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Produção industrial fica perto da estabilidade em abril, preservando expectativas de baixo dinamismo para o restante do ano 

O leve crescimento da atividade resulta do crescimento de duas das quatro categorias econômicas

Agência Indusnet Fiesp

A produção industrial aumentou 0,1% entre março e abril, sem efeitos sazonais. Frente a abril de 2021 houve recuo de 0,5%. O crescimento veio levemente abaixo da expectativa do mercado (+0,2%). Vale destacar que o comportamento positivo nos últimos três meses, quando acumulou crescimento de 1,4%, não compensou a queda de 1,9% registrada em janeiro de 2022. O resultado de abril foi puxado pela indústria extrativa (+0,4%), dado que a indústria de transformação ficou próxima da estabilidade (+0,1%). 

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O leve crescimento da atividade industrial em abril de 2022 foi resultado do crescimento de duas das quatro categorias econômicas e pela maior parte (16) dos 26 setores pesquisados.  

Entre os setores, as influências positivas mais importantes no mês de abril foram obtidas pelo segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+4,6%), bebidas (+5,2%) e outros produtos químicos (+2,8%). Por outro lado, 10 dos 26 setores apresentaram baixa na produção. Os destaques negativos ficaram por conta de produtos alimentícios (-4,1%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,2%).  

Entre as grandes categorias econômicas, na comparação com o mês anterior, sem efeitos sazonais, o destaque positivo ficou a cargo do segmento de bens de consumo semi e não duráveis (+2,3%) e bens intermediários (+0,8%). Por outro lado, os setores produtores de bens de capital (-9,2%) e de bens de consumo duráveis (-5,5%) foram as principais influências negativas no mês. 

Frente a abril de 2021, sem ajuste sazonal, a redução mais relevante foi observada no grupo de bens de consumo duráveis (-13,2%), seguido por bens de capital (-5,1%). Em contrapartida, o segmento de bens de consumo semi e não duráveis (+3,3%) e de bens intermediários (+0,1%) apresentaram resultados positivos no mês. 

Diante do quadro de forte aperto monetário implementado pelo Banco Central, com efeitos defasados, e dos custos elevados de produção que ainda pressionam a indústria, a Fiesp mantém expectativa de baixo dinamismo da atividade industrial nos próximos meses. Ademais, a forte contração de bens de capital, em linha com a redução dos investimentos no PIB do primeiro trimestre (FBCF: -3,5%), sinalizam uma antecipação dos agentes em relação ao desempenho mais fraco da economia na segunda metade do ano. Essa reversão é esperada, dado que o investimento é uma variável alicerçada nas expectativas, que é negativa por causa da alta dos juros. A projeção da Fiesp para a produção industrial em 2022 é de uma queda de 1,2%, que, se confirmada, será a sexta redução da indústria em um período de dez anos. 

Enquanto comércio e serviços sinalizam retomada em relação ao patamar pré-pandemia, a indústria mantém o quadro de fraco dinamismo, gravitando em torno da estabilidade. Na perspectiva de longo prazo, a combinação de resultados negativos ou pouco expressivos acumula efeitos ao longo do tempo, afastando a indústria brasileira em relação à dinâmica do resto do mundo. Após a década de 1980, a indústria brasileira perdeu protagonismo, fenômeno desencadeado por um longo e precoce processo de desindustrialização. No entanto, mesmo com o processo de crise estrutural do tecido produtivo do país, a produção industrial brasileira acompanhou a dinâmica mundial no início dos anos 2000, como pode ser observado no gráfico abaixo: 

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O caminhar semelhante em relação a economia mundial foi descontinuado ao longo da década de 2010. É possível observar uma quebra da correlação de tendência após 2012, agravada com a recessão econômica assistida pela economia brasileira em 2015 e 2016. A taxa média de crescimento mostra que a manufatura mundial cresceu, em média, 2,6% entre 2001-2011, com a indústria brasileira caminhando em ritmo similar (+2,7%). Na década seguinte, o crescimento médio brasileiro se desliga do comportamento mundial, que cresceu, em média, 2,2%, enquanto o Brasil apresentou uma redução média de -1,6%. Avaliando pares emergentes a discrepância fica ainda mais evidente, visto que os países da categoria cresceram 5,7% entre 2001-2011 e 3,7% entre 2012-2021. As projeções de baixo dinamismo da indústria em 2022 vão continuar alimentando esse afastamento.