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Senai-SP, Giz e Ministério de Minas e Energia lançam programa para apoiar PMEs em medidas de eficiência energética na indústria

Programa PotencializEE terá R$ 110 milhões em recursos e mobilizará cerca de R$ 500 milhões para o financiamento de projetos de eficiência energética em prol da competitividade da indústria

Nesta quarta-feira (8/9), foi realizado o lançamento do “PotencializEE – Programa Investimentos Transformadores em Eficiência Energética na Indústria”, que visa apoiar pequenas e médias empresas (PMEs) industriais do estado de São Paulo na implementação de medidas de eficiência energética (EE), com suporte técnico e crédito acessível. Para tanto, estão previstos recursos da ordem de R$ 110 milhões.

Participaram do evento representantes de instituições parceiras como Ministério de Minas e Energia (MME), SENAI-SP, Embaixada da Alemanha, Embaixada Britânica e Delegação da União Europeia. Os porta-vozes apresentaram a iniciativa virtualmente aos convidados e falaram de sua importância, ressaltando os benefícios para as indústrias e os impactos ambientais a serem alcançados.

O presidente da FIESP, CIESP, SESI-SP e SENAI-SP, Paulo Skaf, ressaltou o momento oportuno para o lançamento do programa e sua relevância no desenvolvimento de uma melhor eficiência energética. “Quando colocamos em pauta a eficiência energética na indústria, estamos contribuindo não só para melhorar a competitividade – nacional e internacional – do setor industrial paulista, mas também de baratear custos, proteger o meio ambiente, gerar empregos e fomentar o uso de fontes de energias renováveis”, explicou. “Esse programa é um exemplo do cuidado que todos nós devemos ter no uso da energia”, completou.

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Paulo Cezar Magalhães Domingues, concordou com Skaf ao salientar o momento de escassez hídrica do país e o quanto saber administrar recursos energéticos é fundamental, colocando a eficiência energética como chave para evitar crises futuras e aumentar a resiliência das pequenas e médias indústrias para o desenvolvimento sustentável do país.

Segundo Ricardo Figueiredo Terra, diretor regional do SENAI-SP, indústrias que aproveitam os potenciais da eficiência energética são mais competitivas e produtivas, pois reduzem gastos evitáveis com energia, melhoram a operação e manutenção das instalações industriais, aumentam a valorização dos ativos e permitem a alocação de recursos na criação de novos empregos.

O PotencializEE irá fomentar a preparação e implementação de medidas, especialmente para a redução no consumo de combustíveis fósseis. Ao final dos quatro anos de vigência do programa, estima-se que a redução dos gastos das PMEs industriais com recursos energéticos deve chegar a um total de R$ 170 milhões.

Como resultado dos esforços, espera-se ainda estabelecer uma redução no consumo de energia elétrica e térmica nas indústrias, até 2024, da ordem de 7.267 GWh. As pequenas e médias indústrias serão também beneficiadas por ter colaboradores qualificados na eficiência energética e uma imagem corporativa positiva associada à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e a redução de poluentes do ar.

O impacto ambiental do programa referente à redução da emissão de gás carbônico na atmosfera é estimado em torno de 1,1 MtCO2e (milhões de toneladas de CO2 equivalente). Em nível nacional, o PotencializEE realizará simulações do efeito de novas políticas públicas nesta área para apresentar recomendações, promover tecnologias inovadoras, desenvolver novos mecanismos financeiros para este tipo de finalidade, entre outras ações.

Tais avanços ambientais foram foco nas falas do embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms; do Chefe de Cooperação da Delegação da União Europeia no Brasil, Stefan Agnel; e do Cônsul Britânico no Rio de Janeiro, Simon Wood. Segundo Thoms, trata-se de um projeto especial e um exemplo na integração dos interesses econômicos e ambientais em busca de modelos sustentáveis de negócios.

No foco da Cooperação Brasil-Alemanha ainda estão contribuições efetivas e mensuráveis para apoiar a implementação de metas estabelecidas no âmbito do Acordo de Paris, cujo principal objetivo é conter o aumento da temperatura média global para que não ultrapasse 2°C, de preferência 1,5°C.

Como funciona o programa 

As PMEs industriais (com menos de 499 funcionários), do estado de São Paulo, interessadas em participar devem se inscrever no site do PotencializEE para a realização de um pré-diagnóstico gratuito. Se for identificado potencial significativo de economia de energia, o passo seguinte é a contratação de um estudo mais profundo, subsidiado pelo programa, para a elaboração de um projeto de eficiência energética e, finalmente, sua implementação. Todo esse processo será conduzido por consultores do SENAI-SP especialmente capacitados para esse desafio.

A partir da definição dos custos, a indústria tem a opção de utilizar os mecanismos de financiamentos para aquisição de tecnologias e execução do projeto.

Ao todo, o PotencializEE pretende mobilizar até R$ 500 milhões para investimentos de baixo carbono em PMEs industriais por meio de instituições financeiras públicas e privadas. Para incentivar o interesse e a participação dos bancos e, assim, reduzir a necessidade de garantias por parte das industriais, será estabelecido um fundo garantidor de aproximadamente R$ 50 milhões, sendo preparado em parceria com a Desenvolve SP, banco do estado de São Paulo.

Tecnologias de ponta 

Uma das frentes do PotencializEE é oferecer recomendações sobre equipamentos disponíveis e confiáveis em eficiência energética que estejam de acordo com os padrões e normas técnicas e de desempenho energético esperados. Serão disponibilizadas no site do programa 15 diferentes categorias de tecnologias gerenciadas. Essa ação deve ajudar as PMEs industriais e consultores de eficiência energética na escolha de soluções eficientes. Na elaboração do catálogo de tecnologias de eficiência energética, o PotencializEE contará com a participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que está desenvolvendo novos mecanismos para o financiamento de eficiência energética em nível nacional.

“A indústria brasileira vai assumir esse papel central no desenvolvimento da eficiência energética com o uso de tecnologias de ponta e tantas outras ferramentas. Tudo isso poderá, futuramente, inclusive auxiliar-nos na elaboração de novas políticas públicas”, colocou o assessor da Diretoria de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Jefferson Soares, presente no lançamento.

Quer saber mais sobre o PotencializEE? Acesse programa-potencializee.com.br.