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Retrospectiva 2013 – O ano em que a biotecnologia entrou nas decisões estratégicas de desenvolvimento e competitividade industrial

Setor passou a fazer parte das decisões do governo e a Fiesp promoveu ações relevantes com foco em inovação, investimentos, educação e internacionalização

Dulce Moraes, Agência Indusnet

Um ano de avanços e, também, de retrocessos para indústria brasileira de biotecnologia. Essa foi a avaliação do coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Biotecnologia e da Bioindústria (Combio/BioBrasil), Eduardo Giacomazzi, sobre o ano de 2013. “O fato de a Fiesp ter começado a entender melhor esse assunto demonstra que a indústria acordou para um assunto que é estratégico”, afirma.

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Ministros (da esq. para dir: Raupp, Padilha e Pimentel) apresentam Plano Inova Brasil na Fiesp. Foto: Everton Amaro/FIESP

Giacomazzi também destaca como pontos positivos o Plano Inova Brasil  (apresentado na Fiesp, no mês de abril, pelos Ministérios da Saúde, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento e Indústria) e o início das discussões sobre a Lei de Acesso à Biodiversidade, com a entrada da Fiesp no debate.

“O Plano mostra que há um olhar diferente do governo para o setor, buscando trazer mais investimentos para área, puxados, especialmente, pelos biofármacos e energia, com o etanol”, afirmou.

Por outro lado, o coordenador do Combio acredita que o debate sobre a Lei da Biodiversidade, que já se iniciou, deverá ser dez vezes mais complexo do que foi o do Código Florestal, exigindo muito mais força da Fiesp sobre esse tema em 2014.

Educação em ciência

A triste notícia do ano para o setor, na visão de Giacomazzi, foi a invasão do Instituto Royal e a destruição de todas as pesquisas lá feitas. “Isso travou até dez anos de investimentos em pesquisa científica no Brasil. E sem esse centro de experimento pré-clínico vamos continuar dependentes do exterior e importando este tipo de estudo, fundamental para a aprovação de novos medicamentos”, explica.

O coordenador do Combio classificou o episódio como “um ataque decisivo ao futuro da indústria de biotecnologia, especialmente na área de saúde”, que já tinha um atraso de 20 anos em pesquisas. O incidente, segundo ele, demonstrou o quanto é crítica falta de conhecimento da população para o tema, fato que tem motivado o Comitê a considerar o item “educação” como um dos enfoques estratégicos.

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Em abril, foi assinado protocolo para criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia, durante reunião do Comsaúde e Combio da Fiesp

Os outros item que completam a matriz estratégica definida pelo Combio são: inovação, investimentos e internacionalização. “A gente precisa colocar a educação profissional e a pesquisa aplicada no centro da discussão e e o Senai-SP é um braço forte para isso”, diz. “O Brasil precisa ter investimentos em inovação e a Lei da Biodiversidade poderá garantir mais acessos aos recursos da biodiversidade brasileira e gerar mais produtos, novas moléculas, novos remédios, cosméticos e etc”, explica Giacomazzi.

A Lei da Biodiversidace, que tratará também do acesso aos recursos genéticos, foi alvo de debates em reunião na na Fiesp, no mês de novembro. Na avaliação do coordenador do Combio, a indústria de biotecnologia, por ora, está travada nesse quesito e, nos próximos anos continuar dependente da indústria farmacêutica mundial (pela falta de centro pré-clínico próprio).

“Como ainda falta uma visão de política pública que apoie a ciência tecnologia no Brasil, a internacionalização das plataformas de pesquisa e desenvolvimento pode ser um caminho”, diz. “As parcerias com instituições internacionais, como as da Holanda, com quem temos estreitado relacionamento, é um meio para nossa indústria dar um salto”, explica o coordenador do Combio.

Relembre os principais momentos do ano no setor:  

Durante encontro com o chefe do setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia no Brasil, Piero Venturi, no mês de março, foi inaugurada a área de Biotecnologia no portal Fiesp. Informações do Comitê e assuntos relevantes para a cadeia produtiva passaram a ser divulgados neste canal online.

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Os principais desafios para o setor foram sinalizados pelo coordenador do Combio, Eduadro Giacomazzi, em entrevista ao portal da Fiesp.

Em abril, o Plano Inova Brasil foi apresentado na Fiesp, pelo Ministro da Saúde, contemplando um pacote de incentivos para estimular setores, como biofármacos e energias renováveis.

No mesmo mês, o Combio recebeu a comitiva do Dutch Polymer Institute, antecipando a missão empresarial aos Países Baixos realizada, em maio, onde empresários brasileiros puderam visitar os principais centros de inovação e empresas holandesas para avaliar perspectivas de futuros, além de acordo na área de bambu.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1561465791A legislação brasileira sobre acesso aos recursos genéticos e  repartição de benefícios foi alvo de análise em reunião promovida pelo Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, antecipando os debates sobre o Projeto de Lei da Biodiversidade.

No mesmo mês, o coordenador do Combio passou a integrar o Comitê de Mudança do Clima da Fiesp e participou de seminário durante a Bio Convention, maior feira internacional da bioindústria, em Chicago, Estados Unidos.

A importância dos avanços da biotecnologia para a área ambiental foi um dos focos do Seminário Biorremediação de Áreas Contaminadas Complexas, no mês de julho em parceria com empresas holandesas.

Criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia é comemorada pelo diretor regional Walter Vicioni

Criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia é comemorada pelo diretor regional Walter Vicioni

A assinatura do protocolo para criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia foi o grande destaque do mês de julho, que deu início a uma programação de workshops setoriais (visando entender gargalos e lacunas do ponto de vista da formação profissional) e a realização de visitas técnicas aos principais centros de pesquisas de referência no País e industrias farmacêuticas.

Em outubro foi realizado encontro com um grupo de empresas incubadas do Cietec e Agencia USP de Inovação. Em setembro, foi realizado o primeiro Workshop para empresas do setor farmacêutico e de biofármacos. Em novembro, foi realizado o pré-workshop para o setor de Cosméticos, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec). Em 2014, serão realizados workshops para empresas do setor de energia, biomateriais e defesa.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1561465791Além das visitas técnicas aos centros de pesquisas internacionais, o Combio também conheceu as instalações e as inovações do Instituto Butantan, em São Paulo, do Laboratório Nacional de Biotecnologia, em Campinas, e também o indústria de biofármacos Cristália, em Itapira.

A Fiesp, por meio do Comitê de Mudanças Climáticas com colaboração do Combio, encaminhou proposta de emenda ao Projeto de Lei de Biodiversidade, com destaque a reformulação do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen) e sugestão de inclusão de representantes da Fiesp neste fórum.

No início de outubro, o Combio promoveu, na Fiesp, um encontro com representantes da organização internacional BIO (Biotechnology Industry Organization) e mais de  20 representantes do setor de biotecnologia industrial (biocombustível e química).

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Parceria estabelece compartilhamento de conhecimentos sobre responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, instrumentos regulatórios e econômicos bem como tecnologias. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na mesma semana, durante a reunião do Comitê de Mudanças Climáticas, o Combio recebeu a ministra de Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Baixos, Lilianne Ploumen, e assinou acordo para troca de informações e experiências, com enfoque nas tecnologias de descontaminação do solo, tratamento de água e transformação de resíduos sólidos em energia.

Em novembro, o coordenador do Combio realizou nova visita técnica na Holanda, sendo convidado a participar como conferencista no Festival de Tecnologias de Fronteira (Border Sessions Festival).

Desafios para 2014

Para o Brasil entrar no mapa da Bioindústria mundial é preciso conhecer o seu próprio mapa. Por isso, um dos desafios para o próximo ano é realizar um mapeamento da bioindústria brasileira. “O mapa é estratégico e posicionará a Fiesp no cenário nacional e internacional”, afirma o coordenador do Combio. O Mapa da Bioindústria será realizado pelo CEBRAP, em parceria com o Biobrasil-Comitê da Bioindustria e com o Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp e tem o apoio do Senai-SP.

O Combio participará efetivamente da Semana do Meio Ambiente da Fiesp, pois, de acordo com Giacomazzi, está muito claro que a biotecnologia, como inovação, vai chegar à indústria a partir do tratamento de seus resíduos e processos industriais sustentáveis, o que é fundamental para o desenvolvimento de uma economia de base biológica.