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Senai-SP começa novo curso para egressos do sistema prisional

Alunos iniciam curso na área de reparos automobilísticos; parceria entre Fiesp, AfroReggae e Sindirepa vai viabilizar inserção no mercado de trabalho

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Cerca de 20 egressos do sistema prisional começaram na segunda-feira (17/03) um curso de reparação de veículos na escola Senai Conde José Vicente de Azevedo. A unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), situada no bairro do Ipiranga, em São Paulo, é especializada na área de automobilística.

A iniciativa é resultado de uma parceria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com o Senai-SP e a organização não-governamental AfroReggae, além do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos (Sindirepa). O programa é gerido pelo Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp.

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Alunos assistem à abertura oficial do curso. Na foto, da esquerda para a direita, o diretor titular do Depar/Fiesp, Sylvio Alves de Barros Filho; o presidente do Sindirepa, Antonio Fiola; o coordenador do AfroReggae, Chinaider Pinheiro; e o diretor da escola, Fabio Rocha da Silveira. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


O Senai-SP proporciona a formação e a Fiesp fez um convênio com o Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos (Sindirepa) para que os alunos saiam do curso profissionalizante do Senai-SP com a possibilidade de um emprego formal. Já o AfroReggae fez a seleção dos egressos e mantém um acompanhamento do processo para a reinserção dos alunos à sociedade.

Na cerimônia de boas-vindas aos alunos, o diretor do Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp, Sylvio Alves de Barros Filho, reforçou a importância de que os alunos participem ao máximo das aulas.

“A nossa parte nós estamos fazendo. Agora, vocês têm que fazer a parte de vocês. Nós temos que tirar esse estigma de que uma pessoa não deve ter uma segunda oportunidade na vida”, disse Sylvio de Barros Filho aos alunos, explicando que o sucesso profissional da turma pode servir de referência para incentivar outros empregadores na contratação de egressos.

O diretor da Fiesp disse ainda que os alunos contam com uma bolsa-auxílio, com base nos recursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), e uma ajuda de custo extra, fornecida pela Fiesp, para a alimentação.

Após o evento, Sylvio de Barros Filho explicou que Fiesp e AfroReggae aprimoraram o projeto, com uma seleção mais criteriosa dos alunos e a disponibilização de uma psicóloga para acompanhar os alunos. “Temos grande chance de acertar mais. Eles [alunos] estão mais conscientes das coisas”, explicando que o elevado número de oficinas na cidade facilita encontrar vagas em localizações mais próximas das moradias dos alunos.

“Se a experiência der certo, ela pode ser repetida, solucionando um problema de carência de mão de obra e mostrando para a sociedade que é possível fazer reintegração de pessoas que tiveram problema na vida”, concluiu o diretor titular do Depar.

O coordenador de Empregabilidade do AfroReggae, Chinaider Pinheiro, também participou da aula inaugural, desejando sorte a todos.


O curso

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Sylvio de Barros Filho: “Se a experiência der certo, ela pode ser repetida, solucionando um problema de carência de mão de obra e mostrando para a sociedade que é possível fazer reintegração de pessoas que tiveram problema na vida”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

De acordo com Fabio Rocha da Silveira, diretor da escola do Senai-SP onde os alunos serão formados, o curso tem módulos diferentes dividido em duas turmas: uma para o aprendizado de suspensão, direção e freios; outra, para diagnóstico de motores. Para complementar, aulas de funilaria de brilho, o chamado martelinho de ouro, e polimento.

“Ou seja, vamos ter a possibilidade de fornecer a mão de obra para um setor que queira empregar alguns profissionais em suspensão, direção, freio, e outra turma que pode ir para a parte de reparação, periféricos e motores. Polimento, que é o que mais tem, e também a parte de martelinho de ouro. Esses são os desdobramentos”, disse o diretor da escola, que disse que todos os alunos serão tratados como alunos do Senai-SP – inclusive usando o mesmo uniforme.

Na visão de Antonio Fiola, presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos (Sindirepa), o Senai-SP, para o setor, representa a maior referência em aprendizado para reparação de veículos. “Eles saindo com um diploma do Senai-SP de 160 horas já é uma boa parte do caminho andado. Eles saem realmente com uma especialização acima da média de qualquer pessoa que inicie no setor hoje.”

O dirigente sindical reiterou que a entidade vai se mobilizar para contratar os alunos e que ele mesmo, em suas oficinas, deve abrir vaga para três ou quatro formandos.

“Nosso desejo é que as pessoas sejam contratadas e possam trabalhar porque sabemos que ainda existe um preconceito muito grande. A área tem uma carência de mão de obra muito grande e a gente quer suprir essa carência com os egressos. O que a gente mais deseja é que eles consigam concluir seu treinamento. E, depois desse treinamento, que cada um consiga achar exatamente a área em que vai atuar. Vamos colocá-los em oficinas multimarcas com várias atribuições. São oficinas com várias especializações para que cada um ache o seu caminho.”

O aluno com melhor frequência e capacidade de aprendizado, em avaliação que será feita pelo diretor da escola, vai ganhar um tablete. O presente que será concedido pela Fiesp.