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Representantes do setor calçadista se reúnem para debater melhorias

Fortalecimento da imagem e decretos que têm impacto setorial também foram destaque na pauta

Alex de Souza e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A imagem do calçado brasileiro é boa no exterior, mas como converter essa percepção internacional em mais negócios foi uma das questões levantadas por representantes dos setores de couro e de calçados em reunião ocorrida na Fiesp, nesta segunda-feira (17/2). Com a mediação de Samir Nakad, presidente do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (Sinbi) que afirmou ter sido um encontro muito satisfatório, “a ideia é justamente convergir esforços e unir ideias para ajudar toda a cadeia produtiva do couro e do calçado”.

Para Ronaldo Lacerda, presidente do Sindicato de Nova Serrana, o Brasil representa um grande mercado, mas o empresário não pode ficar refém do consumo interno, sob o risco de ter dificuldades com a concorrência e não sobreviver. “Quando exportamos mais, a qualidade acaba se elevando, tendo como consequência a manutenção da clientela do mercado interno. Quem não pensar grande, corre o risco de ver seu negócio morrer”, afirmou.

Já para André da Rocha, vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), o setor calçadista brasileiro é muito capaz. Sou muito otimista em relação às possibilidades de crescimento. “Temos os europeus produzindo praticamente para eles mesmos, os asiáticos, sobretudo a China, que é responsável por 80% da produção mundial, mas focado em produtos de massa, e, por fim, as Américas. Do Canadá à Argentina são consumidos cerca de 13,5 bilhões de pares por ano, e se produz 1,5 bilhão, sendo 900 milhões da produção brasileira. Ou seja, temos tudo para comandar esse mercado”, avaliou Rocha, que enfatizou as vantagens e qualidades do couro, mais o viés da sustentabilidade. Apesar de o Brasil ser o segundo maior produtor de couro, as máquinas utilizadas vêm de fora, o que indica a necessidade de inovação. “Se desenvolvermos a tecnologia aqui, será uma oportunidade, uma vantagem competitiva”, avaliou.

O diretor da Escola Senai Francisco Matarazzo, Getúlio Rocha, entende que o Senai é essencial no processo de aumento da competitividade da indústria, o que obviamente passa pela capacitação e qualificação da mão de obra, mas que também oferece apoio significativo ao empresário, que tem diversos serviços de assessoria técnica , tais como cursos de Economia Circular e de inserção à Indústria 4.0. “Precisamos identificar as necessidades e convergir esforços para melhorar os setores produtivos industriais”, afirmou.

Na segunda parte do encontro, debateu-se o Decreto 45.490/2000, que regulamenta o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, que tem impacto no cenário calçadista paulista e, ainda, o Decreto 64.630 e a Resolução SFP 102/2019. Foram avaliadas especificidades contábeis e os possíveis impactos financeiros para produtores e varejistas.

Também integraram o debate, Francisco Santos, presidente da Couromoda, e Suzana Rabelo e Martha Coelho, ambas do Investe São Paulo, em função do Decreto Estadual da Redução de ICMS de Calçados. Coelho frisou que o Investe SP tem mecanismos para a indústria 4.0, boas oportunidades para linhas de desenvolvimento, e a possibilidade de trabalho conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

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Foto: Everton Amaro/Fiesp