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Secretário de saúde do estado debate com o ComSaude cenário pós-pandemia e pautas relevantes para o setor

Jean Gorinchteyn contextualizou os números, durante a crise sanitária, e explicou o que está sendo feito para zerar os atendimentos represados

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia (ComSaude) recebeu nesta terça-feira (23/11), o secretário de saúde do estado, Jean Gorinchteyn, como objetivo de avaliar, pautas relevantes para o setor e o cenário pós-pandemia, além do planejamento para 2022.

À frente do Comsaúde, Ruy Salvari Baumer, explicou ao secretário que o Comitê surgiu em 2007 com o propósito de melhorar o ambiente de negócios para a saúde no Brasil, o que envolve a indústria e também serviços e comércio, e quis saber o que haverá pela frente, uma vez que “caminhamos para o fim da pandemia”.

Já José Medina, diretor-superintendente do Hospital do Rim, frisou que a Covid está se despedindo do Brasil. Na Europa, o atual cenário se deve ao fato de as pessoas serem mais resistentes à vacina. Aqui, a retomada da economia e das atividades ocorre em um outro cenário, pois não se registrou nenhuma variante nova no país nos últimos seis meses. Para alterar essa perspectiva, precisaria ocorrer uma ‘coincidência’: a entrada de uma variante resistente à vacina.

Gorinchteyn, infectologista, explicou aos presentes as ações tomadas em função da pandemia de Covid-19, o plano de imunização colocado em curso e outras realizações da pasta. Para o secretário, os números estão arrefecendo – com registro de decréscimo há 15 semanas –, com a adesão à vacinação, o uso de máscara e as restrições estabelecidas, que se somam ao fato da população aderir à imunização, o que faz com que a realidade aqui seja diferente do exterior. “Estamos vencendo a Covid”, avaliou.

O secretário, em números apresentados, elencou os investimentos do Estado de São Paulo, R$ 2,19 bilhões, com 4.133 respiradores, e R$ 165,6 milhões alocados em kits intubação, outros 157,7 milhões em equipamentos de proteção individual (EPIs) e 16 hospitais de campanha levantados no momento do pico da pandemia, desafogando hospitais e também os filantrópicos e as Santas Casas. De acordo com ele, os recursos humanos foram conseguidos de maneira célere e com o apoio da iniciativa privada, impedindo que mais pessoas perdessem a vida.

Com a autorização emergencial para a Coronavac, a vacinação se iniciou em 17 de janeiro deste ano. “Hoje, 23 de novembro, foram aplicadas 76.251.116 doses e com 100% da população adulta vacinada com pelo menos uma dose. O número de internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) agora é de 2.541 e a taxa de ocupação se encontra em 22,1%, um patamar mais aceitável que reflete o esquema vacinal adotado. O próximo foco, segundo o secretário, é vacinar com a 3ª dose a população adolescente e passar a imunizar as crianças.

Ao tratar da importância do Sistema Único de Saúde, o SUS, o secretário enfatizou a importância da malha de 100 hospitais, 900 mil internações/ano e 83 ambulatórios existentes. Com mais 172 mil profissionais, Gorinchteyn frisou que o apoio dos filantrópicos e das Santas Casas foi fundamental no momento mais crítico, que deu celeridade às respostas e no aparelhamento dos hospitais e recrutamento de recursos humanos: “Pudemos ter melhora na qualidade, maior eficiência na gestão e maior agilidade”, disse.

Quanto aos próximos passos em relação à pandemia, o secretário afirmou que haverá um escalonamento para a ‘retirada’ da máscara e se deve repensar a saúde para daqui a dez ou vinte para se deixar um legado.

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O secretário de saúde do estado, Jean Gorinchteyn, apresentou aos membros do ComSaude da Fiesp as próximas ações da pasta. Fotos: Karim Kahn/Fiesp


Corujão da saúde

Com essa etapa controlada, para ele, agora é momento de voltar-se para outras doenças, pois se pediu à população que se mantivesse em casa, durante a crise sanitária, e tiveram sua condição clínica piorada. Eles precisam de uma resposta célere, por meio de corujões da saúde, com filantrópolicos, santas casas, mais a iniciativa privada. O secretário afirmou que estão sendo abertos hospitais no estado, como, por exemplo, em Bebedouro, Bauru e Suzano, além da oferta de novos leitos em Avaré e Taubaté.

Em sua avaliação, a parte mais sensível é a oncológica, com 335 mil exames represados, de 11 tipos, incluindo-se biópsias e sessões de quimioterapia, e afirmou que haverá serviços de radioterapia ofertadas em várias áreas do estado.

No corujão oftalmológico, diante de 23 mil exames represados, 16 mil cirurgias de catarata e retina na fila e a necessidade de 11,7 mil consultas médicas, houve investimento da ordem de R$ 14 milhões a fim de zerar esses números até o mês de dezembro. No corujão de órteses e próteses, R$ 25 milhões de investimentos, com 17 serviços prestados pela rede Lucy Montoro, quase 12 mil pessoas beneficiadas e 5.722 equipamentos entregues. As Santas Casas e os hospitais filantrópicos passam a receber R$ 1 bilhão e 200 milhões por ano de custeio e 25% a mais de recursos para convênios. O número de hospitais beneficiados com convênios do Estado passa de 130 para 333, e acordo com o secretário a saúde.

Também estão sendo feitos investimentos em saúde animal. No Programa Meu Pet, há a previsão de abertura de dez hospitais em todo o estado, com capacidade para 40 atendimentos/dia, 10 cirurgias/dia, atendimento regionalizado para urgências, emergências, internações e castrações. Eles estão em construção em Araçatuba e Votuporanga e os próximos serão em Piracicaba e Mogi das Cruzes.

Outro pontos abordados se referiam ao sistema interconsultas, plataforma com apoio especializado em 14 hospitais da rede que contou com investimento superior a R$ 25 milhões a fim de se evitar deslocamentos e atendimento agilizado. E, ainda, o Programa Bolso do Povo – Acolhe Saúde com a oferta de 3.800 bolsas, em parceria com a secretaria da Educação, voltado a estudantes de baixa renda das Ciência da Saúde e Biológicas com investimentos de R$ 28,2 milhões com vistas a futuro recrutamento, geralmente cursando o último ano do Ensino Médio.

Saúde mental 

Outro ponto de atenção é a saúde mental que deve ser olhada e mapeada, especialmente pós-Covid, afirmou Gorinchteyn, e um dos focos é o espectro autista. “Hoje há 300 mil autistas, mas esse número reflete o baixo diagnóstico feito. Para isso, serão capacitados profissionais da área de educação para estarem atentos aos sinais, bem como os próprios cuidadores, a própria sociedade, e também a criação de unidades de referência para atendimento específico. Depressão e esquizofrenia são outros pontos importantes, pois se deve “cuidar de todos de forma socializada e com os mesmos direitos”, completou.

O Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (Caism) da Vila Mariana será transformada no maior Centro Acadêmico Assistencial em Saúde Mental do Brasil, segundo o secretário, e a implantação de um novo serviço de psiquiatria no Hospital Padre Bento, em Guarulhos.

No Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em parceria com a Fundação Adib Jatene, dobrou-se a capacidade para a realização de cirurgias cardíacas pediátricas com investimento de R$ 2,5 milhões e a capacidade agora passa para 500 cirurgias/ano, informou ele, e o Hospital do Mandaqui contará com cirurgia intraútero, em parceria com o hospital Santa Joana.

Ao ser questionado pelo presidente do ComSaude se o Estado irá fomentar a indústria, para não depender tanto do exterior, em termos de insumos e tecnologia, o secretário respondeu que há parceria com a secretaria de Desenvolvimento a fim de fomentar e reinventar a saúde, pois em função da perda de renda, as pessoas migram para o serviço público.

O encontro pode ser assistido na íntegra, neste link.