiro comercial do País

Em encontro on-line debateu-se sobre a contribuição corporativa para o desenvolvimento da economia verde e de um futuro sustentável

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

A União Europeia é atualmente o 2º maior parceiro comercial do Brasil que, por sua vez, é considerado o maior mercado da América Latina e um destino privilegiado para os investimentos europeus. Diante das relações comerciais, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) e o Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp avaliaram o tema sustentabilidade sob a ótica do setor produtivo, em seminário on-line, transmitido pelo YouTube da Fiesp nesta terça-feira, 22/6.

Em meio à complexidade do bioma amazônico – região que compreende cerca de 50% do território brasileiro, equivalente a 14 países europeus e com uma população de cerca de 20 milhões de pessoas -, não se pode impedir o combate ao desmatamento.

O Brasil possui uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo, de acordo com Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex: “O Brasil assumiu um compromisso público na cúpula do Clima em acabar com o desmatamento ilegal, igualmente bem recebido pelo meio empresarial, e já se antecipam os resultados dos compromissos voluntários assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris”, disse.

O país busca as melhores práticas corporativas da indústria e do agronegócio brasileiro, em termos de responsabilidade ambiental, o que, de acordo com Zanotto, traduz a formação de clusters com alto grau de compliance ambiental representado pelos setores sucroenergético, químico e de energia renovável.

“O desenvolvimento econômico é importante aliado da preservação ambiental, sem ele dificilmente alcançaremos resultados sustentáveis duradouros. Não há estratégia empresarial que se mantenha sem que esteja alicerçada no uso sustentável dos recursos e com compromissos de preservação ambiental que possam ser mensuráveis, reportáveis e verificáveis”, destaca Zanotto.

Marcos Madureira, presidente da Eurocâmaras, chamou a atenção para dois importantes pontos. “O principal, combater o desmatamento, que não só compromete o acordo União Europeia (UE) e Mercosul, mas também os investimentos estrangeiros no país e a comercialização de produtos brasileiros no exterior; segundo ponto, temos de desenvolver a Amazônia por meio da bioeconomia, com ecoturismo, com a piscicultura, com incentivo à transformação digital, entre outras [atividades]. Assim, criaremos riquezas para o Brasil e, consequentemente, o bem-estar da população”, pontuou Madureira.

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Desenvolvimento sustentável foi tema de encontro conjunto do Derex e Cosema da Fiesp. Fotos: Karim Kahn/Fiesp

Para Stelios Hormouziadis, cônsul geral da Grécia, em São Paulo, a temática de hoje é importante que todos entendam que se trata refere a uma questão mundial. Segundo ele, em 2020, 35% da energia consumida na Grécia foi produzida a partir de fontes de energias renováveis. Nesse aspecto, o potencial do país nos setores de energia solar e eólica é bem reconhecido.

Hormouziadis também frisou que o plano nacional para energia e mudança climática da Grécia prevê políticas e investimentos europeus, nacionais e internacionais, a fim de alterar o modelo de energia de consumo por meio da modernização da rede elétrica, mobilidade elétrica, melhoramento da eficácia energética, gestão dos resíduos sólidos, as smart homes, o reflorestamento e a proteção da biodiversidade.

O governo da Grécia e os setores privados de investidores europeus e internacionais visam alcançar 60% da produção elétrica por energias renováveis. “Nesse contexto, a parceria com o Brasil é muito importante para encarar esse desafio que não é só nacional, mas de todo o mundo”, refletiu Hormouziadis.

Ignacio Ybáñez, embaixador da União Europeia, no Brasil, avaliou a importância do impacto e do acordo com o setor privado nesse contexto. O pacto verde da UE, no combate a problemas climáticos e desafios ambientais, lançado em 2019, sobre uma nova estratégia de crescimento, visa a transformar a UE em uma sociedade equitativa e próspera, com economia moderna e eficiente, além de garantir recursos e ser competitiva.

“Será um grande desafio. Para isso, foi desenvolvido o programa Next Generation UE, próxima geração União Europeia, que vai se constituir em 27 planos de recuperação e resiliência, incluindo o foco na saúde”, afirmou Ybáñez. O programa contará com orçamento de 750 bilhões de euros. Esses e outros programas dão embasamento à busca de aliança com parceiros de outros países, como Estados Unidos, Canadá, Japão, China e países da África e América Latina, como o Brasil, entre outros.

O Brasil é um parceiro estratégico da UE, tendo percorrido um caminho longo na área da sustentabilidade, com a Agenda do Rio [Eco Rio 92], por exemplo, e negociações internacionais, como o Acordo de Paris, celebrado em 2015, relativo à mudança climática. E, juntos, avaliou Ybáñez, a UE quer prosseguir nesse caminho.

São muitos os benefícios que o Brasil e UE têm identificado, como o acordo que prevê que o comércio deve ser realizado observando o respeito ao meio ambiente e as condições adequadas de trabalho. “Temos no Acordo com o Mercosul o capítulo mais progressista no que se refere ao comércio e ao desenvolvimento sustentável. Porém, precisamos redobrar nosso engajamento com os nossos parceiros do Mercosul para enfrentar a ameaça representada pelo desmatamento”, salientou o embaixador.

A recente decisão do governo brasileiro, na Cúpula dos Líderes do Clima, realizada em abril, por videoconferência, foi bem recebida internacionalmente, mas agora precisamos de resultados completos, na avaliação do representante da Grécia. Os índices de desmatamento atingidos em abril e maio não são um bom sinal e é preciso trabalhar de forma coordenada para obter efetividade, pois uma imagem negativa afeta os produtores e empresas que vem trabalhando corretamente, disse. “Respeitando a soberania do Brasil, a UE está comprometida a contribuir para proteger a Amazônia do desmatamento ilegal e cooperar nesta agenda”, conclui Ybáñez, em sua intervenção.

Assista ao seminário na íntegra neste link.