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Retrospectiva 2013 – Apesar das dificuldades enfrentadas pelas indústrias, ano trouxe mais união ao setor couro-calçadista

Ao longo do ano, Comcouro promoveu reuniões itinerantes para ouvir dificuldades e soluções propostas pelos empresários dos polos calçadistas

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

“Um ano que andou de lado”. Assim foi 2013 para setor de couro e calçados, na avaliação do coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Couro, Calçados e Acessórios (Comcouro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Samir Nakad. “Não foi um ano de grandes conquistas e o consumo se apresentou menos linear do que nos anos anteriores, provocando nas empresas, em alguns momentos, ociosidade e, em outros poucos momentos, certa demanda extra“.
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Mas há motivos para otimismo. “Temos expectativa de sermos brindados com melhores momentos, tanto no fechamento do ano como em 2014. Esperamos que as lojas tenham volume menor de estoque, pois, neste ano os lojistas não compraram muito com receio de não haver consumo”.

De 2013, ele destaca uma boa lição: a união faz a força. “Apesar de todas as dificuldades, tanto de mercado como na questão tributária, estamos trazendo os empresários mais perto, buscando a união e nos fortalecendo à medida em que estamos juntos”, afirma.

Ao longo do ano, o Comcouro realizou reuniões itinerantes pelos principais polos calçadistas paulistas. Em março, a reunião plenária foi realizada em Franca reunindo empresários locais para debater temas como a redução do IPI para artefatos de couro e acessórios, a ampliação da oferta de crédito, a diminuição de encargos trabalhistas, a terceirização e medidas de salvaguarda para calçados e artefatos.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1561465968Em junho, o comitê se reuniu no polo calçadista de Jaú, no interior de São Paulo, e tomou conhecimento sobre a situação atual do setor de curtumes (importante elo da cadeia produtiva), por meio de palestra do presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB), Fernando Bello. Nessa ocasião, também foram visitados o Núcleo de Inteligência Inova Paula Souza e o Sistema de Inteligência Competitiva das Indústrias de Couro, Calçados e Artefatos (Siscompete), na cidade.

Em outubro, na cidade de Birigui, também em São Paulo, foram apresentados dois projetos importantes para o setor: o do selo de procedência do calçado de Franca e o projeto de varejo colaborativo. Em 2014, essas inovações poderão ser implementadas em outras regiões do estado. Como o polo de Birigui é voltado ao calçado infantil, os membros do comitê realizaram uma ação social, visitando o Instituto Pró Criança, na cidade.

Para o coordenador do Comcouro, as reuniões in loco foram decisivas para se conhecer a realidade das empresas do setor. “Além de legitimar a atuação do Comitê, essas reuniões deram aos empresários locais a oportunidade de se manifestarem sobre suas necessidades, sobre as dificuldades e suas propostas de eventuais soluções”.

Mais informação para o setor

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No mês de junho, a cadeia produtiva do couro, calçados e acessórios ganhou um novo canal de comunicação: uma página dedicada ao tema no portal da Fiesp.  Por este canal foram divulgados estudos, noticias e eventos do setor.

No mês de julho, por exemplo, foi divulgada pelo site, como a participação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), a  45ª Francal  – Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios .

As tendências das próximas estações  foram apresentadas na 4ª Semana Senai Mix Design – Outono/Inverno 2014, evento  promovido pelo Núcleo de Tecnologia e Design do Couro e do Calçado do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), para apresentar .

Modelo de produção do calçado customizável, desenvolvido em escola do Senai-SP em Franca. Foto: Divulgação

Um calçado customizável, desenvolvido pela Escola Senai em Franca, que mereceu o Prêmio Inova Senai, em setembro, também foi destaque na página.


Mercado Externo

Nos primeiros nove meses do ano, as exportações de calçados tiveram leve alta em relação ao mesmo período do ano passado: houve aumento de 9,4% em pares e 0,9% em valores no comparativo, segundos dados do MDIC e Abicalçados.

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Heitor Klein, presidente da Abicalçados. Foto: Everton Amaro

O presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, apresentou, na reunião do Comcouro, em abril, as informações de empresas brasileiras que estão se inserindo no mercado chinês.

O lider empresarial ressaltou que estão no radar da entidade os mercados russo, norte-americano e francês.

Velhos problemas, novas soluções

Alta carga tributária e encargos trabalhistas continuaram, em 2013, a ser grandes entraves para a competitividade da cadeia produtiva de couro, calçados e artefatos.

O fato de a contribuição ao INSS passar a ser calculada sobre o faturamento, e não mais sobre a folha de pagamento, foi uma boa conquista em 2012 que teve reflexos em 2013. “Foi uma boa medida, mas insuficiente. Toda cadeia produtiva está muito carregada de impostos e das taxas das mais diversas. Para ter mais produtividade, deve haver redução substancial dos tributos e também dos encargos trabalhistas”.

Em fevereiro, durante a reunião conjunta com o Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, foram avaliadas mudanças na aplicação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para essas duas cadeias produtivas.

Soluções para ampliar o faturamento, como as vendas pela internet, também foram apresentadas no encontro.

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Reunião conjunto dos Comitês da Cadeia Produtiva Têxtil (Comtextil) e do Couro, Calçado e Acessórios (Comcouro)

No mês de junho, em entrevista ao portal da Fiesp, Samir Nakad destacou os principais desafios da cadeia produtiva e a necessidade de eliminar entraves para mantê-la competitiva.

Entre as dificuldades, ele desta o alto custo dos encargos trabalhistas à escassez de profissionais para atender ao percentual de contratação de pessoas com deficiência exigido por lei, a indefinição sobre a questão de terceirização e o fato de mão de obra e marketing não entrarem no cálculo do PIS/Cofins.

Torcida grande para 2014

Em 2014 – ano de Copa do Mundo – as indústrias da cadeia produtiva do couro e calçados esperam fazer gol. “Todo esse clima de brasilidade e de alegria pode trazer mais consumo. Embora saibamos que o calçado irá concorrer com outros produtos, como eletrônicos e outras coisas que as pessoas que vão utilizar na Copa, estamos otimistas”.