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Produção industrial cresce no 2º trimestre, mas mantém cenário de lenta recuperação em 2022

Projeção da Fiesp para a produção industrial em 2022 é de queda de 0,9%

Agência Indusnet Fiesp

A produção industrial caiu 0,4% entre maio e junho, sem efeitos sazonais. Frente a junho de 2021 houve recuo de 0,5%. A queda veio abaixo das expectativas do mercado (-0,3%). O resultado no mês foi puxado pela indústria de transformação (-0,3%), dado que a indústria extrativa cresceu no período (1,9%).

Na passagem do 1º para o 2º trimestre de 2022 a produção industrial cresceu 0,9%, sinalizando leve aceleração. Esse foi o 3º resultado positivo consecutivo nesta métrica. Ainda com relação ao 1º trimestre de 2022, a indústria extrativa caiu 0,8%, e a transformação cresceu 1,2%.   

A redução da atividade industrial em junho de 2022 foi resultado do recuo de três das quatro categorias econômicas e 15 dos 26 setores pesquisados. Entre os grupos de atividade, as influências negativas mais relevantes no mês de junho foram obtidas pelo segmento de farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%). Por outro lado, entre os demais que apresentaram crescimento da produção, os destaques positivos ficaram por conta de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,1%) e indústrias extrativas (1,9%). 

Entre as grandes categorias econômicas, na comparação com o mês anterior, sem influências sazonais, o destaque negativo ficou a cargo de bens de capital (-1,5%), após crescimento de 7,5% em maio. A categoria de bens intermediários (-0,8%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também registrou queda na produção em junho. Por outro lado, a única variação positiva no mês ficou a cargo de bens de consumo duráveis (+6,4%). 

Os últimos resultados da atividade industrial brasileira contribuíram para a recuperação da produção do setor em relação ao nível pré-pandemia (fevereiro de 2020). Entretanto, o desempenho não foi suficiente para assegurar um ritmo de crescimento sustentado durante a retomada, como pode ser visto no gráfico abaixo.

Fonte: Elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE.  Obs.: Início do período de recuperação: i) mar/09 para a crise financeira de 2008; ii) jan/17 para Crise econômica de 2015-16, e iii) jun/20 para a crise causada pela pandemia da COVID-19.

Fonte: Elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE.  Obs.: Início do período de recuperação: i) mar/09 para a crise financeira de 2008; ii) jan/17 para Crise econômica de 2015-16, e iii) jun/20 para a crise causada pela pandemia da Covid-19.


O gráfico mostra o período de recuperação da produção industrial em três momentos distintos. É possível observar uma forte retomada da indústria a partir de junho de 2020 (curva verde do gráfico). No entanto, essa recuperação perdeu fôlego, ficando abaixo do ritmo de recuperação em relação à crise de 2008 (curva azul) e próximo ao que foi observado após a recessão de 2014/16 (curva vermelha). Esse movimento variou conforme as categorias econômicas. 

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Fonte: Elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE.


Os segmentos que mais contribuíram para interromper o processo de retomada foram os grupos de bens de capital e bens de consumo duráveis. Ambos respondem de forma mais significativa às variações do ciclo econômico. Ao mesmo tempo em que foram mais afetados pela pandemia, esboçaram um crescimento acelerado após o 1º trimestre de 2021, e, recentemente, reforçaram o baixo dinamismo do crescimento da atividade industrial.  

Em relação ao nível pré-pandemia, os grupos de bens de consumo duráveis (-15,6%) e não duráveis (-6,7%) permanecem defasados. Bens de capital mantém um patamar superior na mesma comparação (+13,8%), mas tende a sentir de forma mais direta os efeitos do aperto monetário, sobretudo, devido à deterioração das expectativas para novos investimentos. O grupo de bens intermediários (+0,7%) segue levemente acima do patamar pré-crise. No ano (em relação a dezembro de 2021), bens de capital mantém uma variação acumulada negativa de 1,8%, seguido por bens intermediários com defasagem de 0,4%. Por outro lado, bens de consumo duráveis (+0,8%) e bens de consumo semiduráveis e não duráveis (+0,4%) estão acima do que foi registrado no final de 2021.

Fonte: Elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE. ¹ Eixo x representa o nível da produção industrial de junho/22 em relação a fevereiro/20, e o eixo y o nível em relação a dezembro/21. O tamanho das bolas representa a participação do setor na produção industrial.

Fonte: Elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE. ¹ Eixo x representa o nível da produção industrial de junho/22 em relação a fevereiro/20, e o eixo y o nível em relação a dezembro/21. O tamanho das bolas representa a participação do setor na produção industrial.


A desaceleração da economia global, o forte aumento da taxa de juros, e o elevado nível de incerteza na economia brasileira, que pode aumentar durante o processo eleitoral, devem impactar negativamente o dinamismo da atividade industrial nos próximos meses.  

Por outro lado, as medidas fiscais adotadas recentemente pelo governo federal estão contribuindo para melhorar as expectativas de crescimento da economia brasileira em 2022, o que pode amenizar as restrições de demanda e o cenário adverso para a produção industrial no ano. O gráfico a seguir sumariza a projeção da Fiesp para o setor. 

Fonte: Elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE.

Fonte: Elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE.

 

Os resultados no 1º semestre sinalizam para um fraco processo de recuperação da indústria em relação aos efeitos adversos causados pela pandemia. O expressivo aumento da taxa de juros, contrabalanceado pelas medidas de expansão fiscal, tendem a condicionar o ritmo dessa recuperação. Diante disso, a projeção da Fiesp para a produção industrial em 2022 é de uma queda de 0,9%. Essa previsão pode ser alterada diante do alcance das medidas de estímulo do governo.