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‘Trabalhar no Sesi-SP é ter a responsabilidade de dar o exemplo’, diz Talmo de Oliveira

Técnico do time campeão sul-americano de vôlei feminino fala sobre sua carreira e o orgulho de fazer parte da equipe da instituição

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Em 2011, o ex-levantador Talmo de Oliveira assumiu o comando da equipe de vôlei feminino do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), com a missão de formar um time competitivo, mas também ter uma equipe que fosse um exemplo de dedicação, trabalho e superação. Neste domingo (09/02), com a conquista do Campeonato Sul-Americano, o técnico mostrou que esses objetivos estão sendo conquistados.

“Nossa responsabilidade é muito grande, somos exemplo para todos os alunos da rede do Sesi-SP e do Senai-SP”, diz. “Além de trabalhar para conquistar os títulos, trabalhamos para ser exemplo, não só com discurso, mas colocando valores em prática. E fazendo valer o lema da Fiesp: Crescem as pessoas, cresce o Brasil”, afirma Talmo.

Ele destaca o ambiente de trabalho como um diferencial de trabalhar no Sesi-SP. “Desde o meu primeiro dia no Sesi, sempre disse para as jogadoras que a quadra seria a extensão da nossa família e vice-versa. Com um ambiente assim, todos vêm trabalhar com mais amor e alegria.”

Talmo: quadra é extensão da família, em ambiente que estimula a busca por bons resultados. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Talmo: quadra é extensão da família, em ambiente que leva aos bons resultados. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Para o técnico, a conquista do sul-americano é resultado desse trabalho, que começou há três anos. “Esse time vem sendo construído desde o nosso primeiro dia. Tivemos dificuldades e aprendemos com todas as situações. Vitórias e derrotas sempre vão fazer parte da nossa história. Mas a maneira como se ganha ou perde é o grande diferencial.”

A vitória sobre o Molico/Nestlé na final do sul-americano é um bom exemplo do aprendizado com as derrotas. O Sesi-SP perdeu duas finais contra o time de Osasco, mas isso não fez com que as jogadoras entrassem em quadra sem vontade de vencer. Pelo contrário. “As derrotas fazem a gente aprender e, nas partidas com o Osasco, aprendemos a jogar contra uma equipe forte e estruturada. Sabíamos que precisávamos jogar bem”, conta. “Treinamos forte, estudamos muito e não tivemos medo de arriscar. Só pedia para que não perdermos para nós mesmos, para os nossos erros e medos.”

Mesmo com o histórico negativo, com os desfalques do time, o time se superou e não perdeu nenhum set. “Meu objetivo foi preparar as atletas tecnicamente, porque sabia que, se elas estivessem seguras, conseguiriam executar o que fosse preciso”, diz. “Com confiança, elas fizeram o melhor que podiam fazer”, conta o técnico.

Próximos desafios

Depois da dedicação ao campeonato, o time agora volta os treinamentos para a Superliga. “O título nos dá um corpo mais forte, consolida o Sesi-SP como uma força no voleibol e aumenta a nossa responsabilidade”, explica Talmo. “Vamos continuar trabalhando para que a equipe siga crescendo na Superliga, fique entre os melhores e consiga a classificação para os playoffs”.

E a preparação para o Mundial, em maio? “Vai ser um campeonato difícil, com equipes muito fortes do mundo inteiro. Mas a Superliga vai ser a melhor maneira de nos prepararmos. Só depois vou pensar no Mundial. Meu foco agora é no Barueri, nosso próximo adversário.”

Carreira

Como jogador e como técnico, Talmo foi um vitorioso. Entre as conquistas mais importantes, foi medalha de ouro com a seleção brasileira de vôlei na Olimpíada de 1992. Mas, em sua carreira, aprendeu a dar valor a cada acontecimento.

“Cada conquista tem um sabor especial, porque a história nunca se repete. Você pode até ganhar a mesma competição, mas a trajetória é diferente. Até as derrotas têm sua importância e servem como experiência”, afirma. “As vitórias não podem nos deixar tão eufóricos que nos impeçam de reconhecer as nossas limitações e as derrotas não podem nos desanimar a ponto de não valorizarmos as nossas virtudes.”

Com 44 anos, Talmo dedicou mais de duas décadas de sua vida ao voleibol. “Comecei a jogar aos 12 anos, na escola, mas nessa época cheguei a praticar outras modalidades. Só aos 14 passei a me dedicar exclusivamente ao voleibol. Logo mudei de cidade para jogar como profissional e rodei por vários clubes”, lembra o mineiro de Itabira.

“Enquanto era jogador, resolvi fazer faculdade de educação física e me preparar para ser técnico. Cheguei a começar um mestrado, mas parei por causa do trabalho como técnico”, conta.

Além das constantes viagens, Talmo tem treinos diários, em dois períodos. E ainda precisa acompanhar os jogos dos 13 times adversários na Superliga. “Eu e a comissão técnica trabalhamos o tempo inteiro, ligados 24 horas para melhorar cada detalhe e achar as melhores soluções táticas.”

Hoje ele se considera realizado. E garante que vive um dia de cada vez, sem criar grandes expectativas. “Nunca penso muito na frente. O meu sonho hoje é consolidar a situação do Sesi-SP, fazer muito bem feito o meu trabalho. O futuro, eu deixo nas mãos de Deus.”