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Retrospectiva 2013 – Para diretor de Economia da Fiesp, ano não será lembrança agradável

Paulo Francini, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), avalia que não há esperanças a curto prazo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

“2013 vai ficar no passado como um ano não agradável de ser lembrado”. A avaliação, frustrante, do ano é do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Francini.

A atividade industrial de São Paulo, medida pelo INA, deve encerrar o ano com ganho de 2,5%. Embora seja positivo, o crescimento não recupera as perdas registradas em 2012, quando a produção manufatureira paulista, na mesma medida, caiu 4,1%.

Ao longo do ano, o Depecon divulgou 11 índices de atividade industrial de São Paulo.  De janeiro a outubro de 2013, o INA registrou variação positiva de 2,8%.

O comportamento do setor manufatureiro em novembro e dezembro será conhecido no começo de 2014, quando a divulgação dos índices retoma a agenda. Mas Francini alerta que o resultado do ano está fadado a ser “medíocre”.

A queda expressiva do indicador que mede a percepção dos empresários paulistas do cenário econômico corrobora as projeções de Francini. Em novembro deste ano, o Sensor registrou a pior taxa desde dezembro de 2012, com 47,4 pontos.  Com exceção do item Estoque, que está em 50 pontos, a leitura do componente indica estabilidade.

Na ocasião da divulgação do índice, no final novembro, Francini afirmou que “o Sensor indica para não termos esperanças no curto prazo”.

O diretor chegou a reconhecer uma “lufada de otimismo” percebida no começo do ano, mas ela perdeu força ao longo dos meses. “Eu diria que o desempenho da economia está vindo de frustração em frustração”, acredita o diretor da Fiesp.

Francini continua analisando o desempenho de 2013 no que diz respeito à performance da indústria e conclui que “a perspectiva que existia no início do ano foi se deteriorando por efeitos diversos já partir de meados do ano com as manifestações. As incertezas tomaram lugar das eventuais certezas, a própria perceptiva do empresário caiu”.

Emprego

A rota de desaceleração na atividade da indústria também pôde ser verificada no mercado de trabalho do setor manufatureiro paulista ao longo do ano.

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Mensalmente, a Fiesp acompanhou o Nível de Emprego na Industria


Francini, que chegou a prever um saldo positivo em 15 mil empregos criados em 2013 pela indústria, acredita que o ano pode apresentar uma taxa negativa em geração de novos postos de trabalho.  Ele projeta uma perda de ao menos 20 mil empregos para a indústria paulista até o final de 2013.

Na última divulgação do ano, o Depecon apurou na Pesquisa de Nível de Emprego que a indústria paulista demitiu 12.500 funcionários em novembro.

Último item da pauta da indústria a sentir os reflexos positivos de uma eventual recuperação ou os negativos, o emprego na indústria de São Paulo sucumbiu ao baixo crescimento da produção também verificado no ano.

“Ele é o ultimo a crescer e, quando há redução, é o ultimo a cair. Havia a convicção de que existia um excedente de pessoal nas empresas motivado por uma questão de custos de demissão, de dificuldades em caso de reposição de funcionários”, afirma Francini em uma das divulgações da Pesquisa de Nível de Emprego, indicador da Fiesp que mede o nível de contratações e demissões no setor manufatureiro de São Paulo.

“Evidente que a paciência vai se esgotando diferentemente de empresa para empresa e esse esgotamento faz com que as empresas demitam. Isso está, sim, acontecendo”, acrescenta.

Comportamento dos juros

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Fiesp se pronunciou sobre as atas do Copom, divulgadas pelo Banco Central

Em trajetória de alta, a taxa básica de juros Selic, controlado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltou ao patamar de dois dígitos após ser mantida em um digito por 20 meses.

Francini pondera, no entanto, que “a alta da taxa de juros era inevitável” em função do andar da inflação e desconfianças que acompanharam a trajetória fiscal.

“(O BC) teve de dar um passo atrás. Até existem críticas quanto à ação ter sido tardia em resposta ao quadro inflacionário, mas eu acredito que foi no limite do que poderia ser dada a inação de outros setores do governo”, avalia o diretor do Depecon.

O Copom elevou a Selic pela primeira vez no ano em abril, de 7,25%, menor patamar da história, para 7,50% ao ano, sem viés. Foram seis votos favoráveis à elevação. Dois membros do comitê votaram pela manutenção da taxa.

Na ocasião, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, classificava a decisão como equivocada”.  Ele argumentava que “a nova política econômica deve ousar no sentido de aumentar os investimentos públicos, controlar os gastos de custeio, criar um ambiente favorável ao investimento privado e, de forma corajosa, finalizar as reformas que promovam a desindexação da nossa economia”.

Em novembro deste ano, a Selic retomou o patamar de dois dígitos ao ser decidida em 10% ao ano. Para Skaf, “essa política econômica já não funciona mais. Se queremos resultados diferentes, precisamos fazer diferente. O Brasil precisa de um novo foco na política econômica: maior controle dos gastos, mais investimento público, mais concessões e menores taxas de juros. Só assim voltaremos a ter o crescimento que a sociedade demanda e merece”.

Jurômetro

Desde 2011, a Fiesp disponibilizou em seu site o Jurômetro,  uma ferramenta para acompanhar os gastos com Juros do governo, e o quanto esses recursos poderiam ser melhor utilizados em benefício da população.