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Todo mundo pode dar show, desde que treine antes, diz especialista em apresentações corporativas no Festemp

Rogerio Chequer compartilhou com empreendedores dicas para atrair o interesse e manter a audiência atenta nas palestras na manhã desta quinta-feira (26/09), no Anhembi

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

As duas primeiras frases ditas em uma apresentação são responsáveis por atrair o interesse da audiência. Começar com uma pergunta vai fazer o público parar de pensar em uma série de coisas para dedicar atenção ao apresentador da ideia ou projeto. As dicas são do Rogerio Chequer, sócio da Soap, uma consultoria de comunicação especializada em apresentações corporativas.

Na manhã desta quinta-feira (26/09), Chequer falou para cerca de 200 pessoas durante o Festival do Empreendedorismo (Festemp), evento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria (Senai-SP) no Anhembi, na capital paulista. Na plateia, empreendedores que vão apresentar logo mais o seu projeto para investidores e em cinco minutos tentar convencer pelo menos um deles de que sua ideia é inovadora e merece investimento.

“Comece com um pergunta”, sugeriu Chequer. “Ao fazer uma pergunta você está fazendo aquela pessoa responder e quando ela precisa responder a algo ela tem de deixar de pensar no que estava pensando para dedicar atenção a você”, explicou.

Segundo Chequer, uma boa apresentação corporativa não deve ocupar mais de 50% do tempo do encontro. Ele sugere que o conteúdo seja estruturado em três atos.

Chequer: “Comece com um pergunta” para atrair a atenção do público nas apresentações. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Chequer: “Comece com um pergunta” para atrair a atenção do público nas palestras. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


O primeiro ato é para criar interesse. “A sua audiência está pensando em uma série de coisas, menos no que você vai apresentar porque ela ainda não sabe o que é. O que você falar nas duas primeiras frases do primeiro ato precisa atrair o interesse”, indicou.

O segundo ato é manter a atenção. Uma vez atraído o interesse, o interlocutor pode manter a audiência consigo conduzindo o tema com perguntas retóricas.  E, para concluir a apresentação, Chequer sugere o terceiro ato: fechar em direção ao objetivo.

“É lógico que o seu objetivo hoje é ganhar esse concurso, mas será o que a sua meta ao falar com o investidor não é mostrar o que você precisa para ter esse investimento?”, questionou. “É importante ele saber que você sabe qual é a jornada a ser seguida”, afirmou.

Segundo o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, organizador do Festemp, 300 projetos de empreendedorismo vão disputar 10 oportunidades de investimento na maratona Acelera Startup, uma estrutura montada no Anhembi na qual os empreendedores terão cinco minutos para apresentar o seu negócio.

Esse modelo de apresentação é conhecido como “Elevador”, segundo o especialista. E, se for conduzido como se fosse “uma conversa entre amigos”, o resultado pode ser mais positivo para o empreendedor. “Essa conversa mais direta é mais crível”, aconselha Chequer.

Dê um show, mas treine

Qualquer palestrante ou apresentador de algum projeto pode dar um show, desde que ele ensaie antes de se expor ao público. No entanto, treinar uma apresentação não dispensa o interlocutor de improvisos que são típicos de qualquer interação pública, alertou o especialista.

“Todo mundo pode dar um show, desde que treine antes”, disse. “O brasileiro não só adora como se orgulha de improvisar, mas o contraponto da improvisação é a preparação. Vá preparado e não se preocupe, você não vai acabar sua apresentação sem improvisar de alguma forma”, disse o especialista.

Como em qualquer show, o visual é essencial e Chequer defende o uso de imagens como apoio, mas que elas sirvam para sugestionar a audiência e não separar o interlocutor de seu público.

“Dependendo da imagem, a sua história pode criar emoção e isso pode ajudar a reter audiência, ou seja, quando a pessoa estiver tomando banho no fim do dia ela pode se lembrar daquela imagem que você mostrou”, disse. “Mas o apoio visual é para a audiência, não para você. Olho no olho, não use esses recursos visuais como muleta”, alertou.

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