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Ministro Sarquis vê comércio como instrumento fundamental para redinamizar economia no contexto atual

Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp teve como tema central as perspectivas e desafios do Brasil dentro do cenário econômico internacional

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Para o ministro Sarquis José Buainain Sarquis, secretário de Comércio Exterior e Assuntos Econômicos, a economia mundial se transformou sobremaneira desde 2008. “E quando se ensaiava retorno ao patamar que havia antes disso, a pandemia veio e levou o mundo todo a uma nova crise”, disse o palestrante em reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp. Para ele, o momento atual não tem precedentes na história e dificilmente a economia será igual ao que se viu antes de 2008.

O encontro foi dirigido pelo presidente do Coscex, o embaixador Rubens Barbosa, e realizado por videoconferência na manhã da quarta-feira (21/10) para debater o Brasil dentro do cenário econômico internacional e avaliar os desafios e perspectivas. O ministro Sarquis explicou que o crescimento observado de 2008 para cá se justifica, em grande parte, em função de incentivos fiscais. “Esperávamos que essas medidas fossem retiradas e voltássemos ao normal, em termos de política monetária e fiscal. Os EUA já esboçavam esse movimento, elevando a taxa de juros, mas aí fomos apanhados pela pandemia, que trouxe a crise atual”.

A diferença, segundo ele, é não saber onde tudo vai parar. “Estamos em mares nunca antes navegados, o que gera incertezas de curto, médio e longo prazo”, ponderou o ministro, que não vê o comércio internacional posicionado como grande fonte de crescimento das economias desde 2008. “Não quero desqualificar a importância do comércio, muito pelo contrário. Quero ressaltar a necessidade de darmos ao comércio ainda mais relevância, pois é instrumento fundamental para redinamizar e reestruturar a economia, sobretudo a brasileira, dentro desse novo contexto”, completou.

Brasil pode aproveitar momento para crescer – Sarquis disse ainda que as economias emergentes se beneficiaram muito desde 2008, especialmente a China, que soube se posicionar e tirar proveito da expansão do comércio internacional após aquela crise. “Mas esse ciclo dificilmente ressurgirá. As condições de crescimento serão outras, e o comércio internacional não deverá ser grande fonte de renda de economias que queiram aproveitar a convergência econômica no pós-pandemia”.

A reestruturação da economia internacional e das cadeias produtivas traz desafios enormes, mas também oportunidades, de acordo com o ministro. “O Brasil tem capacidade, talentos, recursos naturais. Por meio de boa diplomacia econômica, poderá integrar-se de modo mais dinâmico nas diferentes relações que se apresentarem”, ressaltou.

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Sobre a entrada do Brasil na OCDE, o ministro disse que o assunto é prioridade. Foto: Karim Kahn/Fiesp

Embora muito se fale em recuperação em “V” da economia mundial, Sarquis afirma que ela não se dará de modo rápido. “Haverá hiatos, essa curva pode ser mais lenta, gradual ou progressiva. Haverá alguns freios a esse crescimento. Alguns países deverão ter recuperação mais rápida. Como o Brasil não vinha de uma trajetória de crescimento forte, será mais fácil crescer agora, o que pode ser uma oportunidade”, inferiu.

A ascensão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é fundamental para que o país se posicione nos melhores padrões regulatórios e promova aproximação com as economias mais avançadas, com capacidade de disseminar tecnologias, gerar bons empregos, atrair investimento e integrar as diversas cadeias produtivas, segundo o ministro.

Ele destacou a importância dos acordos bilaterais e vê como estratégica a parceria com os EUA, para onde o Brasil consegue, mais do que outros países, exportar produtos com valor agregado. “A discussão é importante, porque passa pela revitalização de acordos com parceiros tradicionais, mas também com novos parceiros, a fim de dinamizar as relações por meio de mais integração de processos, cadeias produtivas e atração de investimentos”, avaliou. Mais do que se beneficiar com o saldo comercial gerado a partir das exportações, o país poderá fortalecer o mercado interno, fato observável em países que já se desenvolveram.

Sobre a entrada do Brasil na OCDE, o ministro disse que o assunto é prioridade. Quanto à Organização Mundial do Comércio (OMC), o que se deseja é “ver maior transparência e compromisso com a liberalização, baseado no princípio de economia de mercado e de abertura econômica”. Sarquis ainda destacou o apoio às negociações do Mercosul com vários parceiros e o acordo com a União Europeia, que vai além do agronegócio. E disse que a pasta negocia com outros parceiros importantes, tais como como Coreia do Sul, Canadá, Singapura e Japão, além de examinar perspectivas mais amplas em países asiáticos.

Sarquis explicou que atualmente a Secretaria não tem mais o departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, pois se optou por tratamento integrado a temas fundamentais. Por isso foram criados os departamentos de Agronegócio, Indústria e Serviços, Ciência e Tecnologia, Infraestrutura e Energia. E justificou: “Diferentes setores precisam ter tratamento integrado em suas diferentes dimensões. Queremos projetar o Brasil numa reestruturação da economia internacional, o que está em curso e trará excelentes oportunidades”, finalizou.