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Professores do Senai-SP participam do WorldSkills 2013 como treinadores e avaliadores

Profissionais da instituição embarcam nesta semana para principal competição internacional de educação profissional e tecnológica, que acontece de 2 a 7 de julho na Alemanha

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Não são apenas estudantes que integram a comitiva brasileira rumo à principal competição internacional de educação profissional e tecnológica, que acontece entre os dias 2 e 7 de julho, em Leipzig, na Alemanha. Também participam do torneio alguns professores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), auxiliando os participantes (treinadores) e preparando provas e avaliações (experts).

É o caso do pedagogo Edson da Silva, que parte, nesta quarta-feira (26/06), com destino à sua segunda WorldSkills. Professor da escola Senai “João Martins Coube”, de Bauru (SP), ele participou da edição do torneio que ocorreu em Londres, em 2011. Neste ano, Silva repete a função de expert de motores.

Edson da Silva: orgulho de ser um dos juízes das atividades de tecnologia automobilística da  disputa. Foto: Divulgação

Edson da Silva: orgulho de ser um dos juízes do WorldSkills. Foto: Arquivo Pessoal

O pedagogo explica que o expert é um especialista que avalia as competições. “Serei, de fato, um dos juízes das atividades de tecnologia automobilística. O único do Brasil”, diz.

De acordo com Silva, o torneio de tecnologia automobilística conta com seis competidores de cada país e um total de 33 avaliadores, responsáveis por criar as missões. “Serão três horas de tarefas, cada uma com 50 critérios de avaliação. Sendo seis provas ao longo de quatro dias”, explica.

Habilidade para enfrentar problemas

Silva destaca que além de avaliar os competidores, cabe aos experts criar a “situação problema”, que consiste em “pôr erros” no motor do carro. Depois disso, os competidores precisam identificar e resolver esses problemas. “Nós chegaremos três dias antes do início do torneio, para colocar os defeitos nos motores e montar as atividades.”

O expert destaca que o interessante da competição é que ela recria o dia a dia de um profissional da mecânica. “Nós criamos o problema e entregamos a reclamação ao competidor, para ele resolver. Assim como acontece em uma mecânica comum”, conta.

Silva explica também que, além de motor, a WorldSkills conta com outras competições ligadas às principais partes constituintes de um veículo automotivo. Entre elas, controle dimensional e diagnóstico, atividades ligadas a reparos e diagnósticos de freios, suspensão e direção; reparos de alinhamento; provas elétricas, de transmissão e injeção eletrônica.

Funcionário do Senai-SP há 25 anos,  ele diz que a experiência de ser juiz em um torneio importante como o WorldSkiils é gratificante. “É uma experiência fantástica, que congrega pessoas de 33 países diferentes, entre eles os melhores em tecnologia automobilística, como Alemanha, Japão e Estados Unidos.”

“Espero que nós, do Senai-SP, consigamos voltar com o maior número de medalhas”, disse. No total, a delegação brasileira será integrada por 44 competidores, vinte deles estudantes do Senai-SP, que representam o país em 17 categorias.

Doze horas de treinamento por dia

Na sexta-feira (28/06), é a vez do professor Thiago Luiz Barbosa, de 28 anos, viajar para o país europeu. Barbosa, instrutor ferramenteiro da unidade do Senai-SP do Brás, na capital paulista, realiza um sonho com a participação no torneio. “Como aluno do Senai-SP, fui campeão estadual, em 2013, e nacional em 2004, na modalidade mecânica de usinagem. Mas, infelizmente, nunca competi na WorldSkills, pois, na época, minha modalidade não participava da competição”, lembra.

Barbosa conta que pela primeira vez tem um aluno classificado para a competição. “É um sonho, uma satisfação pessoal. Demorei dez anos para participar de uma WorldSkills. Não irei como aluno, dessa vez, mas irei acompanhando Bruno Ramalho, com quem trabalho desde 2008.”

Barbosa conta que o treino que realiza ao lado de Ramalho, de 20 anos, é bem puxado. Tudo para voltar para o Brasil com a medalha de ouro. “Antes da competição mundial chegamos a treinar 12 horas por dia. Nosso objetivo é conquistar ao menos a medalha de bronze. Mas sei que podemos mais.”

Luiz, à esquerda, e Bruno: desafio de vencer as equipes do Japão e da Coreia do Sul. Foto: Divulgação

Luiz Barbosa, à esquerda, e Bruno Ramalho: desafio de vencer as equipes do Japão e da Coreia do Sul. Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com o treinador, o maior desafio para Ramalho é superar o Japão e a Coreia do Sul, principais equipes na categoria construção de molde. “O Bruno é um ex-aluno que já terminou o curso técnico e foi contratado pelo Senai como trainee, pois ganhou a competição estadual, em 2011, e a nacional, em 2012”, conta.

Barbosa destaca que não são somente os alunos participantes da competição que saem ganhando com o WorldSkills. “Participar do torneio agrega muito para mim na esfera profissional. Como instrutor, vejo processos diferentes e vivencio outras experiências. Além disso, tenho contato com tecnologia de ponta e posso trazer novos conhecimentos de volta”, conta.