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Salário não é o principal fator de retenção de mão de obra, segundo professor da FEA-USP

Luiz Stevanato afirma que toda empresa precisa de gestão de pessoas

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Há uma ênfase excessiva no papel do salário para retenção das pessoas. A afirmação é de Luiz Stevanato, doutor em administração de empresas e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

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Luiz Stevanato, professor da FEA-USP

Ao participar do painel A gestão de pessoas alinhada à estratégia das micro e pequenas empresas, durante o VII Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI),  Stevanato disse que, mesmo com o aumento salarial, o trabalhador, em pouco tempo, estará novamente insatisfeito.

Na visão do professor há outros fatores mais relevantes para reter mão de obra: política adequada de remuneração, benefícios e carreiras; preferência a quem tem facilidade de acesso ao local de trabalho; avaliação da personalidade e de valores mais adequados à empresa; objetivos desafiadores e premiação; avaliação do desempenho e feedback – o gestor precisa ser treinado para isso; ouvir com atenção as pessoas (isso muda a qualidade da relação); e criar um ambiente mais acolhedor.

O painel também abordou temas como retenção de talentos, capacitação empresarial, área de recursos humanos estratégica, benefícios e cargos e salários. “O gestor deve tomar muito cuidado com quem contrata. Os critérios mais usados para avaliar um profissional são: resultado, competência e personalidade”, afirmou Stevanato ao ressaltar que “é preciso discutir qual sistema de RH melhor se adequa ao seu negócio”.

O professor alertou ainda que, embora a mão de obra seja abundante, há escassez de qualificação, principalmente porque o índice de analfabetimo funcional é uma realidade. “Todo empresário enfrenta essa difícil situação”, afirmou Stevanato.

Segundo ele, as empresas precisam saber dimensionar e escolher diferentes sistemas de gestão de pessoas. “É preciso encontrar um caminho para conduzir a gestão de RH da sua empresa”, aconselhou Stevanato ao apresentar um estudo que mostrou empresas do mesmo segmento que atuam com diferentes modelos de estratégia em gestão de pessoas.

“Quem é gestor de uma empresa – pequeno ou grande – não resolve um problema, mas gerencia a confusão. Você faz o melhor que pode para administrar uma situação”, afirmou.

Ao finalizar, o professor lembrou que toda empresa, seja de pequeno, médio ou grande porte, precisa de um sistema de gestão de pessoas, e que um sistema de RH de baixo custo não significa má remuneração ou se afastar da realidade do mercado: “você vai ter que descobrir formas para se adequar ao mercado e não ficar para trás”, concluiu.