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“Sustentabilidade não pode ser um projeto, e, sim, um processo”, diz na Fiesp presidente da Eurocâmaras

II Seminário Internacional de Conduta Empresarial Responsável mostra melhores práticas no Brasil e na União Europeia

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp foi palco nesta terça-feira (22/11) do II Seminário Internacional de Conduta Empresarial Responsável-Melhores Práticas Brasil e União Europeia, iniciativa do Comitê de Responsabilidade (Cores) e Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp em parceria com a União Europeia e Eurocâmaras. Na abertura do evento, Grácia Fragalá, diretora titular do Cores, disse que o seminário  acontecia em momento muito oportuno. O mundo, lembrou, atravessa problemas que criam uma sensação global de insegurança, mostrando a fragilidade da vida. No Brasil, as empresas dão sua contribuição, enquanto o Estado luta para resolver questões orçamentárias.

Os exemplos das empresas presentes, afirmou, mostram como é possível haver a sustentabilidade e o respeito aos direitos. A Fiesp, explicou, segue os princípios do documento A Desigualdade é Insustentável. O resultado das iniciativas nessa área, disse, é a existência de empresas sustentáveis, que geram empregos de qualidade.

Nils Grafström, presidente da Eurocâmaras, guarda-chuva de câmaras de comércio bilaterais de diversos países que representam cerca de 5.000 empresas europeias, também participou da abertura do seminário. Deu um testemunho pessoal. Em sua carreira na indústria florestal, chegou 15 anos atrás ao Brasil para implantar uma fábrica de celulose no Sul da Bahia.

Na área técnica o país estava muito bem, mas engenheiros suecos e finlandeses contribuíram com aspectos da sustentabilidade, explicou. Desde então as empresas brasileiras mudaram muito. Várias têm programas muito bons.

Só que muitas empresas ainda deixam as questões da sustentabilidade para um gerente, o que considera errado. Elas, defendeu, têm que ser parte integrante do negócio. “Sustentabilidade não pode ser um projeto, e, sim, um processo.” Tem que ser parte do trabalho da diretoria e ficar a cargo de alguém que participe de todas as áreas da empresa. O desafio para o CEO é criar um grande negócio sustentável, e não apenas um grande negócio, disse Grafstom, que criticou a existência de cartéis, que enganam o mercado.

O mapa da sustentabilidade no mundo está mudando muito – e rapidamente, disse. Quem pode impulsionar o movimento da sustentabilidade são os acionistas, os fundos de investimentos e outros atores com capacidade de influir na gestão. Há, lembrou, investidores que não aplicam seus recursos em empresas que não tenham sustentabilidade de primeira classe.

João Gomes Cravinho, embaixador da União Europeia, ressaltou a importância do momento do seminário. Interesse e entusiasmo das empresas na primeira edição levou Fiesp e UE a perceberem a importância de trabalhar pela competitividade das empresas.

Conduta empresarial responsável e sustentabilidade vieram para ficar, disse. “Não temos ainda noção do que significa a globalização, do que significa a revolução digital, mas temos noção da centralidade da sustentabilidade.”

As empresas de hoje e de amanhã não podem ser vistas apenas como produtoras de bens, neutras, sem responsabilidade, afirmou. Sua contribuição deve ter em conta o equilíbrio global de nossas sociedades. A população, disse, cada vez mais considera como valiosas as empresas que seguem a sustentabilidade. As pessoas cobram isso.

Para ajudar na tarefa de disseminar novas ações e projetos pioneiros, explicou Cravinho, esta segunda edição do encontro conta com workshop para troca de experiências e seminário sobre negócios e direitos humanos.

O trabalho se concentra nos quatro pilares básicos da responsabilidade empresarial:

Impacto sobre ambiente e sociedade;

Competitividade sustentável;

Ações nas cadeias de suprimentos, para envolver empresas de menor porte e outros atores na conduta empresarial responsável;

Negócios e direitos humanos – tema vital para a União Europeia –, que devem ser respeitados por entidades públicas e privadas. Há nisso excelente parceria com o governo brasileiro, afirmou.

A promoção do tema na União Europeia é multifacetada, explicou. Estratégia comercial da UE inclui compromisso de maior transparência na cadeia de fornecimento e de mais informação para o consumidor.

Crescimento deve ser sustentável e inclusivo, crê a União Europeia, que também quer difundir esse conceito ao redor do mundo. Muitas empresas europeias são líderes na tecnologia sustentável, graças a essas iniciativas. São vanguarda, o que lhes dá vantagem competitiva.

Empresas que compreendem que fazem parte de uma lógica muito mais ampla, que pertencem à sociedade, são as mais bem-sucedidas. Cravinhos agradeceu à Fiesp pela parceria na criação de um pensamento empresarial mais adequado ao tempo em que vivemos.

O diretor executivo de projetos da Fiesp, Aprigio de Moura Azevedo, representando Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, ressaltou o envolvimento desde a primeira hora da entidade representativa de 130.000 indústrias nas questões da competitividade, a qual passa cada vez mais pela conduta empresarial responsável, que inclui a sustentabilidade.

Na COP 22, da qual participou enviado pela Fiesp, tratou-se da sustentabilidade de amplo espectro, lembrou. Parceria é expressão posta para o mundo, que entendeu de forma clara e definitiva que é preciso dar as mãos para atingir a sustentabilidade em amplo espectro. Em Paris, disse, conseguiu-se o impossível, o consenso no combate à mudança do Clima. Mais impressionante ainda nesse tema e surpreendendo a todos na COP 22 foi que no dia 4 de novembro de 2016 as condições para que o Acordo de Paris fosse efetivado foram alcançadas, afirmou. As metas de países referendando e da redução de emissões foram atingidas em tempo mais curto do que o estimado.

Não se pode ficar para trás. Todos temos que estar juntos caminhando nessa pauta, disse Azevedo. Os olhos do mundo estão voltados para os temas discutidos no seminário, afirmou.

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Abertura do Seminário sobre CER teve a presença do embaixador da União Europeia, João Gomes Cravinho. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Primeiro painel 

Pedro Lins, mediador do primeiro painel do seminário, disse que CER, ou responsabilidade empresarial sustentável, é uma necessidade. O mundo inteiro fala disso, o Fórum Mundial de Davos, o Fórum da OCDE, as Metas do Milênio da ONU.

Ressaltou a importância de disseminar o conceito e disse que  é preciso somar para fazer diferença. E multiplicar permite construir um legado.

Annelise Vendramini, coordenadora do programa Finanças Sustentáveis do GVces, disse que o setor privado tem grande contribuição a dar à sustentabilidade. Desafio é o sentido financeiro da sustentabilidade – por exemplo, precificando as emissões de carbono. A função lucro das empresas vai mudar, afirmou. No fundo, explicou, é gestão de risco socioambiental. As empresas, segundo ela, precisam saber quais são os desafios mais materiais gerados por elas.

Rafael Luis Pompea de Gioielli, gerente do Instituto Votorantim, explicou o papel do instituto a levar as empresas do grupo a ser mais competitivas e as comunidades, mais sustentáveis. Conceito do lucro admirado é interessante, disse. Governos e protocolos internacionais são vitais para assegurar a competitividade global. Deu como exemplo a perda de competitividade do alumínio, cuja produção migra do Brasil para países do Oriente Médio que usam energia de fontes fósseis, muito mais barata que a de origem hidráulica brasileira.

Em sua opinião, o Conselho das empresas precisa estar envolvida nas questões da CER, porque o retorno do investimento nisso pode vir no longo prazo, além até do período em que ficarão à frente da empresa.

Márcia Sakamoto, gerente de Sustentabilidade da Siemens, destacou que a empresa, de 169 anos, está presente em 192 países e tem 350.000 colaboradores. A empresa, disse, precisa compreender a sociedade em que está incluída.

Alessandro Rizzato, gerente de Relações Externas e Captura de Recursos para Inovação na América Latina da Solvay, exibiu vídeo que explica o compromisso da Solvay com a sustentabilidade, com destaque para o Solar Impulse, avião que voou 40.000 km sem queimar combustível e é um mostruário de materiais e tecnologias que estão por chegar ao mercado.