imagem google

‘Saneamento é primordial para o desenvolvimento sustentável’, diz diretor da Fiesp na abertura de encontro nesta terça-feira (08/10)

Carlos Cavalcanti destacou a importância dos investimentos na área também como uma questão de saúde pública

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“É preciso avançar muito no acesso à infraestrutura básica. Saneamento é primordial para o desenvolvimento sustentável”. Foi com esse alerta que o diretor titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),   Carlos Cavalcanti, abriu, na manhã desta terça-feira (08/10), o 3º Encontro de Saneamento Básico – Recuperar o Tempo Perdido, na sede da entidade.

Em sua apresentação, Cavalcanti traçou um panorama do problema no país. “Apenas 37,5% do esgoto no Brasil é tratado”, disse. “Tudo isso repercute na saúde da população, traz severas implicações para a saúde e para o meio ambiente”.

E isso não é tudo: “Em 2010, a Organização Mundial de Saúde colocava o Brasil em 9º lugar no ranking dos países nos quais mais pessoas enfrentam problemas como a falta de banheiro em casa”, explicou. “São 13 milhões de brasileiros nessa situação”.

De acordo com o diretor do Deinfra, mais de 2 mil pessoas morrem no Brasil todos os anos por problemas intestinais e gástricos. Entre as crianças, o índice de aproveitamento escolar para quem não tem acesso ao saneamento básico é 20% menor. “O acesso ao saneamento aumenta a produtividade e a renda do trabalhador”, afirmou.

Cavalcanti: implicações para a saúde pública e até para a produtividade do trabalhador. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Cavalcanti: implicações para a saúde e até para a produtividade do trabalhador. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Nessa linha, o saneamento foi analisado como uma questão de “saúde pública”. “Para cada R$ 1 investido em saneamento, são R$ 4 economizados em saúde”, disse Cavalcanti. “O saneamento melhora a saúde, a qualidade de vida e o desenvolvimento da economia”.

A questão da titularidade

De acordo com Cavalcanti, a Constituição não estabelece especificamente de quem é a titularidade do saneamento. Dessa forma, mesmo com a adoção de uma legislação específica sobre o assunto, em 2007, “perdeu-se a oportunidade de discutir universalização da titularidade e a competência da gestão”. “Assim, o risco de problemas jurídicos compromete a expansão da rede”.

Com isso, municípios menores ficam desabastecidos. “A dúvida sobre a titularidade inibe investimentos no setor”, explicou o diretor do Deinfra. “É preciso aumentar a participação na iniciativa privada na área, ter mais parcerias com o setor público”.

Nessa linha, a revisão tarifária é uma etapa essencial para a oferta eficiente dos serviços. “A agência regularadora tem como atribuição oferecer uma tarifa justa, que incentive o concessionário, mas seja justa com os consumidores”.

Combate às perdas

Segundo Cavalcanti, em 2010 as perdas das operadoras com vazamentos e ligações irregulares chegou a 6 trilhões de litros de água dispensados. “O Brasil precisa reduzir em 20 pontos percentuais esse desperdício para chegar ao nível da Austrália”, explicou.

No caso de São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) teve perdas de 30% em 2011. “Foi um total de 1 trilhão de litros”, disse. “A Represa de Guarapiranga, por exemplo, tem 171 bilhões de litros. Ou seja, as perdas da Sabesp equivalem a esvaziar seis represas por ano”.

Diante desse quadro, não resta outra saída além de “aprimorar a gestão das empresas”. “Precisamos de melhoria de gestão, planejamento, regulação e fiscalização”, afirmou Cavalcanti. “E essas mudanças passam pela definição da titularidade e por uma política de promoção da saúde pública”.

Ações em São Paulo

Também presente na abertura do 3º Encontro de Saneamento Básico na Fiesp, o secretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Edson Giriboni, disse que tem havido, em âmbito estadual, uma “mudança cultural para colocar o saneamento como prioridade de governo”. “Buscamos a universalização naquilo que é responsabilidade do estado”, disse. “A Sabesp está investindo mais de R$ 2,4 bilhões”.

De acordo com o secretário, nos últimos quatro anos, foram entregues ou estão em obras 170 novas estações de tratamento e esgoto. “Mais de 80 dessas estações estão em pequenos municípios. E isso com recursos do estado”.

Giriboni: 170 novas estações de tratamento e esgoto no estado de São Paulo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Giriboni: 170 novas estações de tratamento e esgoto no estado de São Paulo. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Na Bacia do Tietê, conforme Giriboni, está em curso o “maior programa de despoluição do mundo, com mais de R$ 5 bilhões investidos”. “Temos em São Paulo famílias com o esgoto não canalizado na porta de casa, com a fossa ao lado da cozinha”, disse. “Precisamos sair do discurso e encontrar soluções”.

Entre essas saídas, informou o secretário, está um programa de saneamento nas comunidades rurais. “Esse é um projeto difícil, longe, extenso e caro feito com recursos do governo do estado”.

Na Sabesp, segundo Giriboni, a meta é investir para chegar em breve a um patamar de perdas em torno de 17%. “O estado de São Paulo tem procurado fazer a sua parte, abrir várias frentes” disse. “Contamos com a parceria da iniciativa privada para vencer esse desafio”.

Primo pobre

Para o vice-presidente e diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, o saneamento é um dos setores “mais defasados da infraestrutura”. “O saneamento é o primo pobre da infraestrutura. Temos um quadro crítico que repercute na saúde pública e no meio ambiente”, afirmou.

Segundo Reis, a questão do saneamento “não pode ser tratada isoladamente”. “São questões que transcendem os municípios e as regiões”. Tanto que a Fiesp estimula as empresas a fazerem a sua parte. “Mais de 80% das indústrias de São Paulo adotam práticas para reduzir o consumo de água”, afirmou.

Reis: saneamento é um dos setores mais defasados da infraestrutura. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Reis: saneamento é um dos setores mais defasados da infraestrutura. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Logo em sua primeira gestão, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criou o Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água”, disse. “A Fiesp está engajada e quer tirar da lista de desafios essa questão de deixar o saneamento sempre para segundo plano”, explicou.

Para ler na íntegra o discurso de abertura do evento feito pelo diretor titular do Deinfra, Carlos Cavalcanti, só clicar aqui.