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Temos um sistema democrático estável, afirma jornalista Fernando Rodrigues

Diretor de redação do portal Poder 360 participou de reunião na Fiesp a fim de debater o cenário nacional

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Para tratar do atual momento político, o Conselho Superior de Estudos da Política da Fiesp (Consep) convidou o jornalista Fernando Rodrigues, diretor de redação do portal Poder 360, para a reunião da quarta-feira (24/2), conduzida pelo presidente do Conselho, Carlos Trombini.

“Independentemente de quem está no governo, queremos manter o fluxo de informação com todos que estão no poder”, afirmou Rodrigues, acrescentando que nunca houve uma diferença tão grande entre o que está acontecendo de fato no mundo da política, especialmente em Brasília, e o que se lê na mídia tradicional.

O jornalista disse que a indústria de mídia no Brasil continua sendo muito importante, mas que já foi muito mais influente do que agora, devido à precariedade existente nas redações. “Há problemas seríssimos de capacidade cognitiva para interpretar o que está se passando”, disparou. Rodrigues lembrou que de 2014 a 2020, em números absolutos, houve a diminuição da circulação impressa de jornais, o que impactou diretamente a receita dos periódicos e a qualidade do serviço oferecido. Em seguida, comentou o caso da troca de comando da Petrobras.

O maior acionista da empresa é o governo federal. O petróleo é uma commodity e tem preços internacionais e, segundo o diretor de redação do Poder 360, o governo atuou como acionista e propôs criar uma fórmula que tornasse mais previsíveis os aumentos do combustível, de modo a equilibrar os interesses da empresa e do mercado consumidor. Como não houve acordo, optou-se pela troca do presidente, que já estava no fim do seu período de mandato, podendo ou não ser reconduzido ao cargo.

“É preciso fazer a conta. O Brasil vive sob constante ameaça de uma greve de caminhoneiros. Quanto custou a greve que tivemos e quanto se perde com ajustes nos preços praticados? Com 40 anos de acompanhamento da vida política do Brasil, posso dizer que não vejo ingerência indevida na Petrobras. O acionista majoritário falou fora do horário do pregão e depois soltou um comunicado de que iria trocar o presidente, da forma como normalmente ocorre no mercado”, explicou, “mas essa análise precisa ser feita de forma desapaixonada por jornalistas que fazem a cobertura”.

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Rodrigues vê como consolidado o sistema democrático brasileiro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Momento político

Ele destacou a importância da manutenção do modelo democrático no Brasil, que já supera em muito os 20 anos de ditadura. “Temos um recorde absoluto na história do país, com 35 anos de democracia ininterrupta, em um sistema com previsibilidade. Temos muitas incertezas quanto ao resultado, mas ninguém tem dúvidas de que haverá eleições em 2022 e de que no primeiro dia de janeiro de 2023 quem for eleito tomará posse”, avaliou o jornalista.

A cada 15 dias, o Poder 360 realiza pesquisas com 2.500 pessoas. A informação mais recente é de que quase metade da população considera o trabalho do presidente Bolsonaro ruim ou péssimo, e que cerca de 20% consideram sua gestão como regular. “Por outro lado, a taxa de bom e ótimo quase nunca fica com menos de um terço do universo pesquisado, o que não é pouca coisa. Mas precisamos saber interpretar os números, porque quando se questiona se as pessoas aprovam ou não, a situação muda”.

Segundo Rodrigues, entre os que consideram a gestão como regular, o índice de aprovação do presidente é de 47%. “Ou seja, no total, quando perguntamos se as pessoas aprovam ou não, temos um placar de 43% de aprovação contra 49% de desaprovação, o que mostra enorme resiliência para um governo que enfrentou a maior crise sanitária em 100 anos, que levou a uma crise econômica”, avaliou.

Outras pautas

Sobre o projeto de autonomia do Banco Central, Rodrigues se diz otimista em relação ao tema e entende que o principal papel da instituição deve ser a preocupação com a política monetária.  “O fato é que o presidente abriu mão do seu poder e deu autonomia para o Banco Central, ainda que este já atuasse de modo independente, mas sem lei que o protegesse”, declarou.

Curiosamente, segundo o jornalista, no lado fiscal existe exatamente o oposto, pois já existe a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas diante de todos os fatos recentes é difícil prever o futuro. “O Brasil tem várias realidades. E a vinculação de recursos é algo preocupante, pois amarra a gestão. A partir da desvinculação os governantes de cada esfera poderiam decidir como alocar os recursos de acordo com as necessidades”, defendeu Rodrigues.