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Seminário O ar que respiramos discute os principais mecanismos para controle da qualidade do ar no Estado de São Paulo

Criação de base de dados eficiente e ampliação do inventário de emissões atmosféricas foram alguns dos temas tratados por especialistas em painel do seminário O Ar que Respiramos

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

Os instrumentos para a gestão da qualidade do ar foram o tema do painel que marcou a tarde do primeiro dia do seminário O Ar que Respiramos, nesta quarta-feira (7/8). A diretora de Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (DIQUA/Ibama), Carolina Fiorillo Mariani, explicou parte da atuação do órgão que representa, que é a de homologar os veículos, concedendo Licença para Uso da Configuração de Veículo ou Motor (LCVM) e Licença para Uso da Configuração de Ciclomotores, Motociclos e Similares (LCM), além de controlar a Produção Veicular e formular as propostas de regulamentação.

De acordo com Carolina, a equipe do Ibama tem trabalhado para aperfeiçoar o sistema Infoserv/Proconve-Promot para ser adaptado às novas fases de gestão da qualidade do ar. “Estamos construindo uma interlocução com a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), para a regulamentação da aplicação de tecnologias importantes de gestão da qualidade do ar”, completou.

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Gabriel Murgel Branco pede urgência quanto à necessidade de se ampliar a produção dos inventários a fim de averiguar outros agentes emissores. Foto: Karim Kahn/Fiesp

O especialista e sócio diretor da Environmentality, Gabriel Murgel Branco, chamou atenção para o papel fundamental do Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos e alertou sobre a urgente necessidade de se ampliar a produção desses inventários para a averiguação de outros agentes emissores.

“A gestão integrada da qualidade do ar precisa ser monitorada. Um inventário aprimorado permite desenhar as estratégias para gestão, os critérios de ataques ao problema, o controle de qualidade na fabricação dos veículos e a alteração da composição dos combustíveis. Por exemplo, o chumbo desapareceu do ar porque foi retirado da gasolina. São estratégias como esta que fazem diferença na atmosfera”, reforçou Murgel Branco, que coordenou o desenvolvimento e implantação do Proconve, programa que reduziu mais de 90% da emissão veicular, no Brasil.

Segundo Maria Helena Martins, do Departamento de Qualidade Ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o órgão baseia sua gestão de qualidade do ar em um decreto cuja referência são os padrões traçados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “A nossa rede manual de monitoramento funciona desde 1973 e atualmente são 26 estações. Já a nossa rede automática abrange 72 estações com 12 mil dados coletados por dia. O trabalho é diário e os resultados podem ser acompanhados pela população”, informou. No site da Cetesb é possível acessar os relatórios diários e resumos de última hora: https://cetesb.sp.gov.br/ar/

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Maria Helena Martins lembrou que no site da Cetesb é possível acessar os relatórios diários e resumos em tempo real. Foto: Karim Kahn/Fiesp

Já para o professor do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Rodrigo More, é urgente a necessidade de o Brasil participar ativamente de reuniões e tratativas com a OMS. Ele reforçou a importância da formulação de um banco de dados e de informações sobre poluição atmosférica. Ainda de acordo com ele, seria importante, por exemplo, agregar o resultado das pesquisas científicas sobre poluição atmosférica a esses registros. “A poluição atmosférica causa grande impacto na saúde pública. União, Estados e Municípios têm de avaliar e tomar decisões certas sobre onde vão alocar recursos. Investir em saúde e em qualidade do ar significa investir em emprego e em desenvolvimento”, alertou.