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Qualificação profissional e investimentos são temas de debate em reunião da Fiesp

Especialistas elencam desafios para o setor da construção civil na formação de mão de obra e financiamento via mercado de capitais

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

A fim de atender as demandas de mão de obra da indústria, em 1942 foi criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Formado por um conselho de empresários industriais, a entidade desde então vem atuando para atender a demanda do setor industrial ao formatar cursos de formação profissional e serviços tecnológicos.

“Não se trata de uma construção de mão única, com base em nosso corpo técnico apenas, pois vocês também são o Senai e contribuem com a visão e estratégias para tornar a indústria mais competitiva”, disse o diretor regional do Senai-SP, Ricardo Terra, durante reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp, nesta quinta-feira (9/6). A reunião ocorreu sob a coordenação do vice-presidente do Conselho, Luiz Antonio Nogueira de França, que anunciou a formação de um grupo de trabalho com o tema educação.

Atualmente o Senai-SP tem cerca de 6.000 colaboradores e 57% deles exercem atividade docente nas 92 escolas espalhadas pelo estado de São Paulo. E onde não existe unidade física da instituição, a estratégia é utilizar uma das 78 unidades móveis, escolas que funcionam em carretas e levam educação profissional para todos os cantos do estado.

Para atingir os objetivos, a entidade trabalha em três temáticas: educação profissional, tecnologia e inovação e empreendedorismo industrial. “São diversos cursos em várias modalidades de ensino, como os cursos de aprendizagem industrial, voltados a jovens de 14 a 24 anos, os cursos técnicos, para jovens que estão cursando eu tenham concluído o ensino médio, além dos cursos de formação inicial e continuada, e pós-graduação, todos vocacionados para atender a indústria”, disse Terra.

Ele ainda lembrou que o Senai-SP ampliou o alcance por meio da educação à distância, especialmente durante a pandemia, quando matriculou mais de 800 mil alunos por ano.

Entretanto, reconheceu que a formação de mão de obra qualificada para o setor da construção civil é muito diferente das indústrias de manufatura, por exemplo, pelo caráter itinerante do trabalho. “Além disso, a demanda pode crescer de uma vez, saindo de zero para 500 ou até mesmo 1000 contratações. Esses são alguns dos desafios para a formação de capital humano dentro do setor da construção civil”, apontou.

Outro convidado para a reunião do Consic, o diretor de investimento e patrimônio da Fundação CESP, Jorge Simino, abordou o cenário de investimentos no setor da construção civil, mas do ponto de vista do investidor. Segundo ele, qualquer investimento tem sempre três camadas: a macroeconômica, setorial e da própria empresa.

“A análise do cenário e as tendências fazem parte da macroeconomia e podem balizar a decisão de investir ou não. E para que o investimento ocorra, o prêmio precisa ser maior que a taxa de juros dos títulos públicos”, disse Simino.

Outro ponto observado pelos investidores é a escala de classificação de risco, chamada de rating. Quanto mais risco, maior precisa ser o prêmio. “Acrescente a isso a baixa liquidez do mercado de crédito privado no Brasil, o setor de atuação da empresa e o nível de informações disponíveis. Se eu não entendo o contexto todo eu transformo essa incerteza em prêmio, em forma de taxa de remuneração”, explicou o especialista.

Por fim, robustez financeira, qualidade da administração e bom histórico, com capacidade de percorrer momentos desfavoráveis à macroeconomia de modo satisfatório beneficiam a emissão dos papéis. “A sigla ESG também está cada vez presente e importante para os investidores e um ponto que não pode ser negligenciado pelas empresas”, pontuou.

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Foto: Ayrton Vignola/Fiesp