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Setor produtivo e trabalhadores juntam forças contra invasão dos importados

Centrais sindicais e Fiesp realizarão parcerias em prol da competitividade da indústria nacional em 2011

Emilse Bentson, Agência Indusnet Fiesp

A pressão dos produtos importados sobre a economia nacional, especialmente de manufaturados de origem asiática que chegam ao País em grandes volumes, tem preocupado tanto o empresariado quanto a classe trabalhadora. Ambos os lados temem que o movimento desenfreado de importações desestimule, de um modo geral, novos investimentos e afete a geração de empregos, como já ocorre em alguns setores de manufaturados.

Diante deste cenário, representantes dos empresários e dos trabalhadores reuniram-se nesta segunda-feira (20), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para pensar em estratégias conjuntas de prevenção para a indústria nacional e, principalmente, paulista.

No final do encontro com os presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (Sergio Nobre), da categoria em São Paulo, Mogi das Cruzes e região (Miguel Torres) e da Força Sindical (Paulo Pereira da Silva), para definir os primeiros passos já no início de 2011, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, fez uma análise da atual situação.

“Apesar de a economia ter apresentado bom desempenho neste ano e a produção industrial crescer bem, estamos sentindo um aumento muito acelerado, eu diria até irresponsável das importações, principalmente dos manufaturados. Devemos ter um déficit da balança comercial, quer dizer, a expectativa é de que se vai importar 70 milhões de dólares a mais em manufaturados do que se vai exportar. Isso é muito mais do que aconteceu nos últimos anos, e a preços muito baixos.”

E acrescentou: “Estamos todos juntos, preocupados com o Brasil, o emprego, o desenvolvimento e o futuro. Não podemos esperar que o prejuízo se instale para depois nos mexer. Então, vamos debater o tema, encontrar pontos em comum e preparar propostas para o governo trabalhar em favor do nosso país”.

Propostas para o governo

A ideia é reunir trabalhadores e empresários num grande evento, entre o final de janeiro e início de fevereiro, para fazer um diagnóstico da situação e identificar os setores afetados. Com estes dados levantados, propor ideias para o governo fortalecer a economia nacional.

“Aparentemente a economia está ótima, mas embaixo disso há uma série de problemas. Existe uma avalanche de importação. Temos informação de que no ano que vem o Brasil vai produzir 1,5 milhão de motos, e 500 mil serão importadas”, destacou Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, da Força Sindical.

De acordo com Sérgio Nobre, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a indústria automobilística, por exemplo, setor considerado carro-chefe da metalurgia, está importando 600 mil unidades. “Essa era a produção nacional de dez anos atrás. Quer dizer, são empregos que deixam de ser gerados no País”.

O agravante, segundo Nobre, é que os componentes importados são de alta tecnologia e que cada vez mais farão parte dos produtos desenvolvidos daqui a dez anos. “A indústria nacional não detém essa tecnologia. É preciso que os setores a adquiram e que haja um grande plano nacional para que os produtos importados sejam feitos no Brasil,” alertou.