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Soberania e controle de demanda são principais entraves para o comércio e integração regional de energia

Posicionamento da América Latina e Caribe como consumidor e potência energética foi um dos temas do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

No momento em que o Brasil discute e revisa suas políticas de abertura comercial, o 14º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) chama a atenção para o comércio internacional de energia, especialmente entre os países que compõem a América Latina e Caribe.

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Participantes do painel "Comércio de Energia e Integração regional" - 14º Encontro de Energia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Considerado uma grande potência energética, além do aumento de sua produção, o grupo também tem registrado um crescimento constante da demanda por energia da região. Esse, na opinião do diretor de Programa da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia,  Gilberto Hollauer, é um dos principais entraves para o comércio regional de energia.

“Como a segurança energética é pensada como sinônimo de autossuficiência, é difícil para países em desenvolvimento firmarem tratados de integração, uma vez que sua demanda interna não é previsível”, explicou.

“É o caso de países que crescem entre 4% e 6% – como Brasil, Uruguai, Peru – que precisam rever seus contratos de energia de tempos em tempos, sempre de olho no mercado interno.”

Na opinião de Hollauer, a soberania de democracias jovens é outro empecilho, uma vez que poucos países querem ceder seu poder a uma organização supranacional.

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Gilberto Hollauer. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Também presente no painel “Comércio de energia e integração regional”, a diretora do departamento de Energia do Ministério das Relações Exterioes, embaixadora Mariângela Rebuá, encorpou a lista de dificuldades para o comércio regional de energia, mencionando as escassas linhas de financiamento para o setor, a falta de compatibilidade normativa entre os países e a inexistência de um planejamento energético regional.

Em sua participação, o especialista da Divisão de Energia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Arnaldo Vieira de Carvalho, afirmou que a instituição financeira vem trabalhando em iniciativas para a integração energética na América Latina, como por exemplo, o desenvolvimento do primeiro sistema de transmissão regional.

O tema é assunto de painel nesta terça-feira (06/08).

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