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Tecnologia de exploração de gás na América do Norte pode não ser ideal para a América do Sul, diz executivo do setor de exploração de gás

Executivo da maior prestadora de serviços para campos de petróleo do mundo participou de debate no 14º Encontro de Energia da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A Schlumberger reduziu de 48 para oito dias o período de exploração de gás não convencional. Em um dos campos no quais a prestadora opera, maquinários perfuram com 56 mil cavalos de potência reservatórios não convencionais. Mas o Brasil pode não conseguir aproveitar essas tecnologias criadas pela companhia uma vez que para cada região e tipo de rocha há um método de perfuração e fraturação diferente, explicou nesta segunda-feira (05/08) o vice-presidente da gigante norte-americana, Jeff Meisenhelder.

O executivo participou de um dos painéis do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, em São Paulo. O evento continua nesta terça-feira (06/08).

“Não dá para usar na América do Sul as mesmas tecnologias utilizadas na América do Norte, simples assim. Cada sonda tem um design especifico para uma fraturação específica. A maneira como a rocha é fraturada faz toda a diferença no quanto de gás é possível extrair”, afirmou.

Meinsenhelder: métodos diferentes em cada região. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Meinsenhelder: métodos diferentes para fraturação na América do Sul e na do Norte. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Meisenhelder, o potencial de reservas não convencionais no Brasil é evidente, mas é preciso uma estrutura política e econômica que facilite o acesso aos poços, um mercado de prestadores de serviços aptos, um modelo regulatório acessível, entre outros pontos.

Na avaliação do vice-presidente da Schlumberger, os resultados da prospecção, exploração e produção de um recurso natural como gás não convencional aparecem no médio e longo prazo.

“De 1985 a 2002 nós continuávamos tentando fraturar rochas com diferentes métodos e tivemos uma mudança radical em 2005. Então não é algo que acontece num piscar de olhos. Testamos diferentes tecnologias e buscamos o gás não convencional em diferentes regiões da América do Norte. Essa é a chave”, contou ao participar do 14º Encontro de Energia da Fiesp.

Políticas e regulações

Para Silvie D´Apote, sócia-diretora da consultoria Gas Energy, que também participou do debate sobre gás não convencional no mundo, o desenvolvimento relativamente acelerado da exploração e produção de gás natural na América do Sul vai depender de políticas e regulações.

Silvie: ainda faltam condições de investimento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Silvie: ainda faltam condições de investimento na América Latina. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Na América Latina parece que temos muitos recursos, mas a taxa de crescimento das reservas dos maiores países da região decresceu na última década e isso é totalmente consequência de uma falta de política adequada para incentivar a produção de gás”, disse Silvie. “E se não existem condições para as empresas investirem na exploração convencional, quanto mais na exploração não convencional”, completou.

Meta ambiciosa

Também presente no Encontro, o superintendente de gás da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Roberto Ferreira Borges, afirmou que seria “muito ambiciosa” a meta de implantar o modelo norte-americano de exploração de gás não convencional no Brasil.

Borges: modelo dos EUA como referência pode ser opção equivocada. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Borges: modelo dos EUA como referência pode ser opção equivocada para o Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“A gente não necessariamente tem de começar com isso. Temos condição de começar com 12 mil cavalos de cavalos de potência. Mas essa nossa referência (modelo dos EUA) pode estar equivocada e acho que cabe pensar um pouco mais em cima disso”, alertou.

Segundo Borges, uma das travas à exploração ainda é superar deficiências de infraestrutura e logística. Já no âmbito de formação e ampliação de mercado para reservas não convencionais, o desafio será a construção de térmicas a gás.

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