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Tecnologia atual de rede externa chegou ao limite, diz gerente da Eletropaulo

Ricardo Martins Marques participou de workshop de telecomunicações na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Dos cerca de 10,5 metros de altura de cada um dos postes da AES Eletropaulo em São Paulo, ao menos 50 centímetros são cedidos para as operadoras de telecomunicações, informou nesta quarta-feira (21) o gerente de clientes corporativos da companhia, Ricardo Martins Marques. Mas esse modelo “chegou ao limite” e a solução talvez seja investir em tecnologia para construção de rede subterrânea.

“Para qualquer aumento da área, precisa mexer na altura do poste. E quanto maior o poste, maior a base, e isso atrapalha mais a calçada. Aumentar os postes para 14 metros, que seja, não é uma solução adequada. O que parece fazer mais sentido é o enterramento [da rede]”, afirmou Marques.

Ele participou do “Workshop Telecomunicações: Compartilhamento e Melhoria da Rede Externa”, organizado pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

Segundo Marques, 29 empresas de telecomunicação têm contrato com a Eletropaulo para utilizar a faixa de ocupação de 50 centímetros em postes da companhia.

“O modelo de negócio atual está esgotado e não atende a necessidade da sociedade como um todo. Tem de ser mudado. Todo mundo tem de participar, principalmente o governo. A gente precisa dessa ajuda para que isso seja viável”, disse o gerente da Eletropaulo ao se referir a tecnologias para a construção de redes subterrâneas. “A gente entende que um dos caminhos, e talvez o melhor deles, seja o enterramento da rede.”

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Workshop de telecomunicações na Fiesp sobre compartilhamento e melhoria da rede externa. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Sonho de consumo

Na avalição do diretor da Abeprest (Associação Brasileira de Empresas de Soluções de Telecomunicações e Informática), Sérgio Rezende Garcia, a construção de redes subterrâneas é “o sonho de consumo de toda operadora”, mas ainda é um “dilema” enfrentado pelo setor de telecomunicações.

“Muitas vezes desperdiçamos esforços e dinheiro ao fazer o projeto de uma área, bairro ou cidade, sem prever a participação das redes enterradas”, disse.

Durante o debate na Fiesp, Garcia defendeu o desenvolvimento de redes subterrâneas por meio do MND (método de construção não destrutivo). “Nesta opção retiraríamos totalmente os cabos ópticos da Rede, ficando apenas os cabos de atendimento ao cliente final, Fios FE [telefonia e internet] e cabos coaxial [TV a cabo]”.

Também participaram do workshop o presidente da Telcomp, João Moura, e o consultor de telecomunicações Marcius Vitale.

O debate sobre compartilhamento de rede foi mediado pelo diretor de Telecomunicações do Deinfra da Fiesp, Helcio Binelli.

Segundo ele, a intenção do workshop é “levar propostas para frente em vez de achar culpados”.