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Representantes da Embraer e Anfavea discutem mobilidade urbana em reunião da Fiesp

Para eles, é essencial optar por modelos sustentáveis que priorizem a utilização das tecnologias em outros setores

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Para tratar de mobilidade urbana, o Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) convidou para a reunião realizada na quinta-feira (22/4) o diretor de pesquisa e tecnologia da Embraer, Maurílio Albanese Novaes Júnior, o gerente de sistemas autônomos, Julio Bolzani, também da Embraer, e o diretor técnico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Henry Joseph Júnior. A videoconferência foi intermediada pelo presidente do Conic, Antonio Carlos Teixeira Álvares.

Pela Embraer, Albanese começou a exposição enaltecendo as possibilidades de que as novas tecnologias transbordem do campo da pesquisa em aviação para outros setores produtivos. Na sequência, o diretor passou o tema ao colega Julio Bolzani, que apresentou os sistemas autônomos desenvolvidos pela empresa e suas vantagens. “Manter uma tripulação envolve um custo alto. E por meio dos sistemas autônomos é possível criar novos negócios mais viáveis economicamente, bem como otimizar os que já existem e aumentar a segurança das operações”, afirmou Bolzani.

A segurança foi um dos pontos destacados pelo especialista, que entende ser muito menos complexo voar sobre áreas remotas do que em grandes centros. “Nossa estratégia de longo prazo é ter sistemas bem desenvolvidos que permitam vermos 10.000 veículos autônomos sobrevoando as metrópoles, o que vai ser mais seguro do que com 2.000 aeronaves guiadas por pilotos que têm seus problemas pessoais e diferentes níveis de treinamento”, ressaltou.

Essa visão futurística, contudo, tem etapas particulares e não podem ser comparadas aos avanços obtidos com veículos terrestres. O especialista explicou que a visão da Embraer para evolução de autonomia deve começar durante operações com pilotos e progredir gradativamente, migrando para situações híbridas e somente depois ter voos autônomos não tripulados.

“A ideia é sempre sermos guiados pela segurança, que não é uma vantagem competitiva, mas a primeira condição. Em 70% dos casos de acidentes existe alguma falha humana envolvida, o que pode ser minimizado pelas tecnologias autônomas. Não significa dizer que será necessário substituir o piloto, mesmo porque as tecnologias podem ser usadas de modo auxiliar neste primeiro momento”, explicou Bolzani.

Outras aplicações para os sistemas autônomos podem ser para exercer atividades que envolvam riscos para seres humanos. “O desenvolvimento tecnológico está nas nossas mãos e ele vai continuar avançando, mas de modo paralelo é necessário que a legislação e regulamentação também avancem. Na Embraer já temos um veículo elétrico voador em fase de testes, mas, ao contrário de um veículo autônomo terrestre, em que os ajustes podem ser feitos durante a própria operação, o transporte aéreo pressupõe trabalhar com zero por cento de falhas”, disse o especialista da Embraer.

Para Bolzani, é essencial fazer o melhor uso possível da experiência de 50 anos que já existe na Embraer, e ele propõe a criação de parcerias público-privadas para acelerar o desenvolvimento da tecnologia de novos negócios e expandir os resultados obtidos para outros setores.

Indo para o campo terrestre, o diretor técnico da Anfavea, Henry Joseph Júnior, destacou a importância do setor automobilístico, que tem 25 empresas associadas, em 10 estados do Brasil e 60 unidades fabris em 40 municípios. “Estamos falando de um segmento que, em 2019, foi responsável por 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos e faturamento líquido R$ 234 bilhões, vindo a gerar R$ 79,1 bilhões em tributos diretos no mesmo período, com participação de 18% do PIB industrial em 2018 e 3% do resultado nacional”, disse Joseph.

Em relação à mobilidade urbana, que pode ser definida como a facilidade de deslocamento de pessoas e bens por veículos motorizados e não motorizados, o diretor da Anfavea defende a adoção de um modelo que preze pela sustentabilidade. “Temos observado que, mesmo com o aumento da frota desde 2006, todos os principais poluentes foram reduzidos. Além disso, em 2019 houve participação de 46% de combustíveis renováveis”, explicou.

Quanto à eletrificação, Joseph entende que essa é uma solução de médio a longo prazo, não para agora, devido ao alto custo e à necessidade de melhorar a infraestrutura. ”No caso dos biocombustíveis, essa é a vantagem que temos para agora, para o curto prazo”, avaliou o diretor, que concluiu dizendo que a pandemia estimulou mais pessoas a optar pelo transporte individual. “Contudo, a maior parte das pessoas pretende comprar um veículo seminovo, pois faltam incentivos à renovação da frota”.

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A mobilidade deve ser orientada por princípios de sustentabilidade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp