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Resultado do PIB no primeiro trimestre deve ser o melhor do ano

Para a indústria, o cenário é desafiador

Agência Indusnet Fiesp

O PIB cresceu 1,0% no 1º trimestre de 2022 na comparação com o último trimestre de 2021, sem efeitos sazonais. O resultado veio um pouco abaixo da expectativa do mercado, que esperava alta de 1,2%. O principal destaque, pela ótica da oferta, foi o setor de serviços que exibiu aumento de 1,0% sobre o 4º trimestre de 2021. A despeito do ciclo de forte alta dos preços das commodities, o PIB da agropecuária recou 0,9% no 1º trimestre, refletindo a queda na produção de alguns produtos agrícolas, como soja, cuja safra é significativa no período. Pelo lado da demanda, em linha com a expansão dos serviços e um comércio varejista resiliente, a contribuição positiva para o PIB no 1º trimestre veio do consumo das famílias (+0,7%), além de um forte aumento das exportações (+5,0%). Por outro lado, a formação bruta de capital fixo (investimentos) apresentou desempenho negativo ao cair 3,5%, resultado explicado pelo recuo do consumo aparente de bens de capital.

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O desempenho da atividade econômica surpreendeu positivamente no início de 2022. O setor de serviços seguiu impulsionado pelo processo contínuo de reabertura de alguns segmentos. Adicionalmente, a recuperação do emprego e o aumento da massa salarial ampliada, devido às transferências de renda do governo federal, sustentaram o consumo, refletindo na reação do comércio varejista no 1º trimestre de 2022. O aumento da massa salarial ampliada (incorpora, além da massa salarial, as transferências de renda do governo como a liberação do FGTS e a antecipação do 13º salário para aposentados) mitigou os efeitos negativos do patamar elevado da inflação e do aperto monetário sobre o varejo. A indústria de transformação, por sua vez, apresentou crescimento de 1,4% na comparação com o último trimestre de 2021. Apesar do desempenho positivo, este segmento ainda está 1,2% abaixo do nível pré-pandemia (4º trimestre de 2019), enquanto a economia como um todo está 1,6% acima deste nível.

Para o 2º trimestre, e principalmente na segunda metade do ano, a expectativa é de arrefecimento do PIB. Nessa perspectiva, o resultado do PIB no 1º trimestre deverá ser o melhor para o ano. A perda de fôlego estará associada aos efeitos defasados do expressivo aperto monetário implementado pelo Banco Central, do esgotamento do processo de reabertura no setor de serviços, das incertezas em torno do processo eleitoral e do comércio internacional, fatores que deverão pesar sobre a evolução da atividade econômica. Sobre o cenário externo, esse deverá ser menos favorável para a economia brasileira devido ao processo de aumento dos juros globais.

Para a indústria, o cenário também é bastante desafiador devido ao substancial aperto monetário, o qual afeta os canais de crédito, fundamentais para a dinâmica da indústria de transformação. Importante destacar que os efeitos negativos do aumento da taxa de juros sobre a indústria de transformação são mais expressivos do que para a economia como um todo. A FIESP estima que um aumento de 1,0 p.p da taxa real de juros tem impacto sobre o PIB da indústria de transformação superior a 50% ao que ocorre no PIB total. Ademais, permanece a pressão de custos advinda do alto patamar da inflação e, ainda que em menor medida, persistem desequilíbrios nas cadeias globais de suprimentos.

Diante dos fatos descritos anteriormente que impactaram as revisões do PIB em relação ao início do ano, a projeção da FIESP para o resultado do PIB em 2022 passou de estabilidade (0,0%) para crescimento de 1,3%. No entanto, no caso da indústria de transformação, de posse das informações presentes até o momento, a projeção é de queda de 1,2%, que se confirmada, será o sexto recuo do PIB do setor num intervalo de dez anos.