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Protagonismo da mulher, em diversas áreas, é pauta da Virada Feminina

Realizado pela Libra e pela Fiesp, o evento contou com programação gratuita repleta de painéis sobre saúde, empreendedorismo, violência, diversidade e outros temas

Tássia Almeida, Agência Indusnet Fiesp

O olhar e a voz da mulher sobre os atuais desafios da sociedade foram destaque na 3ª edição da Virada Feminina realizada pela Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil (Libra), em parceria com a Fiesp, no domingo, 2/6, na sede da indústria paulista. Para incentivar e fortalecer o protagonismo feminino, mulheres de diversas áreas de atuação se reuniram para debater sobre o papel, as batalhas e as conquistas da mulher em grupos de trabalho sobre educação, política, cidadania, enfrentamento à violência feminina, sustentabilidade, etnias e gênero, empreendedorismo, empregabilidade, geração de renda, inclusão social, diversidade, cultura, tecnologia, inovação, saúde, longevidade, bem-estar e esporte.

Durante a abertura do encontro, que reuniu 1.200 participantes, a presidente da Libra, Marta Livia Suplicy, destacou que o evento apresenta projetos, palestras e rodas de conversa com propostas de solução para todas as demandas do universo feminino como oportunidade de sair do campo da discussão e partir para a ação. Ela ainda acrescentou que a Virada Feminina é uma pauta da sociedade e que o apoio dos homens também é importante nas discussões propostas pelo evento.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, do Ciesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, disse que as temáticas trabalhadas na Virada também são de interesse da Fiesp e comentou sobre o desejo de que o evento seja apenas um ponto de partida para novos projetos entre as entidades da indústria e a Libra. “A partir de agora, a Fiesp é a casa da mulher brasileira”, disse.

Presentes à abertura, Albertina Duarte Takiuti, coordenadora estadual de Políticas Públicas para Mulheres (SP), e Cristiane Britto, secretária nacional de Políticas para Mulheres, comentaram sobre os números relacionados à violência contra a mulher e sobre a importância de investir em ações capazes de reverter esse cenário. “Nosso compromisso é o de estancar o feminicídio no Brasil”, disse Britto.

“O nosso trabalho é o de dar ferramentas para que a mulher se destaque por meio do equilíbrio entre trabalho e família”, comentou Ângela Vidal Gandra, secretária nacional da Família do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Também integraram o evento Antonio Fernandes Costa, secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Aline Gurgel, deputada federal (PRB-AP), Marília Goés, primeira-dama do Estado do Amapá e deputada estadual (PDT), e Éricka Filipelli, secretária de Estado da Mulher do Distrito Federal.

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Na Virada Feminina, realizada na Fiesp, neste domingo, 2/6, houve participação massiva de público que debateu temas de interesse da mulher, além de ações focadas em saúde e solidariedade. Fotos: Everton Amaro/Fiesp















Grupos de trabalho e ações na área de saúde

A programação do evento foi composta por mais de 50 painéis e contou também com várias ações na área de saúde como teste rápido de HIV e vacinação contra HPV para meninas de 9 a 13 anos. O Instituto Amor em Mechas recebeu doações de mechas de cabelo para confeccionar perucas para mulheres em tratamento de câncer. Quem doou 15 cm de cabelo ganhou um corte com os cabeleireiros do projeto.

No grupo de trabalho sobre enfrentamento à violência, coordenado por Gabriela Mansur, promotora de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica–GEVID, e Katia Boulos, advogada e diretora nacional da Associação de Direito da Família e das Sucessões–ADFAS, o feminicídio esteve em pauta. “Nós somos o 5º país no mundo com maior índice de feminicídio”, disse Mansur. “Muitas mulheres ainda sofrem caladas uma violência que não deixa marcas físicas. A violência psicológica precisa ser discutida e reconhecida”, completou. No painel “Eles por Elas”, João Santos, presidente do Programa Bem Querer Mulher, disse: “Precisamos nos livrar do preconceito e ressignificar o que é ser homem respeitando e valorizando a mulher”.

No painel “Diálogo entre atletas pelo Brasil – Mulheres no Esporte” do grupo de trabalho sobre esporte, Daniele Hypólito, atleta de ginástica olímpica, disse que esporte, educação e cultura são três pilares que se complementam. “São formas de superar os seus limites. Esse grupo de fundamentos ensina tudo isso. Se o foco for nesse alinhamento, teremos não só uma melhora no cenário feminino, como em todos os gêneros”.

Também participante do painel, Renato Cruz, atleta paralímpico do Sesi-SP e da seleção brasileira comentou: “A figura da mulher é linda, é forte. Ela é quem cuida da gente, ela põe nossos filhos no mundo, ela cuida, ela retorna ao trabalho. A minha mulher foi uma figura muito importante no meu processo de superação, após o meu acidente”, disse.

Saúde, violência, empregabilidade, política, educação, moda e comunicação tiveram espaço nos debates do grupo de trabalho “Raças e etnias”, coordenado pela psicóloga Cidinha Ruiz. “Mulheres, negros, indígenas, todas as raças precisam ser reconhecidas como seres humanos, não por sexo ou cor”, pontuou Cidinha. A Virada Feminina também apresentou painéis sobre a revolução feminina na educação; a construção social por meio do esporte; cidades inteligentes; o papel do feminino, do medo e do amor próprio na vida profissional, entre outros.