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Rondônia investe R$ 20 bilhões em hidrelétricas

Previstas para 2012, as usinas de Jirau e Santo Antônio fornecerão energia a todo o País; projeto já empregou mais de 10 mil trabalhadores

Agência Indusnet Fiesp

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Denis Roberto Baú, presidente da Fiero. Foto: Vitor Salgado

Um complexo energético formado pelas usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas em acelerado processo de construção no rio Madeira, gira um investimento estimado em R$ 20 bilhões no estado de Rondônia.

Com inauguração prevista para 2012, são consideradas duas das maiores obras de infraestrutura energética do País. Além disso, os projetos não possuem somente importância local, pois sua capacidade contemplará grande parte do território brasileiro.

“Antes existia uma barreira virtual em Rondônia: a energia do Brasil chegava até o centro-oeste e parava. A construção das usinas mudará totalmente esse quadro, o que é muito bom para o País, porque nossa energia é mais barata”, ressaltou o presidente da Federação do Estado de Rondônia (Fiero), Denis Roberto Baú, durante a abertura da Semana de Rondônia em São Paulo, realizada nesta terça-feira (9), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em resposta a este investimento, a economia local está investindo fortemente na qualificação e treinamento de mão de obra especializada que, até agora, já empregou mais de 10 mil trabalhadores, informou Baú.

A usina de Jirau terá 46 turbinas, com potência de 3300 MW. Já a de Santo Antônio, que contará com 44 turbinas, tem capacidade para gerar até 3150 MW. “A indústria nacional que pretende prosperar com competitividade tem que apostar no potencial do nosso Estado”, enfatizou o presidente da Fiero.


Entusiasmo e crescimento

A venda do milho, exemplificou, tornou-se a mais importante fonte renda vegetal de Rondônia, sobretudo na exportação. Houve também um aumento considerável na produção de leite nos últimos cinco anos, devido à modernização das Bacias Leiteiras de Ouro Preto do Oeste e de Jarú.De acordo com o deputado federal Rubens Moreira Mendes (PPS/RO), os empreendimentos rondonienses vêm crescendo consideravelmente nos últimos anos. O cenário promissor se deve ao extenso mercado consumidor ao redor do estado, cuja localização favorece o escoamento de seus produtos.

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Rubens Moreira Mendes, deputado federal. Foto: Vitor Salgado

“O nosso café chegou a segunda maior produção do Brasil e a maioria do queijo consumido em São Paulo vem de lá”, complementou Mendes.

O gado de corte também recebe destaque na região. Segundo o deputado, atualmente, Rondônia conta com 12 milhões de cabeças de “boi verde”, um tipo que é alimentado somente com pastagem e, por isso, não causa impactos ecológicos significativos.

Em tom de denúncia, Mendes disse que outra atividade que poderia crescer, mas não possui incentivo federal para isso, é a madeireira. De acordo com ele, o madeireiro está sendo “massacrado” pela legislação ambiental e pela atuação do Ibama. “O ministro [do Meio Ambiente] trata essa questão de forma irresponsável, pois prejudica um setor muito importante da economia”, defendeu.


Ciclos Econômicos

Há 40 anos, Rondônia ainda não tinha status de estado. Considerado um território federal, contava somente com duas cidades – Porto Velho (capital) e Guarajá-Mirim – e possuía cerca de 80 mil habitantes.

Discorrendo a respeito da história do estado, Mendes explicou aos participantes do encontro que Rondônia contém inúmeros “Brasis”, já que foi constituído por migrante de todos as regiões: “A mistura de povos e miscigenação são características do nosso estado”.

Passando pelos ciclos econômicos rondonienses, o deputado destacou dois que tiveram maior peso para a então incipiente economia local.

  • O extrativismo vegetal da borracha – uma das primeiras atividades desenvolvidas em Rondônia. Deu-se, principalmente, pelo chamado “esforço de guerra”, movimento de colonização realizado por soldados baianos a pedido da República. Forte até hoje na região, conta também com o cultivo de castanha-do-pará e outros produtos florestais.
  • O extrativismo mineral – outra atividade econômica importante, inicialmente era feita através do garimpo manual, de característica predatória. Depois de consolidadas políticas de atração industrial, focada na exploração da cassiterita (minério derivado do estanho), a extração tornou-se bem menos penosa para o trabalhador e para o meio ambiente.