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Participantes do Curso de Gestão de Recursos da Defesa, em visita técnica, conhecem potencial das Forças Armadas, no Rio de Janeiro

Os participantes do CGERD conheceram o potencial das Forças Armadas para desenvolver produtos de defesa com tecnologia de ponta. Setores de desenvolvimento e pesquisa driblam contingenciamentos humano e financeiro com resultados efetivos

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Em viagem realizada ao Rio de Janeiro entre os dias 16 e 20 de setembro, os participantes da turma de 2019 do Curso de Gestão de Recursos de Defesa (CGERD), organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Escola Superior de Guerra (ESG), puderam conhecer de perto o talento, a potencialidade e, sobretudo, o empenho das Forças Armadas brasileiras em driblar o contingenciamento de recursos humanos e financeiros para desenvolver produtos capazes de consolidar a independência e a soberania do Brasil no segmento de Defesa.

Durante visita ao Centro Tecnológico do Exército (CTEx), os alunos foram introduzidos às linhas de pesquisa e à carteira de projetos especializados no desenvolvimento de produtos de Defesa voltados para o Exército e a algumas das inovações criadas e projetadas para uso da própria Força.

“Nossa missão é realizar pesquisa aplicada e desenvolver soluções tecnológicas que possam ser empregadas na área militar”, explicou o general Robson Santana de Carvalho, superintende do CTEx. “Olhando para o planejamento estratégico do Exército, desenvolvemos o projeto-piloto e todos os materiais necessários para que a área de suporte trabalhe na parte logística”, acrescentou.

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Alunos do Curso de Gestão de Recursos de Defesa (CGERD), organizado pela Fiesp a Escola Superior de Guerra, visitam Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro. Foto: Mayara Moraes/Fiesp

No total, são seis áreas de atuação: armamento e munição; mísseis e foguetes; veículos militares; materiais avançados; comunicações e eletrônica (radares, rádios militares e optrônicos); e simuladores virtuais. As contribuições do trabalho desenvolvido pelo órgão são diversas: fornecimento de capacidades operacionais necessária para o Exército; licenciamento de tecnologia; produção de publicações científicas; capacitação e aperfeiçoamento de recursos humanos; geração de empregos de alta qualificação; crescimento da base industrial de defesa; e elevação das capacidades científica e tecnológica nacionais, só para citar algumas.

Apesar da incontestabilidade dos benefícios proporcionados pelos projetos desenvolvidos pelo centro tecnológico, os cortes no orçamento e na força de trabalho têm comprometido o desenvolvimento da capacidade plena do CTEX. Em 1994, o órgão contava com um efetivo de quase 300 civis. Em 2019, esse contingente foi reduzido a 76.

“Estamos perdendo profissionais qualificados e não estamos conseguindo reposição por falta de concursos públicos”, advertiu Carvalho. “Tenho 130 vagas previstas, mas não tenho recurso para suprir essas vagas”, lamentou o militar ao alertar que a falta de recursos humanos e financeiros tem causado o represamento de projetos, inclusive na área de inteligência artificial.

Em visita ao Instituto de Pesquisas da Marinha (IPQM), o superintendente técnico contra-almirante Álvaro Luís de Souza Alves Pinto também lamentou que os cortes tenham alcançado a instituição, responsável pela execução de um trabalho estratégico para o fortalecimento do poder naval e, sobretudo, da indústria de defesa nacional: o desenvolvimento de sistemas e sensores de guerra eletrônica. “Estamos passando por um processo de penúria orçamentária, e com isso temos dificuldade de reposição de talentos, e nossos projetos andam mais devagar”, admitiu Álvaro.

Os cortes orçamentários também ameaçam o projeto mais ambicioso da indústria de defesa.  “Problemas financeiros impedem o avanço do nosso submarino nuclear”, observou o capitão-de-mar-e-guerra Júlio Cezar Simões Pimenta, engenheiro integrante do time de profissionais que tem trabalhado desde 2013 no complexo construído em Itaguaí para o submarino nuclear que terá a missão de patrulhar a costa brasileira e os 4,5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Azul.

Não obstante todas as dificuldades, funcionários foram vistos trabalhando a todo o vapor nos estaleiros de construção e manutenção da embarcação em Itaguaí, e no Centro Experimental de Aramar, onde está sendo construído e testado o reator nuclear do submarino. Junto com a marinha do Brasil, Odebrecht e Naval Group vêm atuando com vigor para lançar o primeiro submarino com propulsão nuclear brasileiro até 2031. Paralelamente, três submarinos convencionais estão em desenvolvimento. O primeiro submarino projetado pelo Brasil, o submarino S. Riachuelo, foi entregue em dezembro do ano passado e passa por uma série de testes antes de ser lançado em águas profundas.

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Visita aos estaleiros de construção da embarcações em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

No Centro Tecnológico do Exército (CTEx), pesquisadores continuam se dedicando à pesquisa e inovação, apesar do contingenciamento. Ao longo da visita às suas instalações, os participantes do CGERD conheceram programas e produtos inovadores, como o projeto RDS, um rádio de telecomunicação definido por software e que pode ser usado pelas Forças Armadas e pelos órgãos de segurança pública, e cuja tecnologia empregada é dominada por apenas 15 países em todo o mundo. O Instituto de Pesquisas da Marinha (IPQM) também impressionou os visitantes com seus sistemas de simulador de navegação eletrônica e seus equipamentos de medidas de apoio à guerra eletrônica.Visitas ao Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), órgão encarregado pelo controle do tráfego civil e militar nos mais de 22 milhões de quilômetros quadrados de espaço aéreo soberano brasileiro, e à Escola Superior de Guerra, instituição de pesquisa voltada para a capacitação e a qualificação de civis e militares interessados em exercer funções de direção e assessoramento na área de defesa nacional, também entraram no roteiro dos estagiários.

A analista de sistemas da Atech, Cristiane Moreira, fez um balanço positivo das atividades realizada no Rio de Janeiro:  A visita ao CTEX foi uma das mais interessantes”, disse ela. “Conhecemos a estrutura do centro tecnológico e também os desafios enfrentados no desenvolvimento de produtos de Defesa e pesquisa aplicada para atender as necessidades do Exército, considerando os recursos disponíveis, que muitas vezes são escassos”, acrescentou a estagiária, que ainda elogiou o trabalho realizado pela Marinha em Itaguaí. “Estou até o momento maravilhada com a estrutura do local e o tipo de tecnologia que é mantida lá”, destacou.

A cerimônia de encerramento do Curso de Gestão de Recursos de Defesa acontecerá na próxima quinta-feira, (3/10) e deverá contar com uma série de autoridades, entre elas, o ministro da Defesa, o general de Exército Fernando Azevedo e Silva.

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Alunos conhecem um dos simuladores de navegação desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa da Marinha. Foto: Mayara Moraes/Fiesp