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Professor da USP debate notícia legítima e fake news em tempos de novas tecnologias

Jornalista Eugênio Bucci, em debate na Fiesp, abordou a necessidade de entender e combater as fake news, fenômeno ligado às novas tecnologias de comunicação

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Entender a diferença entre mentira e fake news é fundamental para combater esse tipo de comunicação danosa, segundo o professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (Eca-USP), Eugênio Bucci, convidado do mês para a reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, dirigida por seu presidente, Ruy Martins Altenfelder Silva. Também participaram do debate, realizado na manhã da quinta-feira (19/11), o conselheiro do Consea e diretor do jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Carlos Pereira, e o General de Divisão Adalmir Domingos, coordenador executivo de conselhos e departamentos da Fiesp.

Bucci afirmou que a incapacidade de distinguir o que é verdade do que é falso influencia negativamente e até mesmo coloca em risco o pleno exercício da democracia. “Vivemos em um período sem precedentes na história da Humanidade. Muitas pessoas acreditam que o homem nunca foi à Lua ou que a Terra é plana. Isso porque as notícias falsas circulam com rapidez enorme e involucradas como se fossem fatos noticiosos fidedignos. E isso pode motivar notícias falsas contra as instituições democráticas”, explicou o professor.

As fake news são diferentes das mentiras comuns, segundo o especialista. A principal diferença entre uma e outra categoria está em sua forma e em seu tempo. “O que existia no passado eram as mentiras comuns. As fake news são um fenômeno recente. São mentiras também, mas mentiras qualificadas, que derivam das news, ou seja, das notícias. Elas têm a forma de uma notícia, mas não têm as características próprias do jornalismo, como a apuração das fontes de informações ou indicação de autoria”, pontuou Bucci.

O expositor admitiu o fato de que jornalismo possa produzir notícias erradas e até mesmo calúnias, citando como exemplo as manchetes de vários periódicos que deram como verdadeira a afirmação de que o presidente iraquiano Saddan Hussein fabricava armas químicas de destruição em massa. “Aquilo era uma mentira. Vários jornalistas embarcaram nessa e publicaram isso; mais tarde reconheceram o erro e fizeram a correção devida”, assinalou o docente. Mas isso não se trata de fake news, de acordo com o professor. “Ao contrário de um jornal, que tem endereço e um jornalista responsável, que pode ser processado, ninguém sabe o emissor de uma fake new. Trata-se de uma indústria clandestina”, completou.

Um dos grandes problemas desse tipo de notícia é não existir a possibilidade de se reparar o dano, e essa condição só existe, segundo Bucci, devido às novas tecnologias da comunicação digital: “As plataformas sociais e os grandes sites de busca favorecem esse tipo de notícia. Sem essa tecnologia e sem a falsificação do que se presume ser jornalismo, não haveria o fenômeno das fake news”.

O conselheiro do Consea, Antonio Carlos Pereira, concluiu explicando que os mecanismos de busca não somente trazem os conteúdos, mas entregam de forma integral conteúdos prontos e que são utilizados para propagar notícias falsas. “A Constituição proíbe o anonimato. Ao usar desses mecanismos para produzir e distribuir notícias falsas e ofensivas, as pessoas se escondem no anonimato, o que por si só já é um crime. Uma empresa séria não acolhe esse tipo de informação”, finalizou Pereira, jornalista e diretor do O Estado de S. Paulo.

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Segundo o especialista, ao contrário de um jornal, que tem endereço e um jornalista responsável,  ninguém sabe o emissor de uma fake new. Foto: Karim Kahn/Fiesp